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O que é a asma e como tratar?

A asma é uma doença crónica muito comum que se estima que atinja cerca de 300 milhões de pessoas em todo o mundo. Aurora Carvalho, pneumologista do Hospital Lusíadas Porto, dá a conhecer a enfermidade que afeta o aparelho respiratório de 7% dos portugueses.

A asma é uma doença inflamatória das vias aéreas, caracterizada pelo estreitamento dos brônquios, de que resulta a sensação de dificuldade respiratória e a pieira. A pneumologista Aurora Carvalho, do Hospital Lusíadas Porto, explica as causas e indica tratamentos.

Asma: por que acontece?

O aparelho respiratório está constantemente exposto a agentes irritantes como bactérias, vírus, poeiras, poluição, pólenes. Para nos defendermos dessas agressões externas, o pulmão dispõe de vários mecanismos, entre os quais o sistema imunitário.

O doente asmático responde de uma forma exagerada a essas agressões, o que conduz à chamada de várias células e à libertação de muitas substâncias que produzem a inflamação.

A inflamação leva a que se forme um edema da mucosa que forra a árvore brônquica, ao aumento de secreção de muco e à constrição do músculo liso dos brônquios. São estes mecanismos que diminuem o tamanho dos brônquios, particularmente quando o doente expira e tenta libertar o ar dos pulmões.

Sintomas

Raramente os sintomas da asma são persistentes. Surgem em forma de crises mais ou menos frequentes.

  • Falta de ar (dispneia)

De início súbito, surge muitas vezes durante a noite ou com a prática de exercício. Pode implicar recurso ao serviço de urgência, sendo comum em doentes com asma mal controlada ou em doentes sujeitos a exposição grave a determinados fatores desencadeadores como alergénios ou infeções víricas.

  • Tosse

Acompanha frequentemente a asma e dá origem a sintomas como nariz a pingar, espirros ou sensação de nariz entupido.

  • Pieira;

  • Sensação de aperto no peito;

Fatores desencadeadores 

Entre os mais comuns estão os alergénios, como:

  • Ácaros domésticos;
  • Baratas;
  • Pólenes;
  • Pelos de animais;

Há também diversos fatores ambientais, como o fumo de tabaco, ativo ou passivo, a poluição do ar e poluição doméstica.

Outros fatores que podem desencadear a asma

  • Exercício físico;
  • O uso de fármacos como a aspirina;
  • Inalação de ar frio;
  • Algumas infeções víricas;
  • O ambiente profissional, por exposição a substâncias que funcionam como alergénios ou como irritantes químicos.

Diagnóstico

É geralmente realizado com base na análise do padrão dos sintomas, na comprovação da reversibilidade dos sintomas com broncodilatadores e nos resultados de vários exames: 

  • Espirometria

A espirometria (exame à função pulmonar) é muito importante. Não só na confirmação do diagnóstico, mas também para controlar a evolução da doença e avaliar a resposta a determinada medicação;

  • Testes cutâneos

Testes cutâneos são úteis quando há suspeita de que a asma é desencadeada por inalação de alergénios;

  • Radiografia e análises ao sangue

A radiografia ao tórax e as análises ao sangue permitem avaliar a possibilidade de complicações ou alterações na evolução habitual da doença.

Grupos de risco

  • Idade pediátrica

É a idade de maior incidência da asma;

  • Adolescência 

Está habitualmente associada a alergias;

  • Idades tardias

Regra geral não está associada a alergias e é frequentemente mais grave.

Tratamentos

  • Broncodilatador

A asma é uma doença caracterizada pela obstrução das vias aéreas, pelo que o tratamento broncodilatador para alívio imediato deve acompanhar sempre estes pacientes. A medicação de alívio é mais rápida a atuar, mais segura e mais fácil de utilizar se for usada por via inalatória.

  • Medicamentos

Os medicamentos com efeito anti-inflamatório, como os corticoides, são obrigatórios para prevenir os sintomas, devendo ser usados idealmente por via inalatória e de uma forma regular. Se usados por via inalatória, são eficazes e têm poucos efeitos secundários.

  • Outras medicações

Em alguns doentes é necessário associar outras medicações como a inalação de broncodilatadores de ação prolongada e de anticolinérgicos (broncodilatadores com ação anti-inflamatória). No tratamento do indivíduo asmático o  objetivo é que tenha uma vida normal, que consiga dormir a noite toda sem acordar com asma, que seja capaz de exercer todas as atividades da vida diária sem sintomas e que consiga praticar desporto.

Muitos doentes conseguem permanecer sem sintomas por longos períodos, em muitos casos sem medicação ou com doses mínimas de medicação. Até porque, neste momento, existe já uma larga experiência com tratamentos biológicos para asmas graves de causa alérgica – anticorpo monoclonalanti-IgE – e a curto prazo estarão disponíveis novas terapêuticas biológicas para controlar a  inflamação em doentes com asmas mais graves.

Prevenção

  • Vacinas para a alergia: imunoterapia específica que previne a asma desencadeada por reação a determinados alergénios. Podem ser também uma forma de tratamento;
  • Prevenir infeções respiratórias;
  • Medidas de controlo do ambiente para diminuir a exposição a alergénios, como: ácaros do pó da casa; tabaco e fumo; poluição doméstica.

Tem cura?

Tal como a diabetes ou a hipertensão, a asma é considerada uma doença crónica, pelo que não existe cura, mas é possível controlar a frequência e intensidade dos sintomas.

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Especialidades em foco neste artigo

Colaboração

Dra. Aurora Carvalho

Pneumologia
Hospital Lusíadas Porto
PT