Sinais Invisíveis
Uma instalação artística para dar visibilidade a sinais de alerta que não devemos ignorar.
No dia 10 de outubro, assinala-se o Dia Mundial da Saúde Mental, uma data que, em 2026, tem como tema “Lived Experiences Heard: Real Voices, Real Change” — dando voz às experiências reais de quem vive com problemas de saúde mental e reforçando a importância de escutar para transformar.
É neste contexto que a Lusíadas Saúde apresenta “Sinais Invisíveis”, uma instalação artística que cruza saúde mental, arte e quotidiano para chamar a atenção para aquilo que pode passar despercebido.
A instalação parte de uma ideia simples: há sinais de sofrimento psicológico que não são imediatamente visíveis, mas que podem estar presentes nos gestos, nos hábitos e nos objetos do nosso dia a dia.
Cinco artistas, cinco linguagens
A instalação reúne cinco artistas portugueses com percursos distintos na arte urbana, ilustração, design e artes visuais:

Artista contemporânea portuguesa, ilustradora e designer de padrões. Formada em Design Gráfico e Têxtil (IADE e Chelsea College of Art), desenvolveu uma linguagem artística única, marcada pela cor, pintura, fotografia e música, que abrange várias disciplinas de design.

Artista contemporâneo português com formação na área audiovisual. Divide-se entre o graffiti, a direção criativa e a curadoria, numa fusão entre a energia crua do grafitti e a precisão das belas-artes, que já deixou marca em mais de 60 cidades em todo o mundo.

(curador) Edis One (pseudónimo/ tag surgida em 2007) é um artista contemporâneo português. Designer de formação (University Applied Arts of Vienna, 2012) identifica-se com vários ramos artísticos, do graffiti ao design industrial, pintura e fotografia.

Ojê (Tomás Pires) é um artista contemporâneo português, que tem o desenho e a pintura como meio de expressão pessoal e social. Designer de Ambientes (ESAD.CR), começou por usar as paredes urbanas como telas para a sua criatividade. Os seus murais têm conquistado reconhecimento em diversos pontos geográficos.

Artista contemporâneo português, com formação em Arquitetura e Ilustração. A pintura de mural surgiu cedo, como afirmação, tendo descoberto depois as telas de grandes dimensões. Participou em várias iniciativas de arte urbana, projetos de promoção cultural e em galerias digitais.
Cinco objetos. Cinco vozes. Cinco interpretações.
Cinco objetos do quotidiano foram retirados do seu contexto habitual e entregues a cinco artistas portugueses, convidados a reinterpretá-los através da sua linguagem artística.
Cada objeto representa um sinal de mal-estar psicológico, um possível sintoma de problemas de saúde mental - uma experiência ou pensamento a que não se dá a devida importância ou que fica por dizer - e uma tradução clínica que ajuda a compreender porque esse sinal não deve ser ignorado.
A intervenção artística transforma assim objetos quotidianos em pontos de reflexão: aquilo que nos é tão familiar e em que não nos detemos, convida-nos agora a parar, observar e pensar.
Porque, por vezes, o que parece apenas um comportamento, um hábito ou uma mudança no quotidiano pode ser um sinal de que alguém não está bem.
Sofia Alves
Para mim uma almofada é descanso, é parar e desligar. Das coisas mais importantes para a minha saúde mental é isso mesmo, dormir, recomeçar, mas acima de tudo desligar da rotina. É a isso que a minha intervenção se dispõe: a traduzir o descanso como um lugar tranquilo, calmo e seguro. E necessário, onde há espaço para coisas melhores do que aquelas a que a nossa rotina, muita vezes, obriga.
Pariz One
Whispers Beyond Noise — Looking for Love and Attention
Nesta obra, o telemóvel surge como uma janela para a procura constante de ligação, validação e atenção, que paradoxalmente nos pode afastar de nós próprios e de quem está à nossa volta. Inspirada no universo Listen to Your Soul, a intervenção convida-nos a atravessar o ruído exterior e a reconhecer os sinais que tantas vezes se escondem por detrás de um simples scroll.
Edis One
Transformei o portátil num retrato do desgaste de quem está sempre ligado, mas já não tem energia para responder. As janelas de email e as notificações acumulam-se sobre o rosto, como tarefas que continuam a chegar quando já não há espaço para mais. As mãos na cabeça dão forma a essa sobrecarga, tantas vezes invisível para quem está do outro lado do ecrã. No teclado, a palavra ‘AJUDA’ traduz aquilo que nem sempre conseguimos dizer.
Ojê (Tomás Pires)
Nesta intervenção procurei retratar dois momentos, relacionados com a saúde mental e o consumo de bebidas alcoólicas. Esses dois momentos representam o estado mental de quem consuma bebidas alcoólicas, num transparecendo euforia e agregação e no outro solidão e apatia.
Observ
Toda a gente olha para a superfície e vê-se a si própria, ninguém vê o que está realmente lá dentro.
Da arte para a conversa
"Sinais Invisíveis" não oferece diagnósticos, nem medicaliza a arte. Pretende, antes, gerar atenção, reflexão e conversa em torno da Saúde Mental.
A instalação procura criar um momento de pausa num espaço onde normalmente estamos de passagem e lançar uma pergunta simples: E se aquilo que estamos a ver se passar connosco e for um sinal que não devemos ignorar?
A iniciativa integra a campanha de sensibilização para a saúde mental do Hospital Lusíadas Alfragide, “Há sinais que não devemos ignorar”, reforçando a mensagem de que reconhecer sinais, escutar e falar sobre Saúde Mental pode ser um primeiro passo para procurar ajuda.
Do Hospital Lusíadas Alfragide para outras unidades
A instalação terá como ponto de partida o Hospital Lusíadas Alfragide, unidade com uma área de atividade particularmente relevante na Saúde Mental.
A partir daí, as cinco peças seguirão um percurso itinerante por diferentes unidades Lusíadas, ocupando zonas de entrada e circulação e levando esta conversa para além do espaço hospitalar.
A itinerância pretende transformar a instalação numa plataforma de sensibilização transversal ao Grupo, permitindo que diferentes profissionais, doentes, familiares e visitantes encontrem estes objetos e sejam convidados a olhar para eles de uma forma diferente.
Quando a arte ajuda a tornar os sinais visíveis
Com “Sinais Invisíveis”, o Hospital Lusíadas Alfragide pretende assinalar o Dia Mundial da Saúde Mental de uma forma diferente: usando a arte como ponto de partida para uma conversa que precisa de acontecer.