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Pele: cuidados a ter quando se usa máscara e álcool-gel

O uso da máscara e de álcool-gel são dois hábitos indispensáveis contra a propagação do vírus que causa a COVID-19. No entanto, pode provocar danos na pele da cara e das mãos, principalmente se o uso for extensivo. Mas há formas de evitar estes problemas.

Tanto a máscara como o álcool-gel são duas ferramentas fundamentais para se evitar a transmissão do novo coronavírus (SARS-CoV-2) que provoca a doença COVID-19, que desde o final de 2019 se alastrou a partir da China para todo o globo, provocando uma pandemia. Mas há consequências negativas para a pele no uso frequente da máscara e do álcool-gel. Por isso, é importante tomar cuidados para evitar esses danos.

Cuidados com o uso de máscara

As máscaras evitam que se inspire microrganismos que estejam no ar, que podem desencadear infeções e, ao mesmo tempo, fazem com que os microrganismos que são expelidos na respiração fiquem retidos e não se propaguem para o ar, evitando que alcancem outras pessoas.

No entanto, o uso prolongado da máscara “pode causar tanto danos como lesões por abrasão e fricção” na pele, as chamadas úlceras, como ainda provocar “urticárias e acne”, informa Maria Bravo, médica internista e coordenadora da Unidade de Atendimento Urgente da Clínica de Stº António.

“A fricção constante da máscara com a pele vai lesar os tecidos, causando abrasão dos mesmos e fazendo o eritema e, depois, as feridas, a que chamamos úlceras”, explica a médica.

Por outro lado, “os poros da pele da face ficam “tapados” pela máscara, pelo que, ao contrário do habitual, estão ocluídos, levando a que acumulem com mais facilidade (nas peles que tenham essa tendência) oleosidade nos poros e desenvolvam acne nas zonas cobertas pelas máscaras”. O risco destes danos depende do tempo que se usa a máscara continuamente e do tipo de máscara. Quanto mais tempo se usar uma máscara, mais exposta a pele estará à fricção e à obstrução provocadas pela máscara.

Além disso, máscaras mais apertadas, que se ajustem perfeitamente à anatomia da cara e que são de maior proteção, como a FFP2/KN95, têm mais tendência para produzir estes efeitos. Mas alguém que passa as oito horas de trabalho com uma simples máscara cirúrgica pode também desenvolver este tipo de problemas na pele.

Como evitar estes danos?

“Hidratando bem a pele e, se necessário, prevenindo nos locais de maior fricção com pensos adequados, com esponjas de poliuretano ou placas de hidrocoloide”, explica Maria Bravo. As esponjas de poliuretano e hidrocoloide podem ser compradas na farmácia.

O tratamento vai depender do tipo de feridas que surgirem. Como muitas vezes as úlceras surgem em zonas com cartilagem, como o nariz, a médica avisa que o tempo de cicatrização pode prolongar-se.

Cuidados com o uso de álcool-gel

O álcool-gel quando passado nas mãos (e nas superfícies) mata bactérias e vírus como o SARS-CoV-2, que causa a COVID-19. No entanto, pode “secar a pele e provocar abrasão e fissuras na pele das mãos”, diz Maria Bravo.

A epiderme, a região externa da pele, tem naturalmente uma camada lipídica, de gordura, que é protetora. O álcool-gel destrói essa camada. Sem esta proteção a pele fica mais seca e vulnerável a qualquer agressão, como a dos raios solares.

Como se pode evitar a destruição desta camada? Quanto maior for a frequência do uso do álcool-gel, maior será o dano para a pele. Por isso, deve-se evitar o seu uso sempre que há à disposição sabão e água.

Assim, “deve-se privilegiar, dentro de casa, a higienização das mãos com água e sabão, deixando a utilização do álcool-gel para o exterior”, explica Maria Bravo.

Além disso, deve-se hidratar as mãos sempre que possível. Em relação ao sol, os cuidados não mudam por causa do álcool-gel: “Hidratação e proteção dos raios solares, sempre.”

Em suma

Apesar da importância inquestionável do uso da máscara e do álcool-gel para travar a propagação da COVID-19, é necessário ter cuidados para evitar os efeitos negativos que este uso pode ter para a pele. No caso da máscara, deve-se usar esponjas de poliuretano e hidrocoloide na região onde a máscara fricciona mais com a pele, principalmente se o uso desta for prolongado. Em relação ao álcool-gel, é importante hidratar as mãos e, se possível, restringir o seu uso ao exterior da habitação.

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Especialidades em foco neste artigo

Colaboração

Dra. Maria Bravo

Medicina Interna
Clínica de Stº António
PT