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Hérnia inguinal: sintomas, cirurgia e pós-operatório

A hérnia inguinal ocorre quando um conteúdo interior do abdómen, como o intestino ou a bexiga, sai através de um ponto de fraqueza da parede abdominal, na região da virilha. É geralmente dolorosa e afeta sobretudo os homens.

A hérnia inguinal corresponde a um aumento de volume na zona da virilha, que normalmente surge devido a uma fraqueza da parede abdominal nessa zona, sendo formada por um conteúdo do interior da barriga. “Esse conteúdo pode ser apenas gordura ou, em alguns casos, algum órgão intra-abdominal, como o intestino ou a bexiga”, explica Sónia Ribas, especialista em Cirurgia Geral, com consulta vocacionada para a Hérnia e a Parede Abdominal, no Hospital Lusíadas Braga.

Os tipos de hérnia inguinal

Mais comum nos homens, podendo afetar cerca de 46 por cento da população masculina, há três tipos de hérnia inguinal.

  • Hérnia inguinal direta: a hérnia que está localizada internamente aos vasos epigástricos e geralmente tem uma localização mais superior.
  • Hérnia inguinal indireta: a hérnia é externa aos vasos epigástricos e normalmente acompanha os vasos do cordão espermático que vão irrigar os testículos. É normalmente aquela que vai até à região do testículo.
  • Hérnia inguinal mista: que tem um componente direto e um componente indireto. 

As hérnias da região inguinal

Dentro das hérnias da região inguinal, além das hérnias inguinais, existe um outro sub-tipo de hérnias, as hérnias crurais ou femorais. São mais comuns nas mulheres e estão localizadas junto à raiz da coxa. Estas hérnias estão associadas a mais complicações e por isso, devem ser operadas logo que sejam encontradas.

As causas

A hérnia inguinal indireta geralmente tem uma origem congénita e é por isso, o sub-tipo que surge nas crianças. “Existe uma fraqueza de nascença que facilita o aparecimento da hérnia inguinal”, diz a especialista. 
Já a hérnia inguinal direta está normalmente associada à realização de esforços e a um aumento da pressão abdominal. “Surge no doente adulto profissionalmente ativo, que em alguns casos, pratica desporto regularmente ou é fumador, ou no idoso, em que surge associada ao envelhecimento, e pode ter a ajuda de outros fatores de risco que aumentam a pressão abdominal, como a realização de trabalhos pesados, a doença pulmonar crónica, a tosse crónica ou a hipertrofia benigna da próstata.

Sintomas da hérnia inguinal

O mais habitual é notar-se um aumento de volume na região da virilha, “aquilo a que o doente se refere como um alto ou uma bolinha nessa zona” e o doente pode ter ou não, queixas associadas. “Em outros casos, surgem primeiro as queixas e o doente só depois nota o aumento do volume”, diz Sónia Ribas. 
 
Entre os principais sintomas, incluem-se:

  • Ligeiro desconforto, sensação de picada ou mesmo dor, que pioram com o esforço, com a tosse, quando pega em pesos ou com o exercício físico. 
  • Esta sintomatologia melhora com o descanso e o repouso.
  • Dependendo do órgão que esteja preso no saco da hérnia, podem aparecer alterações no funcionamento do intestino, como a obstipação ou alterações urinárias.

Os riscos de uma hérnia encarcerada ou estrangulada

A hérnia fica encarcerada quando o conteúdo que está presente no saco da hérnia não se reduz novamente para o interior do abdómen. Nesses casos, o aumento de volume associa-se a um agravamento da dor e podem surgir sinais inflamatórios. “A hérnia fica vermelha, quente e torna-se mais dolorosa, uma dor que não passa. O doente pode até ter febre além de alterações de funcionamento do intestino, acabando por ter de recorrer à urgência.”
“É normalmente o que leva a uma cirurgia de urgência e, em último caso, se houver um encarceramento prolongado, pode levar ao chamado estrangulamento”, diz Sónia Ribas. “Significa que se tivermos intestino no interior da hérnia e este ficar preso fora do interior do abdómen durante muito tempo, pode ser necessário fazer uma remoção desse intestino, por falta de circulação. Esta necessidade torna a cirurgia um pouco mais complicada e com maior risco de complicações pós-operatórias.” 

Hérnia inguinal: o tratamento

Não sendo possível a prevenção, o mais importante é estar atento ao seu aparecimento, procurando o seu tratamento o mais precocemente possível. 
“O único tratamento eficaz para as hérnias inguinais é a cirurgia, sendo que as hérnias têm indicação para cirurgia a partir do momento em que surjam sintomas”, explica Sónia Ribas. “As assintomáticas podem não ser tratadas, embora precisem de ser vigiadas. Por um lado, com o tempo, a hérnia tem tendência para se tornar maior e, por outro lado, a partir do momento em que surgem sintomas, a probabilidade de surgir uma complicação como um encarceramento ou um estrangulamento é maior.”
Há vários tipos de cirurgias para as hérnias, mas os doentes cada vez procuram mais as opções minimamente invasivas (com cicatrizes mais pequenas), sobretudo em regime de ambulatório. “As técnicas minimamente invasivas permitem uma recuperação mais rápida e estão associadas a menos complicações pós-operatórias. A grande maioria das pessoas em que é diagnosticada uma hérnia inguinal são adultos jovens em idade ativa. Por isso, têm interesse em ser operados de uma forma menos agressiva, que lhes permita retomar o trabalho o mais precocemente possível e, também pelos mesmos motivos, em regime de ambulatório, que permite também uma recuperação mais rápida, no seu ambiente familiar.” 

O pós-operatório

O pós-operatório é diferente, consoante se trate de uma cirurgia aberta ou de uma cirurgia minimamente invasiva. 

Na cirurgia minimamente invasiva

Há menos desconforto e dor no pós-operatório na cirurgia minimamente invasiva, sendo possível retomar as atividades básicas de vida diária mais rapidamente. “Devem ser evitados grandes esforços durante, pelo menos, a primeira semana, assim como conduzir”, diz a médica. 
Passado esse período, há que preparar o regresso à atividade laboral e física anterior à cirurgia. “É muito diferente termos um doente jovem que faz atividade regular de ginásio ou que corre habitualmente, ou um doente mais sedentário. A recomendação para recomeçar a realização de esforços é adaptada ao estilo de vida do doente.” 

Na cirurgia aberta

Na cirurgia aberta, como há mais dor e desconforto no pós-operatório, essa recuperação é um pouco mais prolongada, mas também adaptada ao estilo de vida do doente. “O período de inatividade pode durar entre três a quatro semanas”, afirma Sónia Ribas.
 

 

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Revisão Científica

Dra. Sónia Ribas

Hospital Lusíadas Braga

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