Perturbação Bipolar: compreender para tratar

A Perturbação Bipolar é uma das doenças psiquiátricas mais frequentemente alvo de uso incorreto e estigmatizante no discurso quotidiano. Expressões como “ser bipolar” são, muitas vezes, usadas para descrever oscilações emocionais comuns, o que contribui para uma perceção errada da doença e dificulta o seu reconhecimento e tratamento adequados.

Na realidade, a Perturbação Bipolar é uma doença psiquiátrica bem definida, que afeta o humor, a energia, o pensamento e o comportamento, caracterizando-se pela alternância de episódios distintos do humor, com impacto significativo na vida pessoal, social e profissional.

De forma simplificada, a doença manifesta-se através de:

  • Episódios depressivos;
  • Episódios maníacos ou hipomaníacos;
  • Em alguns casos, estados mistos.

Como se manifesta a Perturbação Bipolar

Durante um episódio depressivo, a pessoa pode apresentar:

  • Humor persistentemente deprimido;
  • Perda de interesse ou prazer em atividades habitualmente gratificantes;
  • Diminuição da energia e da motivação;
  • Diminuição da velocidade do raciocínio;
  • Sentimentos de desalento.

 

Nos episódios maníacos ou hipomaníacos, surgem alterações de sinal oposto, como:

  • Humor anormalmente elevado ou irritável;
  • Aumento da autoestima ou sentimentos de grandiosidade;
  • Diminuição da necessidade de dormir;
  • Discurso acelerado;
  • Aumento da distração;
  • Envolvimento excessivo em atividades potencialmente prejudiciais.

 

A Perturbação Bipolar pode assumir diferentes formas clínicas. Uma das classificações mais utilizadas distingue:

  • Perturbação Bipolar tipo I, marcada pela presença de episódios maníacos, alternados com episódios depressivos;
  • Perturbação Bipolar tipo II, em que predominam episódios depressivos, intercalados com episódios de hipomania.

 

Em média, um episódio maníaco pode durar cerca de três meses, enquanto um episódio depressivo tende a ser mais prolongado. Nos casos mais graves, podem surgir sintomas psicóticos, como perda de contacto com a realidade, ideias de ruína ou ideias de grandiosidade.

Frequência e início da doença

Estima-se que mais de 1% da população mundial sofra de Perturbação Bipolar, sendo que cerca de 2,5% pode enquadrar-se num espectro bipolar alargado. A doença é transversal a etnias, nacionalidades e contextos socioeconómicos. A idade média de início situa-se em torno dos 20 anos e quanto mais precoce o aparecimento, mais reservado tende a ser o prognóstico.

Um dos grandes desafios é o atraso no diagnóstico, que pode atingir vários anos, uma vez que em cerca de metade dos casos o primeiro episódio é depressivo, sendo necessário o surgimento de um episódio maníaco ou hipomaníaco para confirmação do diagnóstico.

Fatores de risco e sinais de alerta

Um aspeto particularmente relevante é o risco de suicídio.

A grande maioria dos casos de suicídio está associada a doenças psiquiátricas e estas doenças podem ser curadas, no caso da depressão, ou controladas com recurso a medicação, como no caso da doença bipolar.

O risco é mais elevado:

  • Em pessoas não tratadas
  • Em homens
  • Em indivíduos com história familiar de suicídio

     

Este dado reforça a importância do diagnóstico precoce, do tratamento adequado e do acompanhamento regular.

Tratamento e acompanhamento clínico

A Perturbação Bipolar tem tratamento eficaz, embora não tenha cura definitiva. Tal como outras doenças crónicas, como a diabetes ou a hipertensão, exige um acompanhamento regular e continuado.

O tratamento assenta, de forma geral, em:

  • Estabilizadores do humor, como base terapêutica;
  • Antipsicóticos, em determinadas fases ou apresentações clínicas;
  • Em situações muito específicas, associação criteriosa de outros fármacos, sempre sob avaliação médica especializada.

 

O tratamento requer, na maior parte dos casos, intervenção farmacológica como primeira linha, podendo ser complementado com psicoterapia e medidas de estilo de vida.

A adesão ao tratamento é determinante. O abandono terapêutico aumenta o risco de recaídas e pode agravar a evolução da doença.

A informação, o acompanhamento especializado e o envolvimento da família são elementos centrais para uma gestão eficaz da Perturbação Bipolar e para a redução do estigma associado à doença.

No Hospital Lusíadas Alfragide, a Perturbação Bipolar é acompanhada de forma clínica, estruturada e individualizada, com foco na estabilidade do humor, na prevenção de recaídas e na melhoria da qualidade de vida.

Perguntas Frequentes

A Perturbação Bipolar é o mesmo que mudanças de humor frequentes?

Não. Trata-se de uma doença psiquiátrica específica, com critérios clínicos bem definidos.

A Perturbação Bipolar tem cura?

Não, mas tem tratamento eficaz que permite uma vida equilibrada e funcional.

O tratamento tem de ser contínuo?

Sim. A continuidade do tratamento é fundamental para prevenir recaídas e reduzir o impacto da doença.

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