Insónia: quando dormir deixa de ser natural

Dormir bem é essencial para a saúde física, mental e emocional. O seu papel é essencial na restauração e conservação de energia, bem como nos processos de crescimento, aprendizagem, consolidação de memórias e criação de novas células cerebrais.

O sono ocupa cerca de um terço da vida adulta e influencia de forma direta o bem-estar físico, mental e emocional. Quando este processo natural se altera de forma persistente, pode surgir a insónia, com impacto significativo no funcionamento diário.

O que acontece durante o sono?

O sono é um estado neurocomportamental recorrente e reversível, organizado em fases REM e NREM, que se alternam ao longo da noite.

O sono encontra-se dividido em ciclos — estes são períodos que rondam os 90 minutos e nos quais há alternância entre estes estados, repetindo-se perto de cinco vezes por noite.
A fase REM é frequentemente associada ao ato de sonhar e caracteriza-se pela ausência de tónus muscular, ainda que o fenómeno do sonho não se limite exclusivamente a esta fase.

O sono tem várias perturbações conhecidas, cuja abordagem envolve frequentemente diferentes especialidades médicas, como a Psiquiatria, a Neurologia e a Pneumologia.

Entre estas perturbações incluem-se, por exemplo, a insónia, as perturbações respiratórias relacionadas com o sono — como a apneia do sono —, as hipersónias, as perturbações do ritmo circadiano, as parassónias e as perturbações do movimento relacionadas com o sono.

No contexto da Psiquiatria, a insónia é a perturbação do sono mais frequentemente acompanhada.

O que é a insónia?

A insónia é caracterizada por dificuldades em manter o sono em qualquer das suas fases, podendo ser inicial, intermédia ou terminal, consoante se manifeste na dificuldade em adormecer, na manutenção do sono ou em despertares precoces.

Estas dificuldades associam-se a uma insatisfação relativamente à qualidade ou quantidade do mesmo e ocorrem apesar de existirem condições adequadas para dormir.

Podem ainda associar-se sintomas como:

  • Cansaço ao longo do dia
  • Dificuldades de atenção, concentração ou memória
  • Irritabilidade ou sonolência diurna

É importante distinguir a insónia de outras situações que não configuram doença, como a privação de sono por causas externas ou o padrão de sono “short sleeper”.

Insónia aguda e crónica 

A insónia é classificada como sendo aguda ou crónica, dependendo para isso de uma evolução inferior ou superior a três meses.

Na maior parte dos casos, estes estados de insónia são transitórios e resolvem por si antes de evoluir para uma insónia crónica. Para minimizar esse risco, na avaliação clínica devemos estar atentos a três fatores: os predisponentes, os precipitantes e os perpetuadores, que influenciam o desenvolvimento e a manutenção da insónia ao longo do tempo.

Estima-se que os sintomas de insónia estejam presentes em 30-35% da população. A insónia é mais comum em mulheres, idades avançadas, pessoas divorciadas ou com nível socioeconómico mais baixo.

Além disso, cerca de 50% das pessoas que sofrem de insónia têm outra doença psiquiátrica associada, sobretudo perturbações do humor ou da ansiedade.

Como é feita a abordagem clínica da insónia

O tratamento da insónia deve inicialmente ser feito através de Terapia Cognitivo-Comportamental para a insónia, centrada na educação sobre o sono, reorganização de hábitos e modificação de padrões cognitivos que interferem com o descanso.

E apenas numa segunda linha com recurso a medicação, sempre após avaliação médica. Podem ser utilizados diferentes agentes farmacológicos, consoante a duração e a situação clínica.

O que pode fazer para prevenir a insónia

A prevenção da insónia passa pela adoção de hábitos que promovem uma boa higiene do sono, nomeadamente:

  • Alimentar-nos de forma equilibrada e, ao jantar, em pouca quantidade;
  • Reduzir o consumo de bebidas alcoólicas;
  • Limitar o consumo de substâncias excitatórias como a cafeína no período da manhã;
  • Fazer exercício físico de forma regular (evitar fazê-lo antes de ir deitar);
  • Limitar o quarto a duas atividades: para dormir e para a intimidade.

Para além destas medidas, a criação de rotinas de relaxamento e a limitação do uso de ecrãs antes de deitar contribuem para um sono mais saudável.

Importa que se esteja consciente da importância do sono, do impacto que tem em todas as áreas da nossa vida e de que, como com qualquer outra perturbação psiquiátrica, requer tratamento profissional.

 

No Hospital Lusíadas Alfragide, a insónia é avaliada e acompanhada de forma clínica e integrada, com acompanhamento especializado em Psiquiatria do Sono, garantindo uma abordagem ajustada às necessidades de cada pessoa.

Perguntas Frequentes

A insónia tem sempre de ser tratada com medicação?

Não. A Terapia Cognitivo-Comportamental para a Insónia é a abordagem de primeira linha e apresenta elevada eficácia.

Dormir poucas horas significa ter insónia?

Não necessariamente. Algumas pessoas necessitam de menos horas de sono sem impacto funcional.

A insónia pode estar associada a ansiedade ou depressão?

Sim. Cerca de metade das pessoas com insónia apresenta outra perturbação psiquiátrica associada.

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