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Perturbação Obsessivo-Compulsiva, o que é?

Lavar as mãos 50 vezes por dia, verificar portas e janelas constantemente, ter todos os objetos alinhados ou sempre na mesma posição, são alguns gestos de quem tem uma Perturbação Obsessivo-Compulsiva. Ricardo Coentre, psiquiatra do Hospital Lusíadas Lisboa, fala-nos desta perturbação e dos possíveis tratamentos.

Muitas pessoas experimentam uma ou outra vez na vida um pensamento de tipo obsessivo ou comportamento compulsivo, mas no caso da Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) estes são intensos, persistentes, desagradáveis e interferem com as atividades do dia a dia, gerando ansiedade e atos repetitivos mentais ou comportamentais que reduzem a qualidade de vida.

Há quem fique com as mãos feridas de tanto as lavar ou perca o emprego porque não consegue partilhar o espaço com os colegas devido ao medo de contaminações. Ricardo Coentre, psiquiatra do Hospital Lusíadas Lisboa, explica esta doença que, não só perturba a qualidade de vida de quem tem POC, como de quem lhe é próximo.

Sintomas

  • Obsessões

Consistem em pensamentos ou imagens, repetitivos, intrusivos e involuntários.

  • Compulsões

Consistem em rituais, ou comportamentos repetitivos (como contar ou repetir palavras). São uma resposta às obsessões. As mais comuns são:

  • Ideias de contaminação que conduzem a rituais de lavagem. Por exemplo: do pensamento obsessivo repetido de que as mãos estão sujas, surge a compulsão de lavar as mãos até aliviar o mal-estar. Chega a acontecer várias dezenas de vezes por dia;
    • Ideias de simetria ou de ordem, que conduzem a compulsões de repetição ou ordenação;
    • Ideias proibidas ou tabu – que incluem obsessões e comportamentos de agressividade – de carácter religioso ou sexual.

Causas

Existem vários fatores que se associam ao aparecimento da doença:

  • Genéticas

A contribuição de fatores genéticos na perturbação obsessivo-compulsiva ficou evidenciada em estudos feitos com gémeos e com elementos da mesma família. Não são ainda conhecidos os genes envolvidos nesta perturbação, mas existem estudos em curso nesta área;

  • Biológicas

Contribuem para a doença disfunções nos sistemas de neurotransmissores da serotonina e noradrenalina (que regulam o sono, o humor, a ansiedade e o apetite, por exemplo). Existem ainda estudos de neuroimagiologia que mostram alterações funcionais do neurocircuito, que envolve o córtex orbitofrontal, caudato e tálamo;

  • Comportamentais

As obsessões podem ser consideradas estímulos condicionados. Um estímulo relativamente neutro (um pensamento, uma imagem ou sensação) é associado ao medo ou ansiedade, num processo de condicionamento, e acaba por provocar ansiedade ou desconforto.

Tratamentos

O objetivo fundamental é reduzir a ansiedade das obsessões, cuja gravidade varia de pessoa para pessoa. A Perturbação Obsessivo-Compulsiva pode ser tratada com:

  • Medicação

Os fármacos mais usados são os designados antidepressivos, geralmente em doses elevadas;

  • Psicoterapia

A que mostra melhores resultados é a designada por cognitivo-comportamental.

Com o tratamento, as taxas de resposta substancial e de melhoria podem ir até aos 70%. Por vezes, coexistem com a doença outras doenças psiquiátricas, como a depressão, a perturbação do pânico ou a fobia social, que devem também ser tratadas.

Idades críticas

A idade média de início da doença situa-se entre os 19 e os 20 anos, mas cerca de um quarto dos casos começam pelos 14 anos. Geralmente nos homens surge mais cedo do que nas mulheres. O aparecimento após os 35 anos é raro.

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Especialidades em foco neste artigo

Colaboração

Dr. Ricardo Coentre

Psiquiatria
Hospital Lusíadas Lisboa
PT