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Há doenças no trabalho: as profissões de risco

Não são só os trabalhadores de construção civil que sofrem de problemas de coluna ou correm riscos de lesão, também os bailarinos e as bordadeiras da Madeira se encaixam neste grupo de risco. Os últimos dados apontam para 3173 casos identificados de doenças profissionais em Portugal só num ano (2008).

Num documento apresentado em 2013 pela Organização Internacional do Trabalho apresentavam-se números assustadores: 2,34 milhões de pessoas morrem todos os anos devido a acidentes e doenças relacionadas com o trabalho. De entre as doenças mais comuns surgem as lesões músculo esqueléticas (LMET), que são responsáveis por elevados níveis de absentismo e graus de incapacidade na maioria dos 27 Estados-membros da União Europeia; assim como de mais de 10 % de todos os anos perdidos por invalidez.

Grupos de risco de doenças no trabalho: mulheres

São as mulheres que mais sofrem de doenças profissionais decorrentes das lesões músculo esqueléticas provocadas por trabalhos repetitivos. Os homens, por outro lado, engrossam os números das vítimas de acidentes de trabalho.

Lesão de Esforço Repetitivo (ou LER)

É provocada pela execução de movimentos repetitivos e contínuos e favorecida por uma postura incorreta ou levantamento de pesos. A LER é outra doença cada vez mais comum e surge associada ao uso das novas tecnologias (nomeadamente a utilização do computador). Atividades como tocar piano, guiar camiões, fazer crochet ou bordar provocam igualmente lesões deste género. Por surgir no seguimento de um movimento que se repete de forma igual ao longo do tempo, é frequente só se dar pela LER quando já se instalou de forma dolorosa e põe em causa a continuação da realização da tarefa. Também a crise económica e o stresse daí decorrente – associado a um aumento de casos de assédio moral, sexual e outras formas de violência – têm levado ao surgimento de doenças cardiovasculares graves, à ansiedade, depressão e outros distúrbios mentais.

As profissões de risco

Dados da Direção-Geral de Saúde de 2008 indicavam um total de 3173 casos por doença profissional. Destes, a maioria (2826) foram provocados por agentes físicos (radiações, ruídos, iluminação insuficiente, pressão superior à atmosférica, vibrações ou cargas demasiado pesadas sobre nervos ou cartilagens). As restantes distribuem-se da seguinte maneira: 174 dizem respeito a doenças do aparelho respiratório; 103 foram doenças provocadas por agentes químicos; 27 dizem respeito a doenças infecciosas e parasitárias; 12 doenças cutâneas; e 31 doenças atípicas. Segundo a Agência Europeia Para a Segurança e Saúde no Trabalho, todas as profissões apresentam riscos, mas as mais afetadas são as seguintes:

  • Trabalhadores agrícolas, silvícolas e pescadores

Doenças profissionais: dermatoses, surdez, cancro da pele, doenças músculo-esqueléticas, intoxicações, alergias, lesões na coluna, lesões musculares, doenças infecciosas, dermites.

  • Trabalhadores da construção civil

Doenças profissionais: são os mais afetados pelas doenças provocadas pelas vibrações: alterações circulatórias, lesões dos nervos periféricos (síndromes dos canais cárpico e társico, entre outros), artroses do punho e do cotovelo, lesão dos discos intervertebrais e outras. As lombalgias são igualmente frequentes.

  • Carpinteiros

Doenças profissionais: deslizamento de vértebras (espondilolistese), desencadeado pelo levantamento de cargas pesadas; lesões de Esforço Repetitivo.

  • Motoristas

Doenças profissionais: Lesões de Esforço Repetitivo.

  • Enfermeiros

Doenças profissionais: lombalgias, mialgias, cervicalgias, perturbações do aparelho digestivo e do sono, fadiga, stresse.

  • Empregados de limpeza

Doenças profissionais: deslizamento de vértebras (espondilolistese) desencadeado pelo levantamento de cargas pesadas; lesões de Esforço Repetitivo.

  • Mineiros

Doenças profissionais: sofrem com frequência de osteonecrose disbárica (ou seja, a morte das células ósseas provocada por alteração da pressão atmosférica).

  • Operadores de máquinas e Carregadores/descarregadores

Doenças profissionais: lesões de Esforço Repetitivo, lombalgias, desgaste prematuro das vértebras lombares, cervicalgias, dores nos joelhos.

  • Artífices, alfaiates e bordadeiras

Doenças profissionais: lesões de Esforço Repetitivo, lombalgias, cervicalgias.

  • Secretários e datilógrafos

Doenças profissionais: tensões musculares no pescoço e nos ombros, dores nas costas e tendinites são as lesões mais comuns em quem trabalha sentado ao computador.

  • Os bailarinos

Os bailarinos têm sido um caso estudado pois sofrem frequentemente de doenças músculo esqueléticas incapacitantes, devido às solicitações excessivas do corpo. O seu curto percurso profissional pode ainda sofrer desgastes a nível mental e de degradação da qualidade de vida pessoal e familiar. As doenças profissionais são o exemplo máximo da democracia: podem afetar qualquer pessoa, de qualquer classe social, género ou profissão. Também são alvo de consenso: a prevenção é o melhor remédio – tende a ser mais eficaz e a custar menos dinheiro – e o absentismo é um dos maiores inimigos do desenvolvimento económico. Para acabar com os acidentes de trabalho e as doenças profissionais – já considerados uma epidemia mundial – é necessário o envolvimento de toda a comunidade. O seu e o nosso.

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