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Quais são os sintomas e os tratamentos da faringite?

Apesar de se tratar de uma das patologias que mais geram visitas ao médico, geralmente, a faringite não apresenta gravidade.

Uma faringite é uma inflamação da faringe (ou garganta), provocada por uma infeção das vias aéreas superiores. “O mais comum é ser causada por vírus, mas também pode resultar de bactérias ou até fungos”, diz Carlos Torrão Pinheiro, especialista em Otorrinolaringologia, no Hospital Lusíadas Porto. Tendo em conta a sua evolução, esta inflamação pode ser aguda ou crónica (de repetição), mas o normal é resolver-se em pouco tempo.

As causas da faringite

A faringite é provocada, geralmente, por uma infeção por microrganismos, diz o especialista. “A maioria das infeções resultam normalmente de vírus — mais de 80 por cento dos casos — e cursam de uma forma benigna”, declara, destacando que se autocuram, exigindo medicamentação apenas para alívio dos sintomas.
Menos comum, é tratar-se de uma infeção bacteriana, ainda que também aconteça. “Se for bacteriana, a bactéria mais comum é o streptococcus e, nesses casos, podemos precisar de antibióticos”, refere ainda.
Por outro lado, esta patologia pode resultar de causas não infecciosas, como as alergias respiratórias (aos ácaros, aos pólens, aos fungos).
Costuma acontecer com maior frequência nos meses de outono e inverno, e é bastante contagiosa “entre as pessoas mais próximas e, sobretudo, num ambiente mais familiar”.

Como é que se transmite a faringite?

As vias de transmissão são algo similares às da COVID-19, tanto nas infeções víricas como nas bacterianas. “Normalmente, são as gotículas ou as secreções nasais”, refere, salientando que é por isso que “o uso das máscaras durante a pandemia de COVID-19 fez reduzir significativamente a incidência das faringites”. 
Algumas infeções podem ser de transmissão sexual, como a gonorreia, ainda que hoje seja pouco frequente. “As faringites atualmente provocadas por transmissão sexual são muito mais raras”, diz.

Sintomas

Independentemente da causa, os sintomas são muito idênticos em quase todas as faringites. 

  • O principal sintoma é a dor de garganta ao engolir (à qual pode estar associada uma dificuldade em engolir) ou mesmo em repouso. 
  • Em alguns casos, pode coexistir febre, obstrução nasal ou nariz entupido, secreções nasais e até rouquidão e tosse. 
  • Pode surgir uma tumefação cervical, que são aqueles “papinhos no pescoço”, resultantes de uma inflamação dos gânglios cervicais. 
  • “O sinal mais comum disto é a vermelhidão, o rubor, um inchaço, um edema e as secreções com purulência, que nos ajudam no diagnóstico”, refere o médico.

Em caso de febre alta, um quadro de maior dificuldade na deglutição ou quando surgem outros sintomas como a rouquidão, naturalmente há necessidade de ser observado pelo especialista. “Nesse caso, o médico é que conseguirá diagnosticar”, salienta.

A associação a outras doenças

É de realçar que, para além de estar frequentemente associada com uma infeção das amígdalas (amigdalite) e das adenóides (adenoidite), a faringite pode coexistir também com a sinusite, a otite, a laringite e, nos casos mais complicados, abcessos nas amígdalas. “Uma faringite simples pode tornar-se uma faringite mais grave quando se associa a um abcesso”, refere. 
Em alguns casos, pode também estar associada a doenças como a COVID-19, a gripe, a constipação ou a mononucleose. “O facto de ser uma faringite não significa que é uma doença única, mas pode fazer parte do quadro de uma outra doença.”

Tratamentos

As infeções víricas são mais contagiosas do que as bacterianas e os tratamentos diferem. “Na maioria dos casos de infeções víricas, a evolução é benigna, sendo os sintomas da faringite tratados unicamente com analgésicos e anti-inflamatórios com uma intenção sintomática”, realça. 
Por outro lado, no caso das infeções bacterianas, é sempre necessário o tratamento com antibióticos, evitando a progressão da doença para outras condições como uma febre reumática ou abcesso. 
“É de referir que não se tratam infeções víricas com antibióticos. Por isso, quando os sintomas persistem, são demasiado sintomáticos e não diminuem ao fim de dois ou três dias, devem ser sempre observados pelo médico”, alerta o médico.
Principalmente no caso das crianças, o tratamento cirúrgico para amigdalectomia e adenoidectomia pode ser ponderado.

A prevenção

Tratando-se de uma patologia altamente contagiosa, a melhor prevenção é através da higienização.

  • Lavagem regular das mãos
  • Não partilhar talheres, louça e alimentos
  • Cuidado ao tossir e ao respirar, de maneira a não contaminar as pessoas próximas
  • Evitar contacto próximo com pessoas doentes e, sempre que necessário, recorrer a uma máscara

As faringites crónicas dependem de outros fatores como o meio ambiente, a profissão, os hábitos de vida, as estações do ano, abuso vocal, disfuncionamento hormonal, patologia alérgica ou outras doenças, assim como o mau estado dentário, a obstrução nasal persistente, a adenoidite e amigdalite crónicas. Por isso, há que tomar alguns cuidados gerais, para evitar as faringites de repetição. São eles:

  • Evitar o fumo do tabaco e de outros tóxicos
  • Controlar o consumo de álcool
  • Praticar exercício físico
  • Ter bons hábitos alimentares
     

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Revisão Científica

Dr. Carlos Torrão Pinheiro

Hospital Lusíadas Porto
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