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Ortorexia: obsessão pela alimentação saudável

É importante manter uma alimentação saudável, mas as preocupações excessivas podem dar origem à ortorexia, comportamento obsessivo com implicações a nível físico e emocional.

O que é?

“A ortorexia caracteriza-se pela obsessão por uma alimentação que se crê saudável”, explica a coordenadora da Unidade de Nutrição Clínica, do Hospital Lusíadas Lisboa, Ana Rita Lopes. “O termo deriva da palavra grega ‘orthos’, que significa correto, e da palavra ‘orexia’, que significa apetite.”

Como identificar a ortorexia

  • Comer corretamente deixa de ser uma opção e passa a ser uma obsessão;
  • Dá-se uma rejeição rígida de alimentos julgados não saudáveis, com o objetivo de atingir uma saúde ideal, prevenir doenças ou alcançar a imagem corporal desejada.

A saúde acaba por ser posta em perigo quando se fazem mudanças drásticas e radicais, eliminando, por exemplo, todas as gorduras, pois certas vitaminas deixam de ser absorvidas pelo organismo. “Apesar de a ortorexia não ser ainda considerada uma doença do comportamento alimentar, tal como a anorexia e bulimia nervosas, têm surgido cada vez mais estudos que a aproximam dessas doenças psiquiátricas”, afirma a nutricionista. “Esta preocupação desmesurada com a alimentação, leva a que estes indivíduos dediquem cada vez mais tempo a planear as suas refeições e menos tempo ao lazer, podendo ter um impacto negativo na sua vida social”, acrescenta a especialista.

Sinais de alarme

  • Isolamento social;
  • Demora de horas nos supermercados, dado que se analisam ao detalhe todos os ingredientes de cada rótulo;
  • Recusa em participar em reuniões de amigos e família;
  • Sensação de angústia quando ingere um alimento que considera menos “bom”.

Da mesma forma que não se engorda de um dia para o outro, também não se emagrece da noite para o dia. A dieta deve ser feita de forma gradual para não gerar sentimentos de frustração e ansiedade, que, em última instância, podem degenerar em comportamentos alimentares compulsivos. “Muitas vezes quem passa por longos períodos de privação, ao ceder acaba por cometer enormes excessos alimentares, recuperando o peso perdido e acumulando mais algum”, alerta Ana Rita Lopes. “São as chamadas dietas-iô-iô”. Curiosamente, estudos recentes sugerem uma prevalência deste tipo de comportamento em 6,9% da população em geral e entre 35 a 57% em grupos de alto risco, em que se encontram:

  • Desportistas;
  • Profissionais de saúde;
  • Figuras públicas;

“Os estudos mais atuais sugerem que a ortorexia pode ser tratada em equipa, pois para além do apoio de um nutricionista para desmistificar ideias e orientar em termos alimentares, é fundamental procurar apoio psicológico”, conclui a nutricionista. E, acrescenta: “A saúde não se mede através da balança, mas sim através do estilo de vida”. Comer é também um prazer que deve ser partilhado, como tão bem é defendido pela Dieta Mediterrânea, Património da Humanidade.

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Revisão Científica

Dra. Ana Rita Lopes

Coordenador da Unidade de Nutrição Clínica

Nutrição Clínica
Hospital Lusíadas Lisboa
PT