Hospital Lusíadas Lisboa
21 770 40 40 Contacto Geral

Estenose Aórtica

​​O futuro é já presente

É frequente nas idades avançadas atribuírem-se alguns sintomas, particularmente o cansaço, à própria idade, o que não deixa de fazer sentido. No entanto, sendo a estenose aórtica grave (EAG) uma das doenças cardíacas mais comuns na terceira idade, é uma das patologias mais subdiagnosticadas e subvalorizadas junto da população com mais de 75 anos.

Calcula-se que, em todo o Mundo, mais de 300 mil pessoas sofrem de EAG, estimando-se que, em Portugal, esta patologia possa afetar cerca de 20 mil pessoas.

Assim, a EAG é uma doença que afeta 1 em cada 15 portugueses com mais de 80 anos.

 

O que é a Estenose Aórtica?

A estenose valvular aórtica (ou aperto da válvula aórtica) é uma situação em que a válvula aórtica fica progressivamente mais rígida, o que dificulta a sua abertura plena, e portanto cria um obstáculo à saída do sangue do coração para o corpo. O ventrículo esquerdo adapta-se numa primeira fase, tentando vencer esse obstáculo e, à semelhança do que acontece com os músculos dos braços de um atleta que levanta pesos, a massa muscular do ventrículo aumenta (hipertrofia) de forma a proporcionar uma contração tão forte que consiga vencer a barreira que a estenose aórtica impõe. Em fases mais avançadas, o ventrículo já não consegue vencer esse obstáculo e enfraquece, dilatando e perdendo a força de contração.

 

Quais as causas?

A estenose aórtica pode ter causa em defeitos congénitos da válvula, o mais frequente dos quais é a bicuspidia aórtica, também designada por válvula aórtica bicúspide - a válvula não é constituída como normalmente por três cúspides (como três segmentos de círculo grosseiramente triangulares que se juntam quando a válvula encerra) mas apenas por dois, normalmente criando alguma dificuldade à passagem do sangue.

Outra situação que pode afetar a válvula aórtica é a Febre Reumática, que na fase aguda é caracterizada por doença das articulações mas em que o coração é afetado por um processo inflamatório que pode atingir o pericárdio (saco que envolve o coração), o músculo cardíaco (miocárdio) ou as válvulas cardíacas. Quando a válvula aórtica é afetada pela Febre Reumática, raramente o é isoladamente e, em geral, outras válvulas, sobretudo a válvula mitral que separa a aurícula do ventrículo esquerdo são afetadas em simultâneo. Quando a estenose aórtica se manifesta antes dos 60 anos, geralmente tem causa congénita ou reumática.

A válvula aórtica pode ainda ser afetada por um processo degenerativo (fibroesclerose) que a vai tornando cada vez mais rígida, podendo mesmo depositar-se cálcio e calcificar a válvula. A longevidade da população acarreta o aumento deste tipo de degenerescência associada ao envelhecimento, e a doença da válvula aórtica por degenerescência é atualmente a mais frequente de todas as formas de estenose aórtica. Na estenose aórtica do idoso, identificam-se ainda formas inicialmente moderadas de doenças congénitas ou reumáticas, que passaram despercebidas ao longo da vida mas que acabam também por sofrer o processo de degenerescência.

 

Quais os sintomas desta patologia?

A estenose aórtica pode evoluir durante muito tempo sem sintomas ou com poucos sintomas mas quando entra numa fase sintomática, geralmente a evolução é rápida e se não se intervir, a sobrevivência do doente não é superior a dois ou três anos. Os principais sintomas associados à estenose aórtica são o cansaço e/ou falta de ar, a angina (dores no peito) ou a síncope (desmaios). Qualquer destes sintomas deve ser reconhecido a tempo de se poder evitar um desfecho fatal.

 

Qual o seu tratamento?

Nenhum tratamento medicamentoso pode resolver ou minorar a estenose aórtica. Em fases muito iniciais, um adequado controlo do colesterol poderá atrasar a evolução da doença, mas uma vez estabelecida a estenose, o obstáculo mecânico por ela provocado tem que ser removido.

A cirurgia é o tratamento clássico desta situação e consiste na substituição da válvula doente por uma válvula artificial.

Nos últimos anos desenvolveu-se uma técnica que, nesta fase, tem sido aplicada a doentes com estenose aórtica grave recusados para cirurgia convencional. A técnica que consiste na implantação de uma válvula artificial em posição aórtica, habitualmente sem necessidade de abrir o peito ou de recorrer a circulação extra-corporal, através de um cateter introduzido por uma artéria na virilha (artéria femural) ou mais raramente por uma punção abaixo da subclávia (artéria subclávia).

Este procedimento, designado por TAVI - "Transcatheter aortic valve implantation" = "Implantação de válvula aórtica trans-cateter" - tem sido efetuado com êxito em diversos centros públicos e privados em Portugal.

Na Unidade Cardiovascular do Hospital Lusíadas Lisboa executam-se todas as modalidades de tratamento da Estenose Aórtica, incluindo o moderno tratamento por TAVI.

Após uma avaliação clínica e diagnóstica exaustiva, o caso é discutido em cardioequipa ("Heart team") que inclui cardiologista clínico, cardiologista de intervenção e cirurgião cardíaco, decidindo-se então a proposta de tratamento mais adequada a propor ao doente. Os riscos associados a este procedimento são relativamente baixos, inferiores ao da própria doença abandonada à sua história natural, e tendem a baixar mais, acompanhando a evolução do conhecimento técnico. A recuperação é habitualmente muito rápida com possibilidade de alta no dia seguinte à intervenção, nos casos não complicados.

A prevalência da estenose aórtica na população idosa, o facto de os sintomas serem inicialmente desvalorizados e a ampla variedade de possibilidades terapêuticas capazes de melhorar a sobrevivência e a esperança de vida são argumentos suficientes para alertar para esta situação, sugerindo a referência para Centros de Excelência no diagnóstico e terapêutica desta patologia.​