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Vacinação COVID-19: como funciona e quais são as vacinas

Revisao Cientifica
Saiba que vacinas Portugal comprou, como funcionam e como está a decorrer o processo de vacinação.

Portugal adquiriu vacinas desenvolvidas por diferentes empresas farmacêuticas, o suficiente para imunizar toda a população. A vacinação contra a COVID-19 começou pelos grupos de risco e alguns setores profissionais, como a saúde, e foi, ao longo de 2021, chegando a grupos etários cada vez mais novos. Em outubro, 85% da população portuguesa tinha completado a vacinação, tendo a terceira dose da vacina começado a ser aplicada em pessoas com mais de 65 anos no mesmo mês. Em dezembro, crianças entre os 5 e 11 anos começam a ser vacinadas. 

Como decorre a vacinação

A vacinação iniciou-se em dezembro de 2020 com a vacina da Pfizer/BioNTech, a primeira a receber aprovação na União Europeia e a chegar a Portugal.  As primeiras pessoas vacinadas foram os profissionais de saúde envolvidos na prestação de cuidados a doentes; os profissionais das forças armadas, forças de segurança e serviços críticos; os profissionais e residentes em lares de idosos e instituições similares; e os profissionais e utentes da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados.

Em fevereiro de 2021, mês em que chegaram as doses da vacina AstraZeneca (agora Vaxzevria), a segunda fase arrancou com a vacinação de pessoas a partir dos 50 anos, com patologias como insuficiência cardíaca ou doenças respiratórias crónicas. A partir de abril, foram sendo vacinados grupos etários cada vez mais novos, representando uma subida acentuada da população vacinada. Em outubro, 85% da população portuguesa tinha completado a vacinação.  

Também em outubro começou a ser administrada uma terceira dose da vacina a pessoas com mais de 65 anos. Esta dose extra serve para reforçar a imunidade desencadeada pela vacinação que, com o passar do tempo, começa a decair. Desde então, já foram vacinadas um milhão de pessoas com mais de 65 anos. 

As crianças abaixo dos 11 anos ainda não foram vacinadas com nenhuma dose. No entanto, depois da Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) ter aprovado no final de novembro a primeira vacina contra a COVID-19 para o grupo etário entre os 5 aos 11 anos, da BioNTech/Pfizer, a Direção-Geral da Saúde recomendou o seu uso a 7 de dezembro. A vacinação para este grupo arranca a 18 de dezembro. 

Como funcionam as vacinas e as suas diferenças 

As vacinas da Pfizer/BioNTech, da Moderna, da AstraZeneca e da Janssen, uma empresa da Johnson & Johnson, foram as únicas, para já, aprovadas pela EMA.

As vacinas da AstraZeneca e da Janssen colocam no organismo um vetor viral. Neste caso, uma versão inofensiva de um adenovírus, que desencadeia uma resposta imunitária.

As vacinas da Pfizer e da Moderna funcionam de outra forma. Com a vacina, é injetado o código genético do vírus, especificamente para a proteína Spike, utilizada pelo SARS-COV-2 para entrar nas células. Este código genético, que é uma molécula de ARN-Mensageiro, entra nas células humanas fazendo com que elas produzam a proteína Spike. Esta proteína, ao sair das células, vai também desencadear uma resposta imunitária no organismo, que protege contra o SARS-COV-2.

Todas as vacinas requerem a toma de duas doses para atingir uma boa imunidade, exceto a da Janssen, que é a primeira cuja inoculação depende apenas de uma dose. A toma das vacinas da Pfizer e Moderna têm um intervalo de duas ou três semanas e as da AstraZeneca de um a três meses.

Uma pessoa vacinada só se deve considerar protegida cerca de uma a duas semanas após a vacinação completa. Este é o período que dá garantia de uma resposta robusta por parte do sistema imunitário. 

Segurança e eficácia

Todas as vacinas contra a COVID-19 foram testadas em ensaios clínicos e avaliadas pela EMA, com o objetivo de garantir a sua segurança. Antes de serem aprovadas, dezenas de milhares de voluntários foram vacinados e acompanhados após a toma da segunda dose durante mais de oito semanas.

Tem sido observado o início da diminuição da imunidade das vacinas após alguns meses da administração completa das vacinas, principalmente nas pessoas acima dos 65 anos. Por isso, a EMA recomendou um reforço da dose para as vacinas da Pfizer e da Moderna e está a avaliar essa necessidade para as vacinas da AstraZeneca e da Janssen. Em Portugal, esse reforço já está em marcha.

É difícil ter dados definitivos sobre a eficácia das quatro vacinas. Por um lado, a imunidade obtida pela vacinação vai decaindo ao longo do tempo, principalmente nas pessoas acima dos 65 anos. Por outro, desde o início da pandemia foram surgindo outras variantes do vírus que podem responder de forma diferente à vacina. No entanto, independentemente da variante do vírus, é consensual que as quatro vacinas são muito eficazes em evitar os piores cenários da doença: a hospitalização e a morte.  

Efeitos adversos

A maioria das reações adversas das vacinas é ligeira, de curta duração e não acontece em todas as pessoas. De um modo geral, é possível que ocorram situações como dor no local de injeção, fadiga, dor de cabeça, dores musculares, dores nas articulações, pirexia (febre), calafrios, edemas, artralgia (dores nas articulações) e mal-estar.

No entanto, as vacinas da AstraZeneca e da Janssen têm suscitado alguns receios em relação aos efeitos adversos graves, nomeadamente pela observação de eventos tromboembólicos. 

Vários países da União Europeia suspenderam a utilização da vacina AstraZeneca, incluindo Portugal, que optou depois, por recomendação da Direção-Geral da Saúde, retomar a sua utilização.

Tendo reconhecido a relação entre a ocorrência de eventos tromboembólicos e a toma desta vacina, a Organização Mundial de Saúde e a EMA indicam que a utilização da vacina AstraZeneca traz mais benefícios do que riscos para a saúde, estimando-se que o risco de formação de coágulos sanguíneos após a sua administração seja de uma em cada 100 mil pessoas.

A importância de ser vacinado

A vacina contra a COVID-19 ajuda a reduzir a transmissão deste vírus e é muito eficaz em evitar as situações mais graves, associadas à hospitalização e à morte. Apesar de a vacina ser voluntária, as autoridades de saúde recomendam fortemente a vacinação como forma de controlar a pandemia, evitar o contágio, os piores cenários da doença e, dessa forma, minimizar a probabilidade de haver um novo colapso do sistema de saúde devido ao excesso de hospitalizações, como ocorreu em fevereiro de 2021.
 

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Revisão Científica

Dr. Rui Castro

Hospital Lusíadas Braga

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