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Alimentação e coronavírus: não há alimentos que curam

Não existem alimentos, medidas caseiras ou suplementos associados à prevenção ou tratamento da infeção por COVID-19, desmistifica Ana Rita Lopes, coordenadora da Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Lisboa.

Numa altura em que se multiplicam as publicações que prometem receitas milagrosas para combater a COVID-19, há informações que circulam nas redes sociais que associam a cura da inflamação à ingestão de certos alimentos. Ora, essa informação é falsa, alerta Ana Rita Lopes, coordenadora da Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Lisboa.

“Não existem alimentos, suplementos, ingredientes, batidos de alimentos que visem prevenir ou tratar a infeção por COVID-19. Não existe evidência científica da utilização de alimentos neste âmbito”, refere a especialista. O mesmo acontece no caso de uma ingestão reforçada de alimentos que fortalecem o sistema imunitário, os chamados alimentos anti-inflamatórios.

“A boa alimentação deve ser variada, sustentável, mas não há alimentos que curem. Ou que visem ser mais anti-inflamatórios. Não há evidência científica para isso”, refere Ana Rita Lopes. Prova da não existência de evidência para esta relação é o facto de a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos não ter identificado ou autorizado até agora qualquer alegação de saúde a um alimento ou componente que seja considerado adequado para a prevenção de infeções.

Importância da alimentação

Tal como noutras situações, manter uma alimentação saudável é importante também neste momento em que vários países estão a combater a pandemia de COVID-19.

Assim, seguir uma alimentação variada e equilibrada ajuda o organismo a obter as vitaminas, minerais e antioxidantes de que necessitamos e que são importantes para um sistema imunitário forte e saudável – no entanto, tal não implica que se deva descurar as medidas preventivas veiculadas pelas autoridades. “Devemos seguir as indicações das entidades de saúde relativamente à higiene das mãos e a etiqueta respiratória”, aconselha Ana Rita Lopes.

Uma boa hidratação

A ingestão adequada de água também é importante neste momento uma vez que a água permite manter a homeostasia (processo de regulação através do qual o organismo consegue manter a estabilidade do seu equilíbrio) e permite o transporte de nutrientes para as células e a remoção e excreção de resíduos e produtos do metabolismo.

Mais: a ingestão adequada de água confere estrutura às nossas células, sendo fundamental para os processos fisiológicos de digestão, absorção, excreção e manutenção da temperatura corporal.

Para os adultos, a ingestão de água deve ser de 1,9 L/dia para homens e de 1,5 L/dia para as mulheres.

A COVID-19 pode passar através dos alimentos?

Quanto à dúvida sobre se a COVID-19 pode ser transmitida através dos alimentos, Ana Rita Lopes assinala que “não há evidência que suporte que a transmissão da COVID-19 pelos alimentos”. Já antes da confeção “é importante realizar a higiene correta das mãos”, aconselha a especialista.

A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos explicou recentemente que em outros surtos de coronavírus no passado não houve transmissão do vírus através dos alimentos: “Experiências de surtos anteriores de coronavírus, tais como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV) e a Síndrome Respiratória do Médio Oriente (MERS-CoV), mostram que a transmissão pelo consumo de alimentos não ocorreu. Até ao momento não há evidência que sugira que o coronavírus seja diferente a esse respeito”, disse a investigadora-chefe da EFSA, Marta Hugas.

Em suma

  • É muito importante seguir as indicações das entidades de saúde relativamente à higiene das mãos e etiqueta respiratória;
  • Manter uma boa alimentação e boa hidratação;
  • Manter as horas de sono adequadas;
  • Manter alguma serenidade.

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Revisão Científica

Dra. Ana Rita Lopes

Coordenador da Unidade de Nutrição Clínica

Nutrição Clínica
Hospital Lusíadas Lisboa
PT