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A gravidez e o lúpus

O avanço da medicina já possibilita que metade das gestações em mulheres com lúpus sejam completamente normais. Em 25% dos casos podem nascer bebés prematuros. Em todos os casos são necessários cuidados redobrados.

Lúpus: o que é?

É uma doença relativamente rara e pode afetar qualquer pessoa, embora seja mais comum em homens do que mulheres (9 em cada 10). É uma doença autoimune, o que significa que as células imunitárias do nosso corpo passam a produzir anticorpos contra elementos situados no núcleo das suas próprias células – autoanticorpos anti-nucleares (ANA) – causando as lesões e os sintomas do LES. Há dois tipos de Lúpus Eritematoso: o Cutâneo e o Sistémico (LES). O primeiro afeta exclusivamente a pele, o segundo afeta os órgãos internos, além das articulações e músculos e pode ou não afetar a pele. O LES é uma doença reumática sistémica crónica e, à semelhança de outras doenças reumáticas, apresenta como sintomas mais comuns as dores nas articulações.

A gravidez e o lúpus

Antes de engravidar, a mulher com lúpus deve procurar o seu médico, de forma a planear todo o processo. Será necessário ajustar a medicação, até porque alguns medicamentos indicados para o LES não poderão ser tomados durante a gestação. "A doença em si não diminui a fertilidade, mas às vezes a terapêutica escolhida pode dificultar ou mesmo impedir a gravidez", explica a reumatologista Aurora Marques da Unidade de Reumatologia do Hospital Lusíadas Lisboa. De qualquer forma, os dados são encorajadores: 50% destas gravidezes têm um percurso normal e apenas em 25% dos casos os bebés são prematuros. De qualquer forma, o risco existe e os abortos espontâneos ou a perda do bebé podem ocorrer em 15 a 25% dos casos.

Cuidados a ter

Para que a saúde da mãe ou da criança não seja posta em causa, há cuidados que é preciso ter. No hospital Lusíadas Lisboa é feito esse acompanhamento de risco. "Há um grupo de doenças reumáticas sistémicas, cujo curso pode ser alterado pela gravidez e que têm maior risco obstétrico", explica Aurora Marques. Daí que haja entre as unidades de Ginecologia e Obstetrícia uma estreita abordagem "pré-concecional" e "pré-natal". "O objetivo é levar a bom termo a gravidez, garantindo a saúde da mãe e do bebé", reforça a médica.

Equipa multidisciplinar

A equipa que acompanha estes casos de lúpus inclui o obstetra, o reumatologista e outros especialistas sempre que necessário (como o nefrologista, por exemplo). "Há uma colaboração estreita, uma comunicação sempre presente entre os especialistas, mas as consultas são independentes", explica a especialista. E acrescenta: "Na fase de pré-conceção, é importante escolher as condições ideais para engravidar. É aconselhável que a doença esteja inativa e tem de se ajustar a medicação". Também é a melhor altura para que o casal, e mesmo os familiares mais próximos, colocarem todas as suas dúvidas.

Depois do parto

O acompanhamento não é feito apenas no início do processo, já que o parto e o pós-parto são igualmente importantes, de forma a continuar a garantir a saúde da mãe e do bebé. É necessário prever e tratar complicações, contando sempre com uma grande disponibilidade por parte dos profissionais envolvidos. Uma grande vantagem quando, a juntar a todas as ansiedades que a vida de um bebé pode trazer, se junta as limitações de uma doença reumatológica sistémica.

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Especialidades em foco neste artigo

Revisão Científica

Dra. Aurora Marques

Reumatologia
Hospital Lusíadas Lisboa, Clínica Lusíadas Parque das Nações
PT