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Aneurisma cerebral: o que é e como tratar

O aneurisma cerebral é uma saliência numa artéria do cérebro, que em casos críticos pode sofrer uma rutura, como explica o neurocirurgião Óscar L. Alves, do Hospital Lusíadas Porto.

O que é um aneurisma?

Chama-se aneurisma à dilatação da parede de uma artéria, que forma uma espécie de balão mais frágil que não consegue resistir à pressão arterial elevada o que pode tornar-se uma situação muito grave. As artérias saudáveis têm paredes musculares que resistem à força exercida pelo sangue a circular. É quando perdem resistência num ponto, e cedem, que se forma o aneurisma. Quando sucede numa artéria do cérebro, chama-se aneurisma cerebral. Estima-se que afete 2% a 3% da população mundial.

Sintomas

A maior parte dos aneurismas não dão sinais e podem nunca ser detetados. Por vezes são detetados acidentalmente, quando se faz uma TAC ou uma ressonância magnética por outro motivo. Quando o aneurisma gigante (maior que 2,5 cm) com efeito de massa comprime uma zona cerebral relevante pode haver alguns sintomas, como dor de cabeça, visão turva ou alguma dormência facial. Uma dor de cabeça súbita e intensa, normalmente descrita como a pior dor de cabeça de sempre, deve ser investigada de imediato — pode indicar rutura de um aneurisma. Acontece anualmente em 10 por 100 000 pessoas. A rutura de aneurisma representa 5% dos acidentes vasculares cerebrais.

Causas

O aneurisma é provocado pelo enfraquecimento das paredes das artérias, não se podendo falar de causas específicas, mas de um conjunto de fatores que podem contribuir para o seu aparecimento.

Fatores de risco

  • Hipertensão

A maior parte dos aneurismas rompem quando a tensão arterial sistémica, a dita máxima, é superior a 16. Significa que a força exercida pelo sangue na parede das artérias é muito forte, daí haver um maior risco de rutura. Quem tem aneurismas por tratar deve manter um controlo muito apertado da tensão arterial.

  • Outras doenças

Diabetes, aneurisma da artéria renal, doença do tecido conjuntivo, arteriosclerose, entre outro tipo de patologias, são fatores de vulnerabilidade a ter em conta.

  • História familiar

Quando há dois familiares em linha direta (pais ou filhos) com aneurisma, recomenda-se que a pessoa seja examinada. Quinze por cento dos doentes têm aneurismas múltiplos.

  • Droga, tabaco e álcool

O tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e certas drogas, especialmente a cocaína, podem potenciar os aneurismas.

Tratamento

Tipicamente, não se intervém nos aneurismas muito pequenos e intervém-se nos aneurismas com mais de 5 milímetros. A velocidade do seu crescimento e o facto de estarem localizados em zonas de maior ou menor risco de sangramento também condiciona a decisão de intervir. Em doentes com fatores de risco recomenda-se a deteção ativa de aneurismas e o seu tratamento, pois, na eventualidade de uma rutura, com extravasamento de sangue para o cérebro, apenas 15% dos doentes recuperam de forma a voltar a ter uma vida normal. O tratamento consiste em fechar o aneurisma, impedindo que o sangue o preencha.

  • Cirurgia

Os cirurgiões acedem por fora à parede da artéria e põem um clip que fecha o aneurisma.

  • Embolização ou tratamento endovascular

Coloca-se um cateter pela artéria que, ao chegar ao local do aneurisma, liberta uma substância que o vai fechar.

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Especialidades em foco neste artigo

Colaboração

Dr. Óscar Alves

Coordenador da Unidade de Neurocirurgia

Neurocirurgia
Hospital Lusíadas Porto, Clínica Lusíadas Gaia
PT