Unidade de Depressão Resistente
Uma abordagem especializada para situações de depressão resistente ao tratamento.
A depressão resistente ao tratamento é uma condição clínica complexa que ocorre quando os sintomas depressivos persistem apesar de terapêutica antidepressiva nas doses e durante o tempo adequados.
No Hospital Lusíadas Alfragide, a Unidade de Depressão Resistente (UDR) oferece uma abordagem integrada, combinando avaliação psiquiátrica especializada com acesso a terapêuticas avançadas realizadas em ambiente hospitalar.
Esta unidade permite disponibilizar diferentes opções terapêuticas para doentes que não obtiveram resposta satisfatória aos tratamentos antidepressivos habituais.
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Dr. Henrique Prata Ribeiro
Coordenador de Psiquiatria: Hospital Lusíadas Alfragide
Unidades
O que é Depressão Resistente ao Tratamento?
A Perturbação Depressiva Major é uma das doenças mentais mais frequentes. Em Portugal, o Estudo Epidemiológico Nacional de Saúde Mental estimou uma prevalência ao longo da vida de cerca de 16,7% da população¹.
De acordo com a Agência Europeia do Medicamento (EMA), considera-se depressão resistente ao tratamento um episódio depressivo que não atinge remissão após duas tentativas adequadas de tratamento antidepressivo, realizadas com dose, duração e adesão apropriadas.
Estudos internacionais estimam que entre 20% e 30% dos doentes com Perturbação Depressiva Major possam desenvolver formas resistentes ao tratamento².
Nestes casos, pode ser necessária avaliação em unidades especializadas, com acesso a terapêuticas diferenciadas e personalizadas.
Avaliação na Unidade de Depressão Resistente
Os doentes são avaliados em consulta de Psiquiatria, onde é realizada uma avaliação clínica abrangente que inclui:
- Revisão diagnóstica psiquiátrica
- Análise de tratamentos realizados anteriormente
- Avaliação de comorbilidade psiquiátrica e médica
- Aplicação de escalas clínicas de avaliação da depressão
Sempre que necessário podem ser solicitados exames complementares, nomeadamente análises laboratoriais ou exames de imagem.
Esta avaliação permite confirmar o diagnóstico, excluir fatores que possam comprometer a resposta ao tratamento e definir o plano terapêutico mais adequado.
Opções de Tratamento Disponíveis
A Unidade de Depressão Resistente disponibiliza várias terapêuticas utilizadas internacionalmente no tratamento de depressões resistentes.
Terapêutica com Escetamina
A escetamina é um medicamento aprovado para o tratamento da depressão resistente. É administrada por via intranasal em ambiente hospitalar e sob supervisão médica, integrando um plano terapêutico estruturado. O tratamento inclui uma fase inicial com sessões mais frequentes, seguida de fase de manutenção ajustada à resposta clínica.
Electroconvulsivoterapia (ECT)
A electroconvulsivoterapia é um tratamento médico eficaz utilizado em depressões graves ou resistentes. É realizada sob anestesia geral e em ambiente hospitalar controlado. Pode estar indicada em situações como depressão grave resistente, risco suicidário elevado ou antecedentes de boa resposta ao tratamento.
Estimulação Magnética Transcraniana (TMS)
A estimulação magnética transcraniana é uma técnica não invasiva que utiliza campos magnéticos para estimular áreas específicas do cérebro envolvidas na regulação do humor. É realizada em regime ambulatório e não requer anestesia.
Terapêutica com Cetamina
A cetamina tem demonstrado eficácia no tratamento da depressão resistente em contexto clínico especializado. A sua administração é realizada em ambiente hospitalar e sob monitorização médica. A sua utilização é reservada a casos selecionados, após avaliação médica especializada, sendo administrada em ambiente hospitalar e sob monitorização clínica.
Contexto de Tratamento
Dependendo da situação clínica, o tratamento pode ser realizado em:
Regime ambulatório
Sessões programadas com acompanhamento médico regular.
Internamento
Em situações selecionadas, pode ser estruturado um programa de tratamento intensivo que permita combinar diferentes intervenções terapêuticas.
A Unidade de Depressão Resistente dispõe de um espaço de internamento pensado para garantir conforto, privacidade e acompanhamento clínico próximo.
O ambiente foi concebido para proporcionar tranquilidade, segurança e bem-estar durante todo o processo terapêutico, promovendo uma experiência mais humanizada para doentes e famílias.
Disponibilizamos horário de visita alargado e possibilidade de permanência de familiares em situações específicas.
Caso pretenda, poderá solicitar uma visita prévia à unidade para conhecer o espaço e esclarecer dúvidas com a equipa.
Continuidade de Cuidados
Após o tratamento inicial, os doentes mantêm acompanhamento clínico regular.
O programa pode incluir consultas de seguimento, ajuste terapêutico e intervenções psicoterapêuticas, garantindo continuidade de cuidados e promovendo a manutenção dos ganhos terapêuticos alcançados.
Referências
¹ Almeida JMC, Xavier M, Cardoso G, et al. Estudo Epidemiológico Nacional de Saúde Mental. Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, 2013.
² Rush AJ, Trivedi MH, Wisniewski SR, et al. Acute and longer-term outcomes in depressed outpatients requiring one or several treatment steps: a STAR*D report. American Journal of Psychiatry. 2006.
Referenciação Médica
Médicos assistentes podem encaminhar doentes com suspeita de depressão resistente para avaliação especializada na Unidade.
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