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Vacina contra a SIDA a caminho

O Dia Mundial da Vacina Contra a SIDA assinala-se a 18 de Maio. Apesar de ainda não existir, esta vacina está no horizonte e os estudos e ensaios científicos dão a cada dia novos passos para a sua descoberta. Por agora a palavra de ordem é só uma: prevenção.

Este é mais um dia de consciencialização para a doença, para a necessidade de prevenção e para a importância do diagnóstico precoce.

Inês Vaz Pinto, Coordenadora da Unidade Funcional VIH/SIDA do Hospital de Cascais, salientou que “a luta” para a descoberta da vacina contra a SIDA é muito difícil, mas que está a acontecer. “As pessoas têm a perceção de que há avanços, mas temos de ter consciência de que são apenas pequenos passos. Este vírus é muito complexo”, salienta a médica, exaltando o trabalho de todos os investigadores, cientistas, patrocinadores ou voluntários que diariamente, e por todo o mundo, estão envolvidos na busca da vacina contra a SIDA.

“Este dia serve também para reconhecer todas essas pessoas, que com empenho estão no caminho para encontrar uma vacina que poderá vir a ser tão importante para evitar a infeção”, sustenta a responsável.

Luta contra a SIDA começa na prevenção

Apesar da urgência da vacina contra a SIDA, para a Coordenadora da Consulta de Infeção VIH este dia é, a par do Dia Mundial da Luta contra a SIDA, que se comemora a 1 de dezembro, uma oportunidade importante para se falar sobre a prevenção da doença.

“É fundamental uma vacina, mas não nos podemos esquecer que há muitas outras frentes na luta contra a SIDA, nomeadamente a prevenção. No fundo, esta é uma doença prevenível, mas é preciso que as pessoas coloquem realmente em prática as medidas preventivas”, destaca, reiterando que a população em geral tem uma baixa perceção do seu próprio risco. “Não acontece só aos outros”, vinca, para lembrar que o uso do preservativo nas relações sexuais não pode ser descurado.

Números da SIDA em Portugal

Apesar de os números nacionais estarem a diminuir – 1220 casos em 2014, face a 1476 casos em 2013 (dados da Direção-Geral da Saúde, no Relatório “Portugal, Infeção por VIH, Sida e Tuberculose em números - 2015”), no Hospital de Cascais surgem, em média, 50 novos casos por ano. Ainda assim, Inês Vaz Pinto destaca que o número de novos casos na população toxicodependente desapareceu.

“No ano passado não tivemos nenhum caso e isso deve-se ao facto de as políticas do país no combate à toxicodependência terem sido um sucesso e reconhecidas a nível mundial, como a redução de risco de infeção através do programa de troca de seringas e os programas de substituição com metadona”, sustenta.

A infeção VIH/SIDA é atualmente uma doença de transmissão sexual, com crescimento do número de novos casos no grupo de homens que fazem sexo com homens (HSH). A nível nacional registaram-se, 1476 novos casos em 2014, sendo a maioria do sexo masculino (1042) e 434 do sexo feminino.

Terapêutica antiretrovírica combinada

 Inês Vaz Pinto coordena uma equipa que acompanha cerca de 1100 doentes infetados e que estão medicados com a terapêutica antiretrovírica combinada. A terapêutica antiretrovírica atualmente disponível é altamente eficaz, conseguindo-se o controlo da infeção na grande maioria dos doentes.

A terapêutica é de dispensa exclusivamente hospitalar, existindo hoje em dia combinações de fármacos em regimes de comprimido único, o que significa que o doente pode fazer a terapêutica combinada com apenas um comprimido por dia.

Um doente controlado não transmite a infeção

Apesar de o paradigma da doença estar a mudar, nomeadamente devido às terapêuticas utilizadas, Inês Vaz Pinto destaca que a grande tónica atual nesta área prende-se com o diagnóstico precoce, de modo a conseguir-se quebrar a cadeia de transmissão do vírus.

Em novembro de 2015, o Hospital de Cascais associou-se, pela primeira vez, à Semana Europeia do Teste VIH, sendo o único hospital do país a participar neste projeto de sensibilização para a importância do teste VIH. “Tratamento é sinónimo de prevenção, na medida em que se, em teoria, tivéssemos todas as pessoas que estão infetadas diagnosticadas, em tratamento e controladas, conseguiríamos interromper a cadeia de transmissão da infeção”, salienta a médica, reconhecendo que estas iniciativas são primordiais para sensibilizar as pessoas sobre a importância dos rastreios.

Publicado em 2016

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