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Dispepsia ou má digestão

A indigestão, também chamada de dispepsia, é um sintoma caracterizado por uma digestão anormal. Estima-se que atinja cerca de 25% da população de países desenvolvidos. Neste artigo de Teresa de Cas​tro Diniz, dietista nas Unidades Lusíadas no Algarve, indicam-se as causas e formas de tratamento.​

Causa e consequências da dispepsia

A má digestão é um dos problemas gástricos mais prevalentes e pode, ou não, estar associada a outras doenças. Tem muitas causas e algumas são perturbações importantes como:

  • Úlceras gástricas ou duodenais;
  • Gastrite;
  • Perturbações da motilidade intestinal;
  • Cancro gástrico;
  • Bloqueios intestinais;
  • Obstipação;
  • Infeção por H. pylori;
  • Entre outras.

No entanto há hábitos alimentares e estilos de vida igualmente associados, como:

  • Ingestão de alimentos muito condimentados ou ricos em gordura (carnes vermelhas, manteigas, etc.);
  • Consumo excessivo de estimulantes como o álcool e a cafeína;
  • Consumo de bebidas carbonatadas (refrigerantes ou agua com gás);
  • Comer demasiado depressa ou em quantidades excessivas;
  • Tabagismo;
  • Ansiedade e depressão;
  • Utilização de alguns medicamentos (como anti-inflamatórios e antibióticos).

Dois tipos de dispepsia

  • Dispepsia funcional

Aquela em que não existe qualquer causa orgânica, portanto não existe outra doença associada.

  • Dispepsia orgânica

Relacionada com uma patologia. O diagnóstico normalmente inclui exames (como uma endoscopia e análises), para eliminar a possibilidade de outras doenças.

Atenção aos sintomas

Os sintomas incluem desconforto e dor epigástrica (na parte superior do abdómen ou no peito), distensão abdominal, saciedade precoce, arrotos e ruídos abdominais, náuseas, vómitos e, em alguns casos graves, fezes com sangue, febre, perda de peso e fraqueza. A indigestão normalmente não apresenta complicações graves, no entanto, quando não tratada adequadamente pode prejudicar a qualidade de vida.

Medicação e tratamento

A maioria dos conselhos para a indigestão prendem-se com mudanças de hábitos alimentares e estilos de vida, como:

  • Fazer uma alimentação equilibrada e saudável, dando preferência a frutas, legumes, verduras, grãos integrais e alimentos não processados;
  • Reduzir o consumo de alimentos de difícil digestão, como chocolate, carnes com elevado teor de gordura, bebidas gaseificadas e alcoólicas, alimentos condimentados (pimenta, caril, gengibre), alimentos fritos e molhos, alimentos processados e de charcutaria;
  • Mastigar devagar para facilitar a digestão e para otimizar a ação dos sucos digestivos;
  • Realizar refeições de pequeno volume e fracionadas ao longo do dia (três refeições principais e duas intercalares), para reduzir o trabalho gástrico durante o processo digestivo;
  • Ter horários regulares para as refeições;
  • Evitar deitar-se ou sentar-se após a refeição (fazer uma caminhada de 20 minutos após a refeição é o ideal);
  • Reduzir o consumo de tabaco, café e chá;
  • Ter um peso dentro dos valores recomendados (em caso de excesso de peso deve emagrecer);
  • Reduzir os níveis de stresse;
  • Praticar exercício físico com regularidade (melhora o trânsito intestinal, reduz o stresse e controla o peso).
  • Por vezes é necessário prescrever alguns medicamentos procinéticos, inibidores da bomba de protões, antibióticos ou antieméticos.

Boas notícias

Para quem sofre de indigestão a boa notícia é que, enquanto sintoma, não se trata, mas pode evitar-se. Sobretudo quando é funcional e está associada a estilos de vida e hábitos alimentares desajustados. Também pode minimizar-se quando a causa é orgânica e está associada a outras patologias.

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