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Novos pacemaker permitem ressonâncias

No Hospital Lusíadas Porto é utilizada uma nova gama de pacemakers que resolveu o problema da sua incompatibilidade com a realização de ressonâncias magnéticas. O cardiologista Nuno Bettencourt esclarece algumas dúvidas.

Com o aumento da esperança média de vida, aumentou também o número de pacientes com necessidade de pacemaker. Mas esta população mais idosa – precisamente a que tem maior necessidade de exames auxiliares de diagnóstico e de monitorização – estava até recentemente excluída da realização de ressonâncias magnéticas, um exame de importância primordial no diagnóstico e no seguimento clínico de diversas cardiopatias. Uma nova gama de pacemaker, que já está a ser usada no Hospital Lusíadas Porto, veio resolver esta incompatibilidade.

 

Em que situações estão indicadas as ressonâncias magnéticas?

"É um exame não invasivo, de elevada resolução espacial", explica o cardiologista Nuno Bettencourt. Pretende obter imagens detalhadas dos órgãos, vasos e tecidos e, no caso do coração, permite avaliar a estrutura do músculo e a sua capacidade de bombear sangue. Ao "não usar radiação ionizante, torna-se um método diagnóstico e de seguimento clínico muito eficiente em variadas situações clínicas", como é o caso dos diversos tipos de cardiopatias (isquémicas, inflamatórias, estruturais e congénitas).

Qual é a grande vantagem desta nova gama de pacemakers?

"É precisamente a compatibilidade com a ressonância magnética", explica o médico. Até agora, havia um risco de modificação da programação estabelecida e de interferência com o funcionamento do aparelho, "podendo induzir lesão miocárdica nos locais de contacto com o músculo cardíaco, com posterior desenvolvimento de edema e cicatriz". Sendo que, o próprio desenvolvimento da cicatriz "poderia tornar o pacemaker menos eficiente e estar associado a uma menor longevidade do aparelho", continua. Nos novos aparelhos "as sondas e outros componentes ferromagnéticos foram substituídos por materiais compatíveis e toda a estrutura foi pensada de forma a não induzir correntes elétricas quando submetida a campos eletromagnéticos", esclarece Nuno Bettencourt.

Antes de fazer a ressonância magnética é necessário algum procedimento médico?

"Sim, todos os pacemakers compatíveis necessitam de uma programação prévia, que poderá ser realizada algumas horas ou dias, antes do exame". Em regra, esta programação resume-se a uma ativação do dispositivo num modo mais básico, compatível com a realização do exame. "Logo que o paciente tenha realizado o seu exame e tenha saído do campo magnético, todas as funções do pacemaker são novamente ativadas", adianta o cardiologista.

O exame tem de ser acompanhado por outros especialistas?

"Não. Desde que o paciente seja observado por profissionais habilitados antes e após a realização do exame de ressonância magnética – com o intuito de interrogar o dispositivo, ou seja, avaliar o pacemaker e todos os seus registos de eventos, bem como realizar a sua programação –, todo o processo de aquisição de imagens é semelhante ao dos outros pacientes, desde que sejam cumpridas as instruções de segurança de cada fabricante. Não é assim obrigatória a presença de cardiologistas durante a realização destes exames", conclui Nuno Bettencourt. A ressonância magnética é um exame diferenciado, que permite fazer um diagnóstico mais apurado, adequando assim, os tratamentos a cada caso, de forma mais precisa. Ao limitar o número e tipo de exames a fazer, poupa os pacientes e permite igualmente uma diminuição dos custos financeiros associados. Desta forma, todos ganham.

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Especialidades em foco neste artigo

Revisão Científica

Prof. Dr. Nuno Bettencourt

Cardiologia
Hospital Lusíadas Porto
PT