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Onicomicose: o que é a micose das unhas e como tratar

A micose das unhas, também designada por onicomicose, é uma doença infeciosa causada por fungos. Carla Ferreira, podologista do Hospital Lusíadas Porto, explica o que é e como tratar a onicomicose.

Onicomicose, ou micose das unhas, é uma doença infeciosa causada por microrganismos designados por fungos, e é responsável por mais de metade das patologias que afetam as unhas; em 90% dos casos são causadas por fungos dermatófitos, 10% por leveduras e fungos não dermatófitos, isto é, fungos que ingerem queratina.

A incidência de onicomicose é de 10% nos adultos, 20% nos idosos, sendo muito rara em crianças. É uma patologia crónica que afeta a qualidade de vida, diminui a autoestima e, por vezes, leva à discriminação social. Nos últimos anos, tem-se verificado um aumento do número de infeções fúngicas ungueais. As pessoas com diabetes, e/ou com o sistema imunitário comprometido, são mais propensas a várias doenças, sendo a onicomicose uma delas, o que se agrava pela falta de tratamento adequado.

O atraso na ida ao podologista pode originar também graves problemas, pelo que deve recorrer a um especialista logo que são detetados sinais ou sintomas.

Sinais e sintomas de onicomicose

Na fase inicial, a doença é silenciosa e não apresenta sintomas dolorosos. Os sinais de alerta são o surgimento de uma coloração diferente, geralmente mais amarelada nas unhas, e que posteriormente leva a um descolamento da unha e aparecimento de pasta tipo “esfarelo”.

Mais tarde, inicia-se um engrossamento e propagação a toda a unha e/ou às outras unhas e inclusive à matriz (raiz) destruindo-a por completo. Numa fase mais avançada da doença, por vezes, surge a dor, pois a unha encrava (onicocriptose), porque está engrossada, deformada e sujeita a uma maior pressão exercida pelo sapato e muitas vezes surgem infeções associadas.

Tratamentos

Inicialmente, devido à inexistência de dor, o tratamento é protelado. O objetivo do tratamento é eliminar o fungo que está por debaixo da unha e a destrói o mais depressa possível! Mas, frequentemente, tenta-se camuflar o aspeto inestético e, noutros casos recorre-se a terapêuticas inadequadas e mal executadas.

Assim a ida ao podologista tem várias vantagens: o conhecimento eficaz da doença, do tratamento, as regras apropriadas do ensino ao doente, a limpeza, desinfeção, a esterilização dos materiais a manusear e – como foi já salientado –, a correta identificação da doença e tratamentos associados. No final e no início o segredo é sempre o mesmo: a força de vontade em não desistir do tratamento!

  1. A terapêutica oral deve ser sempre bem vigiada devido aos seus efeitos secundários e outros sinais e sintomas pouco graves, mas que provocam mal-estar, nomeadamente vómitos, náuseas, dores de cabeças e outros efeitos secundários que tendem a desaparecer. Assim, como acontece com todos os medicamentos, devemos ter sempre a preocupação de informar o podologista dos medicamentos a que somos alérgicos ou com os quais não nos sentimos bem. Assim, é importante salientar que os medicamentos orais (comprimidos) não devem ser tomados por um período superior a 4 meses devido à toxicidade. Logo, esta terapêutica só é aconselhada em casos pontuais e sempre acompanhada pelo podologista.
     
  2. Vernizes ou soluções ungueais que muitas vezes, quando se é atento e se vai ao podologista no início da deteção da doença, são suficientes, devem ser aplicados de acordo com o aconselhamento do especialista e acompanhados com uma limpeza da unha mensalmente com técnicas próprias realizadas para a regeneração ungueal e para avaliar se efetivamente a melhoria está como esperado. Mais uma vez se reforça que o tratamento é demorado, e que necessita de ser executado com rigor e durante o crescimento da unha até à finalização do tratamento.
     
  3. Laserterapia ou tratamento a laser das onicomicoses: a pesquisa científica aliada ao desenvolvimento tecnológico encontrou um tratamento mais eficaz que diminui a duração dos tratamentos, ao perceber que os fungos são sensíveis ao calor e se destroem a uma temperatura sensivelmente entre 40 e 60º celsius. Assim, a destruição mais rápida do fungo leva a um maior êxito na cura: é este o objetivo do laser! Porém, nem todas as pessoas podem realizar laserterapia, nomeadamente os doentes com neoplasias ou com neuropatia sensitiva. Assim, os custos, benefícios e contraindicações têm sempre que ser avaliados entre o paciente e o seu podologista de forma a estruturar o tratamento e a saber se efetivamente o laser é aconselhado para a sua situação.

A importância de cuidar dos pés

Em média, uma unha saudável demora pelo menos 12 meses a crescer desde a raiz até à ponta. No entanto quando estão com onicomicoses o crescimento é mais lento, logo a persistência no tratamento e a visita ao podologista não podem ser descuradas. Assim sendo, a paciência, a persistência e a resistência são essenciais!

Conclusão: cuide dos seus pés, são o suporte do seu corpo! Trate-os como trata o seu rosto, o seu coração, com atenção e cuidado! Em caso de alerta, peça ajuda e cumpra aquilo que lhe indicam ser o seu tratamento.

Cuidados a ter:

  • Higienizar diariamente os pés, secando-os muito bem;
  • Utilizar sempre chinelos nos balneários, piscinas e locais públicos e onde possa existir água parada;
  • Não partilhar calçado;
  • Não cortar as cutículas;
  • Não fazer autotratamentos;
  • Não protelar/adiar tratamentos;
  • Manter sob vigilância a pele ou pelo do animal de estimação, porque pode ser uma fonte de contaminação;
  • Consultar o podologista assim que notar alguma alteração nas unhas.

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Pés

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Especialidades em foco neste artigo

Dra. Carla Ferreira

Podologia
Hospital Lusíadas Porto, Hospital Lusíadas Lisboa
PT