Lusiadas.pt | Blog | COVID-19 | Diabetes e COVID-19: dúvidas frequentes
4 min

Diabetes e COVID-19: dúvidas frequentes

As pessoas com diabetes são um grupo de risco para a infeção COVID-19. Nesse sentido, conheça as respostas às perguntas mais frequentes dos diabéticos sobre o novo coronavírus.

Em Portugal, a prevalência da diabetes na população geral é de 13,6% e, sabe-se pelos estudos disponibilizados até ao momento, que as pessoas com diabetes são um grupo de risco para a infeção COVID-19, nomeadamente de aumento de mortalidade. Perceba porquê e o que deve fazer se for diabético.

  • As pessoas com diabetes têm maior tendência para infeção pelo novo coronavírus?

“Não há dados suficientes para atestar que as pessoas com diabetes têm maior probabilidade de contrair COVID-19 do que a população em geral”, refere a Associação Americana de Diabetes.  No entanto, as pessoas com diabetes que sejam infetadas pelo novo coronavírus têm maior possibilidade de desenvolver formas mais graves da doença.

Ou seja, apesar de não terem maior tendência de contrair o vírus do que a restante população, se o contraírem, é mais provável que desenvolvam “quadros de maior gravidade e prognóstico menos favorável” do que a população em geral, como explica a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.

No entanto, ainda não se sabe por que razão tal acontece: “Exatamente a causa por que isso acontece não é conhecida”, assinalou João Raposo, diretor clínico da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), em entrevista à SIC, acrescentando que, o que se pensa, “pelo menos até este momento, é que é a alteração do nível do açúcar no sangue que condiciona menor defesa do organismo”.

  • Se a diabetes estiver bem compensada a pessoa diabética corre menor risco?

Sim. Se a diabetes estiver bem compensada o risco é o mesmo da população em geral. Já o presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, Davide Carvalho, explicou, em declarações ao Porto Canal, que “quando a diabetes está descompensada a probabilidade de o doente estar imunodeprimido - ou seja, de ter as defesas diminuídas - é maior. Portanto, mais facilmente poderá apanhar infeção. Por um lado, se estiver infetado, a probabilidade de descompensar a sua diabetes é maior”. Daí que seja muito importante que as pessoas com diabetes mantenham o controlo glicémico e vigiem a tensão arterial.

  • O risco é diferente entre os diferentes tipos de diabetes?

Não existe evidência de diferença entre os vários tipos de diabetes - entre a diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2.

  • As crianças e jovens diabéticos tipo 1 são considerados de risco?

De acordo com a literatura internacional e com a opinião das sociedade pediátricas nacionais (Sociedade Portuguesa de Pediatria e a Sociedade Portuguesa de Endocrinologia e Diabetologia Pediátrica), o risco de uma criança ou jovem com diabetes tipo 1 contrair a doença é igual ao da população em geral, assim como para o mesmo grupo etário. Além disso, a infeção é pouco frequente – apenas 1,7% dos casos correspondem à idade pediátrica, sendo os sintomas mais ligeiros.

  • O que é que uma pessoa com diabetes deve fazer durante a pandemia de COVID-19?

Estas são as recomendações emitidas pela Sociedade Portuguesa de Diabetologia, pela Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), pela Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e pela Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, pela SPP (Sociedade Portuguesa de Pediatria) e pela SPEDP (Sociedade Portuguesa de Endocrinologia e Diabetologia Pediátrica):

  • Manter-se no domicílio, reduzindo o número de saídas ao mínimo possível; evitar multidões ou aglomerados;
  • Tomar precauções diárias, mantendo distância de segurança de pelo menos 1 metro de outras pessoas;
  • Evitar o contacto com pessoas doentes ou que apresentem sintomalogia respiratória;
  • Lavar frequentemente as mãos com água e sabão ou desinfetante;
  • Não partilhar comida nem utensílios;
  • Manter-se hidratado, controlar a glicemia, corpos cetónicos e medir a temperatura.
     
  • O que fazer se sentir sintomas associados à COVID-19?

Os sintomas mais habituais na infeção COVID-19 são:

  • Febre (temperatura igual ou acima de 38 ºC);
  • Tosse (geralmente seca);
  • Dificuldade respiratória.

Outros sintomas de COVID-19:

  • Congestão nasal;
  • Dores de cabeça;
  • Dores musculares ou articulares;
  • Alterações digestivas (diarreia ou náusea).

Estes sintomas podem ir-se agravando de forma progressiva.

Perante o aparecimento de sintomas como febre, tosse ou falta de ar, a pessoa deve manter-se em isolamento no seu domicílio e contactar a Linha de Apoio Saúde 24 (808 24 24 24).

Deverá contactar também o seu médico assistente, que poderá ajudar a perceber o risco real de estar com essa infeção e orientar os passos a tomar em seguida. Quando ligar ao seu médico, não se esqueça de:

  • Ter disponíveis os seus valores de glicemia e de cetonemia, se adequado;
  • Indicar ao médico a quantidade de fluidos que ingeriu;
  • Indicar, com clareza, os sintomas que está a sentir;
  • Fazer perguntas sobre como deve gerir a sua diabetes; Caso os sintomas sejam realmente sugestivos de COVID-19, no contacto com a linha SNS 24 deve explicar os sintomas que tem, indicar a doença de base e a medicação que toma e proceder de acordo com o que lhe transmitirem.
     
  • Que quantidade de medicação devo ter em casa?

É aconselhável ter em casa medicação para a diabetes em quantidade suficiente para, pelo menos, um mês, assim como material de auto-vigilância da diabetes e toda a medicação que toma habitualmente para outras condições. É ainda conveniente ter medicação para a febre, como anti-inflamatórios.

  • Há alterações na disponibilidade de insulina em Portugal?

Quanto a questões de disponibilidade de insulina nas farmácias portuguesas, poderá consultar o comunicado conjunto de várias sociedades, conjuntamente com a APIFARMA – Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica.

Importância de manter uma vida saudável

Sabe-se que o stresse aumenta os níveis de açúcar no sangue uma vez que o cérebro, perante uma situação de tensão, envia sinais ao corpo através do sistema endócrino e do sistema nervoso simpático.

Ambos libertam hormonas que fazem com que o coração bata mais rápido, que a pressão arterial aumente e que os níveis de açúcar no sangue subam o que, por sua vez, pode contribuir para o aumento da glicemia.

Por isso, numa situação de pandemia como a que se vive, é muito importante que as pessoas com diabetes consigam gerir o stresse de forma a manter o controlo glicémico e prevenir complicações da doença. Manter uma alimentação equilibrada, hidratar-se bem e tentar praticar exercício físico em casa é muito importante nesse contexto.

Ler mais sobre

Coronavírus

Este artigo foi útil?

We appreciate the feedback.

Please include your email if you want us to follow up with you.

Especialidades em foco neste artigo

Revisão Científica

Dra. Luísa Raimundo

Coordenador da Unidade de Endocrinologia

Endocrinologia
Hospital Lusíadas Lisboa
PT