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Escleroterapia: o tratamento das telangiectasias e veias reticulares

A escleroterapia pode ser realizada através do uso de agulhas ou de um laser. Com a ajuda de um especialista, explicamos-lhe como funciona este tratamento de veias de pequeno calibre.

Para que serve

A escleroterapia é um tipo de tratamento que envolve várias técnicas, com o objetivo de tratar veias de pequeno calibre. Estes vasos designam-se por telangiectasias ou veias reticulares, dependendo do seu tamanho, mas são vulgarmente conhecidos por derrames. 

O que são varizes e derrames

As varizes são veias dilatadas e tortuosas localizadas debaixo da pele e distinguem-se dos derrames que são vasos de pequeno calibre.

Os derrames, para além de representarem um problema estético importante, são em muitos casos o primeiro sinal de um quadro de insuficiência venosa. São mais comuns nas mulheres do que nos homens, cuja incidência começa entre os 20 e os 30 anos e aumenta progressivamente nas décadas seguintes. 

Estas alterações, em particular as varizes, encontram-se associadas ao envelhecimento do sistema venoso, mas a genética, a gravidez e o hábito de passar muitas horas de pé ou sentado são fatores de risco para o seu desenvolvimento.

“A contração dos músculos da perna promove o regresso do sangue venoso ao coração. Desta forma, quando se está muito tempo de pé ou sentado, os músculos estão relaxados causando a acumulação de sangue nas pernas e o aparecimento de um ‘inchaço’ nas mesmas”, explica Roger Rodrigues, cirurgião vascular do Hospital Lusíadas Braga, segundo o qual “os derrames são muitas vezes o primeiro sinal de que as veias não estão a funcionar da forma mais correta.” Isto é, os derrames podem indicar doença venosa crónica, associando-se a sintomas como pernas cansadas e pesadas. 

Diferentes tipos de escleroterapia

Existem dois tipos de escleroterapia, que podem ser usados no tratamento das varizes de forma complementar:

  • Escleroterapia convencional

Através do uso de agulhas, é injetado um líquido com o objetivo de eliminar as veias de pequeno calibre. Esta é a técnica mais utilizada e tem excelentes resultados. 

  • Escleroterapia a laser

Mais recente e inovadora, esta técnica conduz ao desaparecimento das veias reticulares através da ação do calor. Permite tratar derrames mais pequenos e tem a vantagem de possibilitar a adesão ao tratamento mesmo da parte de quem não gosta de agulhas. 

O laser permite também resultados mais imediatos, mas em ambas as técnicas é necessário aguardar três a quatro semanas para que se possa observar o resultado final do tratamento.

Em que casos está indicado

O tratamento por escleroterapia está indicado para quem “tenha uma preocupação estética com a presença de derrames, independentemente do seu tamanho e da presença de outros sintomas''. Não há contraindicações, “exceto em caso de alergia às substâncias injetadas, mas neste caso existe a alternativa de usar o laser”, esclarece Roger Rodrigues.

Passo a passo: em que consiste o procedimento

A escleroterapia é realizada no âmbito de uma consulta de Cirurgia Vascular, que começa com uma avaliação clínica global do doente. Segue-se uma avaliação do sistema venoso profundo e superficial, realizada através de um exame físico detalhado e de um eco-doppler (ecografia do sistema venoso). 

Só depois se passa ao tratamento propriamente dito, que pode ser feito na mesma consulta, conforme descreve o cirurgião vascular Roger Rodrigues: “São explicadas as vantagens de ambos os métodos e procura-se começar pelos derrames mais incomodativos. No caso da escleroterapia convencional, são usadas agulhas extremamente finas e indolores para picar o derrame e injetar o líquido. Não é necessária anestesia, mas pode ser usado um spray frio com um certo efeito anestésico. No caso da escleroterapia a laser, é utilizado um aparelho que emite calor e há um jato de ar frio, com efeito anestésico, que arrefece a pele para tornar o tratamento mais confortável.”

O número de sessões de tratamento necessárias varia em função da quantidade de derrames.

Quais as vantagens da escleroterapia

A escleroterapia é um tratamento pouco invasivo;

  • Não implica anestesia e o doente pode retomar a atividade laboral no próprio dia;
  • “O resultado estético final é ótimo, com níveis de satisfação dos doentes próximos de 95% em ambas as técnicas”, reporta Roger Rodrigues. 

Quais os efeitos secundários

Os efeitos secundários da escleroterapia são, segundo Roger Rodrigues, “praticamente inexistentes”. Na técnica convencional, pode haver uma reação inflamatória local autolimitada e de fácil resolução. Em casos muito raros, o tratamento pode deixar uma mancha mais escura na pele (o chamado matting cutâneo). 
No caso da técnica a laser, não ocorre nenhum destes efeitos adversos.

No entanto, seja qual for a técnica utilizada, os níveis de segurança e satisfação só podem ser assegurados se o tratamento for realizado “em clínicas certificadas e por médicos especializados na área”, sublinha o especialista, que alerta: “Preferencialmente, a escleroterapia deve ser realizada por um cirurgião vascular porque, na eventualidade de surgir alguma complicação, também a consegue resolver. Se realizado em salões ou clínicas de estética por pessoal não médico, podem ocorrer complicações graves como feridas, úlceras ou infeções”. 

Cuidados a adotar antes e depois 

Há um conjunto de hábitos saudáveis que devem ser adotados antes do tratamento, já que favorecem um bom prognóstico:

  • Manter um estilo de vida ativo, nomeadamente realizando caminhadas diárias;
     
  • Manter o peso próximo do ideal, já que o excesso de peso favorece o desenvolvimento de varizes;
     
  • Evitar indumentária apertada;
     
  • Adotar uma alimentação equilibrada, rica em fruta e vegetais, de forma a manter o sistema intestinal regulado, evitando a obstipação;
     
  • Usar meias de compressão elástica;
     
  • Evitar usar saltos altos e roupa apertada, bem como passar longos períodos de pé.

Depois do tratamento, será pedido ao doente que use meias de compressão elástica durante um período curto e pode ser indicada a toma de um fármaco analgésico, para evitar a dor. Os hábitos de vida saudável devem ser mantidos, de forma a favorecer uma recuperação rápida.
 

Sabia que...

O Hospital Lusíadas Braga dispõe de um aparelho de laser muito sofisticado e não disponível na maior parte dos locais.

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Cirurgia Vascular

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Colaboração

Dr. Roger Rodrigues

Cirurgia Vascular
Hospital Lusíadas Braga
PT