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Quais são as 5 doenças mais comuns para as crianças no verão?

Colaboração
Das gastroenterites às alergias na pele e às otites, saiba exatamente o que fazer com as dicas da Dra. Sandra Afonso, coordenadora do Centro de Pediatria do Hospital Lusíadas Amadora.

Ninguém quer ouvir falar em doenças no verão e muito menos queremos que os mais pequenos fiquem doentes nas férias. Ainda assim, as temperaturas mais altas trazem consigo alguns desafios para os pais na prevenção de doenças e na garantia do bem-estar das crianças.  
 
Neste artigo, vamos explorar as doenças que mais frequentemente afetam as crianças nesta estação e explicar o que os pais podem fazer para prevenir ou tratar cada uma destas queixas tão comuns em idade pediátrica.

1. Gastroenterites

As gastroenterites virais são uma das queixas mais frequentes no seu consultório durante o verão, conta a coordenadora da Unidade de Pediatria do Hospital Lusíadas Amadora, explicando que tal se deve “à própria epidemiologia deste tipo de vírus, que é mais elevada no verão”.

Apesar de existir uma vacina contra o rotavírus, que não faz parte do plano nacional de vacinação, mas que é recomendada a todos as crianças, esta “apresenta uma maior eficácia até aos 2 anos de idade”, explica a médica.  
 
Os sintomas mais comuns da gastroenterite viral são vómitos, náuseas e diarreia e o tratamento passa pela reidratação oral (pois há geralmente uma grande perda de líquidos) e um probiótico, que tem como função a reposição da flora intestinal.  
 
A recuperação é, segundo a especialista, rápida e simples (geralmente em cerca de 5 dias a criança volta a recuperar o apetite e bem-estar geral).  
 
Apenas em casos mais graves, em que a administração de medicamentos por via oral é impossibilitada (devido a, por exemplo, vómitos persistentes que não permitam esse tratamento) é que pode ser necessário recorrer a hidratação endovenosa.  
 
A prevenção de gastroenterites virais passa pela lavagem das mãos das crianças e dos seus cuidadores adultos e por garantir uma alimentação saudável e variada, evitando alimentos e água armazenados de forma inadequada ou suspeita.

2. Insolação  
 
A insolação ocorre quando há uma exposição prolongada ao sol, situação que se agrava quando se verifica também uma baixa ingestão de líquidos e subsequente desidratação.  
 
Ainda que a OMS recomende alguma exposição solar, pois promove a produção de Vitamina D, deve sempre garantir que as crianças não ficam demasiado tempo ao sol, privilegiando sombras e roupas que protejam a pele. Mais importante ainda é evitar as horas de maior exposição aos raios UV (das 11 às 16h).  
 
Segundo a Dra. Sandra Afonso, os sintomas da insolação incluem um mau estar geral, dores de cabeça, náuseas e tonturas. A prevenção passa “por utilizar protetores solares, evitar o horário de maior exposição solar e garantir a ingestão abundante de líquidos nos dias de mais calor”, explica.  

3. Alergias, afeções e lesões na pele  
 
A médica nota que uma das causas mais frequentes de visitas ao consultório durante o verão são as várias manifestações, afeções ou lesões na pele das crianças, provocadas tanto pelo excesso de calor, como por picadas de mosquitos ou outros insetos.  
 
Manchas ou pintinhas vermelhas que “desaparecem ao fazer pressão na pele” são as mais frequentes, reforça a Dra. Sandra Afonso, e são consequência da “exposição ao sol ou excesso de calor”, não se tratando de uma situação muito grave.  
 
Vejamos alguns exemplos frequentes de reações da pele no verão: 

  • Sudamina ou dermite pelo calor 

Segundo a especialista, a sudamina pode manifestar-se geralmente por pintas ou manchas vermelhas, que se localizam por norma no tronco e pregas. Estas erupções ocorrem quando os poros das glândulas sudoríparas estão obstruídos e não conseguem libertar o suor. 

Os mais novos e especialmente os bebés até ao primeiro ano de idade têm uma maior tendência para desenvolver esta reação na pele. 

Apesar de poderem causar algum desconforto, é raro ter de se prescrever medicação neste tipo de casos. A médica recomenda refrescar frequentemente a zona, aplicando toalhitas frescas e evitar o uso de pós ou cremes espessos, devendo as crianças usar apenas roupa de algodão e evitar apanhar sol.

  • Impetigo 

O impetigo é uma infeção bacteriana da pele que ocorre geralmente após uma lesão cutânea ligeira e que requer tratamento com antibiótico. Esta não é uma reação tão frequente, mas é importante saber o que fazer ao lidar com uma infeção na pele.  
 
Para a evitar, os pais devem ter atenção a qualquer lesão na pele da criança: desinfetar a pele e as mãos é essencial pois esta infeção muitas vezes é causada pelo toque de mãos sujas em zonas com feridas ou borbulhas que causem comichão.

  • Picadas de insetos 

As picadas de insetos são muito comuns no verão, com destaque evidente para as picadas de mosquitos. Não têm de causar grande preocupação aos pais, mas é necessário que esteja atento a alguns sinais para evitar que as borbulhas ou pápulas das picadas não se transformem em algo mais sério como uma infeção.

Assim, é preciso ter atenção a alguns sinais de que a picada está infetada, tal como a zona à volta da borbulha começar a ficar vermelha, dura e quente. 

Situações em que as crianças estão mais propensas a ser picadas incluem: acampamentos de férias, situações em que se passa muito tempo ao ar livre depois do pôr do sol (altura em que os mosquitos estão mais ativos) ou quando estão junto a águas estagnadas.

Quando já se sabe que as crianças vão estar em situações de maior exposição a picadas de insetos, a médica recomenda utilizar repelente, que deve ser adaptado à idade da criança (roll-on, spray, pulseira, entre outros).

Em alguns casos pode ser necessário recorrer a anti-histamínicos orais ou medicação específica local, de aplicação cutânea. 

4. Conjuntivite 

No verão podem surgir também conjuntivites, cujos sintomas incluem olhos vermelhos e lacrimejantes, pálpebras inchadas e por vezes sensibilidade à luz.

Nesta época do ano, habitualmente surgem como consequência de irritação nos olhos, causada pelo cloro, alergénios ou outros constituintes da água do mar e piscinas, ou podem ainda ocorrer devido ao esfregar dos olhos com dedos sujos.

Para tentar evitar é importante a lavagem dos olhos com soro fisiológico após banhos no mar ou piscinas, assim como a desinfeção regular das mãos. 

Como tratamento para a conjuntivite, para além da limpeza com soro fisiológico, recomenda-se o uso de gotas oftalmológicas especificas. 

5. Otite externa / otite do nadador 

É uma infeção da pele do canal auditivo externo que ocorre com maior frequência no verão devido ao aumento do tempo passado em piscinas e praias (ambientes aquáticos). Esta infeção é causada pelo excesso de água no canal auditivo externo e apesar de ser bastante aborrecida pois provoca dor e desconforto para as crianças, tem um tratamento simples. 

A terapêutica inclui aplicar gotas locais no ouvido e evitar o contacto com a água durante a recuperação. Para crianças que têm esta queixa muito frequentemente, a especialista recomenda em casos particulares, o uso de tampões de silicone ou de gotas que facilitem a evaporação da água. 

O que podem fazer os pais para prevenir estas doenças?  

Em resumo, os pais podem prevenir algumas destas doenças ao privilegiar o reforço de líquidos, uma alimentação saudável e variada, adotando truques como o uso de soro fisiológico nos olhos ou gotas nos ouvidos após mergulhos no mar e na piscina ou de tampões dentro de água (para proteger os ouvidos e evitar otites), garantindo também uma boa proteção da criança nas horas de maior calor.  

“Um verão cheio de saúde e com menos sustos para os pais e mais sorrisos das crianças é o que me deixa feliz. A prevenção é o mais importante para nós, médicos – e como pediatra, tudo o que possa ser feito para evitar a dor nas crianças é o meu maior objetivo”, sublinha a médica.  

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Dra. Sandra Afonso

Dra. Sandra Afonso

Coordenador da Unidade de Pediatria

Hospital Lusíadas Amadora
Clínica Lusíadas Oriente

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