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O que é a doença de Alzheimer

Colaboração
Saiba como detetar os sintomas e apoiar quem tem doença de Alzheimer, uma patologia neurodegenerativa de causa incerta que se manifesta sobretudo em idades mais avançadas.

A doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa cujos sintomas em geral se manifestam após os 65 anos de idade. Segundo estimativas da Alzheimer Europe, em Portugal existem cerca de 200.000 pessoas com demência, sendo que cerca de 60 a 80% dos casos são de Alzheimer, ou seja, cerca de 2,3% da população portuguesa sofre de demência e prevê-se o aumento da sua prevalência ao longo dos anos. Conheça esta doença e os seus principais sintomas.

O que é

É a forma mais comum de demência, infrequente antes dos 60 anos de idade e cuja prevalência aumenta com a idade. Trata-se de uma doença neurodegenerativa que se carateriza por uma deposição anormal de proteínas a nível cerebral levando a à morte das células neuronais e que tem como consequência a deterioração das funções cognitivas dos doentes. 

Várias funções podem ser afetadas pela doença, contudo as alterações da memória são em geral o sintoma inicial. Outras funções que poderão ser afetadas incluem a atenção e a concentração, a linguagem, a orientação espacial e a apatia. 

A doença de Alzheimer mais comum é a esporádica, não estando relacionada com a prevalência na família, mas um número reduzido de doentes apresenta um tipo de doença de Alzheimer Familiar, que acontece associada a uma mutação genética de um dos pais.

Causas

Não existem causas conhecidas para a doença de Alzheimer esporádica. A investigação não oferece ainda respostas que expliquem o aparecimento da doença, mas a idade (acima de 65 anos) está associada o maior número dos casos de doença de Alzheimer esporádica.

Nos raros casos de Doença de Alzheimer Familiar, a doença de Alzheimer tem origem na existência de um progenitor que apresente uma mutação dos genes identificados como causadores da doença.

Fatores de risco

O principal fator de risco é a idade, embora ter um familiar próximo com doença de Alzheimer aumente a possibilidade de se ter a doença, principalmente se existirem casos de início mais precoce. Existem ainda outros fatores genéticos mais específicos, como mutações em genes, além de fatores de risco cardiovasculares, como a diabetes, a hipertensão arterial, o tabagismo, a dislipidemia e a obesidade. 

Sintomas da doença de Alzheimer

  • Alteração da memória

Geralmente, as famílias começam a notar que os doentes têm dificuldade em recordar eventos ou informação recentes. A memória para acontecimentos ou factos mais distantes está tipicamente conservada nas fases iniciais da doença.

  • Perturbações da linguagem

Os doentes têm dificuldade em encontrar palavras em alguns contextos, dá-se a redução do vocabulário e, em fases mais avançadas, existe um empobrecimento do conteúdo do discurso.

  • Dificuldade em realizar tarefas complexas como pagar contas e lidar com o dinheiro

     

  • Desorientação em locais conhecidos

     

  • Dificuldade em executar tarefas motoras

Em estados mais avançados da doença, impede os doentes de executarem tarefas simples como vestirem-se, alimentarem-se ou pentearem-se.

  • Alterações neuropsiquiátricas, personalidade e sintomas comportamentais

Numa fase inicial os familiares poderão notar apatia e falta de iniciativa. Em fases mais avançadas os doentes poderão ter agitação psicomotora e por vezes se tornarem mais agressivas. Por outro lado, a apatia pode agravar de forma considerável e os doentes tornarem-se muito passivos. Com o evoluir da doença também é comum o não reconhecimento dos sintomas ou das próprias limitações.

  • Sintomas psicóticos e depressivos

A depressão é frequente nos doentes, mesmo em fases iniciais. A psicose pode manifestar-se com ideias delirantes, nomeadamente pensamentos recorrentes sobre um objeto que desapareceu e que o doente pensa que foi roubado. 

Infelizmente a doença de Alzheimer progride inexoravelmente, embora o número de sintomas e a velocidade a que estes progridem varie de pessoa para pessoa. Em alguns casos, a doença grave ocorre nos cinco anos após o diagnóstico.

Noutros, o processo pode demorar mais de dez anos. O tempo médio de sobrevida após o diagnóstico é muito variável e não é previsível do ponto de vista individual A maioria das pessoas com doença de Alzheimer não morre da doença em si, mas de doenças secundárias como infeções respiratórias, infeções urinárias ou complicações de uma queda.

Diagnóstico

Uma avaliação clínica, suportada pela observação e por exames imagiológicos, laboratoriais e neurológicos, permite o diagnóstico da doença. Um diagnóstico atempado facilita a despistagem de outras doenças raras potenciais.

Tratamento e acompanhamento

A doença de Alzheimer não tem cura, mas existem terapêuticas que permitem melhorar os sintomas, a qualidade de vida e que visam reduzir a velocidade da evolução da doença.

Sempre que indicado, os doentes poderão ser avaliados em consulta específica para acesso às Terapêuticas Modificadoras da Doença de Alzheimer.

  • Medicamentos antidemenciais

Visam melhorar os sintomas cognitivos e neuropsiquiátricos e a qualidade de vida mas são pouco eficazes na redução da sua progressão. Alguns exemplos são o donepezilo, a rivastigmina e a memantina.

  • Terapêutica sintomática com outros fármacos

Visam o tratamento dos sintomas psiquiátricos como a depressão, alterações do sono ou sintomas psicóticos.

  • Tratamento dos fatores de risco cardiovasculares, quando existem

O tratamento das comorbilidades médicas é importante para melhorar o prognóstico de cada doente.

  • Reabilitação cognitiva

Uma abordagem, sobretudo em fases precoces a moderadas da doença, através de exercícios que visam exercitar a memória, a atenção e outras funções cognitivas.

  • Exercício físico

Pretende a otimização do estado físico com impacto na própria doença e a redução do risco de quedas, sendo que poderá também ter um efeito positivo na velocidade de progressão da doença.

  • Segurança da pessoa

É fundamental garantir a segurança, porque muitos dos doentes não reconhecem os seus sintomas e limitações e tentam manter as suas atividades do dia a dia.

Além disso, é importante desenvolver um plano para monitorização da toma dos fármacos. As caixas de medicamentos antigas devem ser afastadas do alcance dos doentes para não haver confusões e a toma da medicação deve ser supervisionada.

Conduzir e cozinhar pode tornar-se perigoso e devem ser eliminados obstáculos como fios elétricos soltos, tapetes escorregadios e outros, de forma a reduzir quedas e acidentes em casa.

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Scientific Review

Dra. Carolina Pires

Dra. Carolina Pires

Unit Coordinator of Neurologia

Hospital Lusíadas Alfragide
Clínica Lusíadas Oriente
PT