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​Através dum pequeno orifício na pele, com cerca de 5 mm de diâmetro, esta cirurgia permite aos doentes o alívio rápido da dor, a mobilização precoce e o regresso às atividades diárias em menos de 6 horas. Trata-se de um procedimento minimamente invasivo que consiste na implantação percutânea de uma cânula no corpo da vértebra invadida pelo tumor, por via transpedicular e guiada por fluoroscopia.

A inovação baseia-se num moderno equipamento de ablação cirúrgica por radiofrequência, com um avançado sistema de hidro-refrigeração acoplado, que garante máxima eficácia, segurança e precisão no tratamento. Este procedimento promete ser um dos grandes avanços e uma importante arma terapêutica no tratamento dos tumores da coluna vertebral nos próximos anos.

Os tumores que mais frequentemente afetam a coluna vertebral são as metástases ósseas resultantes da disseminação proveniente de neoplasias localizadas noutras partes do corpo como o pulmão, mama, próstata, rim ou aparelho digestivo. Estima-se que em Portugal a incidência de novos casos ronde os 25.000 por ano, com tendência a aumentar.

As metástases vertebrais originam dor intensa e de agravamento progressivo que, caracteristicamente, não melhora com o repouso (podendo ser pior à noite ou ao acordar), sendo muitas vezes acompanhadas de outros sintomas, tais como perda de apetite, perda de peso não planeada, náuseas, vómitos ou falta de força. Estes sintomas reduzem drasticamente a qualidade de vida dos doentes, culminando em marcada impotência funcional nas tarefas diárias e dependência de terceiros.

"Se tivermos em conta que 60% a 80% dos doentes oncológicos têm metástases ósseas e que mais de 80% das mesmas são encontradas no esqueleto axial que inclui a coluna vertebral, facilmente compreendemos a magnitude desta doença e o elevado número de pessoas potencialmente afetadas e incapacitadas por esta patologia", sublinha Vítor Moura Gonçalves, neurocirurgião do Hospital Lusíadas Lisboa e o primeiro cirurgião a realizar esta inovadora técnica cirúrgica em Portugal.

Esta nova técnica cirúrgica constitui uma importante arma terapêutica em alternativa aos tratamentos convencionais que incluem cirurgias mais agressivas e com prolongados tempos de recuperação, ou esquemas de paliação da dor muitas vezes ineficazes e com efeitos colaterais nefastos. Os doentes poderão beneficiar agora, das múltiplas vantagens que esta técnica oferece:

  • A erradicação da dor;

  • Colheita de tecido neoplásico para análise histológica, que permitirá realizar terapêuticas adjuvantes dirigidas a cada tipo de específico de tumor;

  • Destruição das células cancerígenas pelo calor da radiofrequência, impedindo a sua progressão e disseminação;

  • Mobilização precoce logo após a cirurgia, evitando longos períodos de repouso no leito e os riscos associados;

  • Acessibilidade imediata às terapêuticas adjuvantes pós-operatórias (radioterapia/ quimioterapia/ hormonoterapia) não carecendo de um intervalo de tempo para recuperação ou cicatrização dos tecidos;

  • Estabilização da coluna vertebral;

  • Prevenção de deformidades cifo-escolióticas muitas vezes associadas ao enfraquecimento das vértebras pelo tumor.

"Tudo isto através de um orifício mínimo na pele, sem efeitos secundários, com uma baixíssima taxa de complicações e com recuperação em menos de um dia, não implicando qualquer limitação nas atividades diárias", realça Vítor Moura Gonçalves, destacando o poder desta técnica minimamente invasiva.

Segundo o neurocirurgião, este procedimento tem vindo a ser aperfeiçoado e usado nos principais centros europeus e americanos de patologia da coluna, prometendo ser um dos grandes avanços na área cirúrgica dos tumores vertebrais.