Diagnóstico e correção do astigmatismo
O que é
O astigmatismo é um problema ocular causado por irregularidades na curvatura da córnea. Essas deformações provocam a dispersão da luz, tornando as imagens dos objetos, tanto próximos como longínquos, desfocadas e deformadas.
Causas
Na maioria dos casos, o astigmatismo corneal é congénito e vai sofrendo alterações ao longo do tempo. Pode estar associado a outros erros refrativos, como miopia ou hipermetropia, e também pode aparecer ou modificar-se devido a um traumatismo ou outras patologias corneanas. O astigmatismo não é condicionado por fatores como ler com pouca luz ou pela proximidade aos ecrãs. Estes cuidados fazem especial sentido quando o astigmatismo está associado à miopia, esse sim um erro refrativo em grande medida relacionado com causas ambientais. A prevalência da miopia tem vindo a aumentar com um maior uso da visão de perto, pelos maiores níveis de escolaridade e o crescente uso de aparelhos digitais. Dedicar mais tempo a atividades ao ar livre é um hábito que pode ajudar a evitar a progressão da miopia.
Prevalência
Estima-se que mais de metade da população portuguesa necessite de correção ótica, sendo o astigmatismo o segundo defeito refrativo mais frequente. Miopia: 47% Astigmatismo: 31,4% Hipermetropia: 4,7% No seu conjunto, os erros refrativos são mais frequentes nos adultos jovens, entre 20 e 39 anos. No astigmatismo, a distribuição da sua prevalência varia entre as faixas etárias, sendo o problema mais frequente nas crianças e nos adultos jovens.*
Sinais de alerta
O astigmatismo altera a visão a qualquer distância e pode provocar astenopia ou fadiga ocular, pelo esforço muscular excessivo feito num longo período de tempo, com manifestações como dor à volta dos olhos, ardor e prurido nas pálpebras, dores de cabeça, etc. A necessidade de semicerrar os olhos e modificar a posição da cabeça para ver as imagens com maior nitidez pode indiciar este tipo de defeito refrativo.
Diagnóstico
Na maior parte dos casos, o astigmatismo está presente desde o nascimento e deve ser detetado o quanto antes — e daí a importância dos rastreios visuais infantis, para evitar futuras ambliopias”, ou seja, a diminuição da acuidade visual, uni ou bilateral, mesmo sem anomalia estrutural do olho ou olhos afetado(s). Nas crianças, o uso dos óculos é fundamental para obter uma boa qualidade de visão e consequentemente, facilitar um correto desenvolvimento funcional. Mais tarde, podem também optar pelo uso de lentes de contacto que tornam a superfície corneana mais homogénea proporcionando, em alguns casos, um campo visual mais amplo e uma maior comodidade.
Tratamento
O uso de óculos com lentes cilíndricas ou de lentes de contacto tóricas visa corrigir o defeito refrativo alcançando a melhor acuidade visual possível, mas o astigmatismo não deixará de existir, começa por alertar a especialista. O tratamento cirúrgico é a única forma de definitivamente corrigir o problema. A cirurgia refrativa corneana permite, recorrendo ao uso de lasers e de segmentos intracorneanos, modificar de maneira permanente a forma da córnea nos adultos com graduações estáveis. Nos casos de astigmatismo secundário, por exemplo a opacificação do cristalino, este deve ser compensado através do uso de lentes tóricas e diferentes incisões corneanas, durante a cirurgia de catarata. Quando se deve a outras patologias como o pterígio, procedendo à sua excisão cirúrgica, corrige-se o astigmatismo provocado. O tratamento é sempre individualizado e nem todos os pacientes com astigmatismo miópico ou hipermetrope são candidatos a cirurgia refrativa. São critérios de exclusão, dependendo da técnica escolhida: topografias corneais anormais, existência de outras patologias oculares de retina ou do nervo ótico, gravidez e patologias sistémicas como imunodepressão e outras.
*Fonte: Estudo Epidemiológico das Ametropias em Portugal II, Universidade do Minho, 2013