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Consulta do viajante: preparar uma viagem saudável

Uma viagem começa muito antes da partida. Conhecer os riscos associados ao destino e preparar a saúde com antecedência pode fazer a diferença para viajar com maior segurança e tranquilidade. Descubra os principais cuidados a ter e a importância da Consulta do Viajante.

Manual Prático de Saúde e Prevenção Baseado na Consulta do Viajante

1. Planeamento e Importância da Consulta do Viajante

A preparação de uma viagem de férias saudável requer atenção a diversas recomendações práticas, especialmente quando o destino escolhido é exótico. Nesses casos, torna-se essencial acautelar perigos e precaver o desenvolvimento de doenças infeciosas que possam comprometer a estadia. A realização de uma consulta do viajante constitui, assim, um passo crucial para assegurar a manutenção da saúde e minimizar a ocorrência de eventos prejudiciais ao estado físico e clínico do viajante.

Para garantir a eficácia de todas as medidas preventivas, o planeamento deve ser feito de forma atempada. É altamente recomendável que a consulta ocorra com uma antecedência mínima de um mês antes da partida. Este intervalo de trinta dias é o período ideal para que se possa garantir a implementação correta e atempada de eventuais medidas de profilaxia e vacinação recomendadas pelo médico assistente.

 

2. O Modelo de Personalização: Doente-Transporte-Destino

A essência da consulta médica reside numa abordagem estritamente personalizada, sintetizada no modelo tríade: Doente, Transporte e Destino. O objetivo central é realizar uma rigorosa avaliação de riscos inerentes à viagem e definir o aconselhamento específico sobre as medidas a adotar antes, durante e após a deslocação. Esta análise detalhada tem em conta múltiplos fatores:

  • Características Individuais: Avaliação detalhada das condições de saúde do viajante, com especial atenção a grupos mais vulneráveis, tais como grávidas, idosos ou pessoas com patologias crónicas. A presença de patologias cardíacas subjacentes exige também uma análise e preparação clínica muito cuidadosa.

  • Meio de Transporte: Análise dos riscos associados à deslocação. Por exemplo, em viagens aéreas de longa duração, são avaliados o risco de alterações de pressão no organismo (barotrauma) e o risco de desenvolvimento de trombose venosa nos membros inferiores.

  • Especificidades do Destino: Análise pormenorizada do local, incluindo as condições ambientais prevalentes. Fatores como a altitude extrema e o nível de exposição à radiação solar são os exemplos mais significativos de riscos que variam consoante o destino.

  • Plano de Viagem: Consideração da atividade programada, duração exata das estadias e o plano pormenorizado do itinerário, uma vez que as necessidades diferem drasticamente consoante as circunstâncias.

Para ilustrar este nível de personalização, damos como exemplo a diferenciação entre o aconselhamento necessário para um período de sete dias de férias na Ilha do Príncipe (em São Tomé e Príncipe), com alojamento em hotel e viagem em voo regular ser muito diferente daquele exigido para uma viagem de comboio transiberiano com destino a uma estadia no Tibete. Cada percurso e cada perfil exigem um protocolo de segurança próprio.

 

 3. Medidas Preventivas e Diretrizes de Comportamento

Geralmente, as medidas preventivas aplicáveis aos viajantes dividem-se em três pilares fundamentais:

1. Administração de vacinas obrigatórias ou recomendadas para conferir imunidade ativa contra agentes patogénicos específicos do destino.

2. Prescrição de medicações de profilaxia, as quais variam estritamente de acordo com o perfil clínico do viajante e as zonas a visitar.

3. Adoção de comportamentos específicos direcionados para a minimização de riscos de contágio ou outros problemas de saúde.

Entre as regras de comportamento mais críticas destacam-se os cuidados estritos de higiene alimentar e de consumo de água, necessários para prevenir doenças graves (especialmente em regiões com infraestruturas sanitárias menos desenvolvidas). Os viajantes devem sempre lavar muito bem as verduras e as frutas e garantir que consomem água proveniente apenas de fontes fidedignas.

 

4. Diretório Clínico de Doenças Infeciosas

Nas regiões e países em desenvolvimento, os riscos de infeção podem ser substancialmente maiores. No entanto, é importante sublinhar que podem existir riscos em qualquer país ou região do mundo. A distribuição geográfica das doenças é desigual entre nações e, mesmo dentro de um mesmo território, podem registar-se assimetrias profundas entre regiões, cidades e até bairros de uma mesma cidade. O seguinte diretório detalha as doenças a precaver prioritariamente através de recomendações médicas e vacinação:

Doenças a precaver com as recomendações médicas e vacinação:

  • Febre-amarela

Doença viral, grave e frequentemente fatal, transmitida por mosquitos encontrados na parte norte da América do Sul e diversas regiões de África. 

  • Tétano e difteria

Doenças infeciosas muitas vezes fatais. Podem ocorrer após a infeção de uma ferida ou lesão cutânea.

  • Hepatite A

A infeção é transmitida por via fecal-oral, através do contacto com doentes ou produtos infetados.

  • Hepatite B

Transmissão efetuada através do contacto com sangue infetado ou por via sexual. Ocorre a nível global, exigindo cuidados rigorosos de proteção.

  • Tifoide

Doença infeciosa grave prevalente em todos os países exóticos com climas quentes transmitida pelo consumo de água ou alimentos contaminados com a bactéria. Para evitar a infeção durante a estadia é essencial cumprir as regras básicas de higiene.

  • Poliomielite

Doença viral muito contagiosa que atinge principalmente as crianças, afetando o sistema nervoso e podendo causar paralisia. A infeção ocorre através de alimentos e água contaminados.

  • Malária

Infeção parasitária transmitida aos seres humanos através da picada de mosquitos infetados do género Anopheles, prevalente nas regiões tropicais do Sudeste da Ásia, África e América do Sul. 

 Nota: Todas as doenças listadas requerem medidas preventivas adequadas que devem ser discutidas detalhadamente com o médico durante a consulta.

 

 5. O Estojo SOS de Viagem e Assistência Logística

A consulta de saúde do viajante não se limita ao aspeto puramente médico de prescrição de vacinas ou profilaxias. Nela é igualmente prestado um aconselhamento geral muito prático sobre os aspetos logísticos e de segurança no país de destino, tais como:

  • Composição de um estojo SOS de viagem adaptado às necessidades do viajante e às especificidades do percurso.

  • Esclarecimento de normas e requisitos legais relativos à obrigatoriedade de certas vacinas para a entrada em determinados territórios.

  • Avaliação prévia das condições de assistência médica e de segurança existentes no país de destino, permitindo ao viajante precaver-se contra imprevistos.

     

 6. Monitorização Pós-Viagem: O Regresso Seguro

Por fim, a responsabilidade com a saúde do viajante não cessa no momento em que a viagem termina. Salienta-se que, em determinados casos específicos, é altamente pertinente o regresso à consulta médica após o retorno ao país de origem. Esta consulta pós- viagem tem como finalidade realizar uma avaliação diagnóstica adequada e precoce, sendo especialmente recomendada em duas situações principais: estadias de longa duração em destinos internacionais e/ou viagens que tenham comportado um risco elevado de ocorrência de doenças transmissíveis.

A deteção atempada de sintomas e a realização de exames diagnósticos específicos garantem que quaisquer complicações contraídas no estrangeiro possam ser tratadas de forma célere e segura, protegendo o viajante e a comunidade.

Revisão científica: Enf.ª Liliana Nunes | Enfermeira Especialista em Saúde Infantil e Pediatria (Hospital Lusíadas Lisboa)

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