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Exames ao coração: quais são, como funcionam e quando deve fazer? 

O universo das doenças cardíacas é vasto e, hoje em dia, os meios de diagnóstico são cada vez mais especializados. Existem diversos exames ao coração que poderão ser aconselhados para cada situação específica, e cabe ao médico cardiologista adequar o exame às queixas do doente.  

Neste artigo, com o apoio da Cardiologista Dra. Mariana Santos Castro, vamos explorar várias doenças cardiovasculares que afetam a população e os exames que ajudam a diagnosticar e perceber o que se passa com este que é um dos órgãos mais importantes do seu corpo.  
 
Quais são as principais doenças cardíacas que afetam a população portuguesa?   
 
As doenças cardíacas têm vários tipos e podem ter várias causas ou fatores de risco.  
Destaca-se a aterosclerose como uma das mais preocupantes: esta é uma doença obstrutiva das artérias que pode atingir o coração e dar origem ao enfarte agudo do miocárdio, das artérias do cérebro e também provocar AVCs.  
 
Os fatores de risco deste tipo de doença são a hipertensão, colesterol alto e diabetes, que são também doenças frequentemente analisadas em consulta de Cardiologia.  
 
Outros exemplos de doenças comuns que atingem o coração são as arritmias, a insuficiência cardíaca, as doenças das válvulas do coração e da aorta, as doenças congénitas cardíacas, entre muitas outras menos frequentes.  
 
A partir de que idade é recomendado fazer um check-up ao coração? 
 
É recomendado que se investigue sempre que haja sintomas.  
 
No caso de pessoas assintomáticas, recomenda-se que os homens façam um Check-up a partir dos 40 e as mulheres a partir dos 50. 
 
Pode justificar-se que se faça antes por exemplo nos atletas, ou no caso de pessoas com história familiar de doenças cardiovasculares. 
 
Uma das questões mais importantes nos doentes assintomáticos é a estratificação de risco (perceber se o doente tem hipertensão, historial familiar, colesterol alto, diabetes, estabelecendo-se o nível de risco – baixo, intermédio, alto ou muito alto).  
 
Se se tratar de uma pessoa saudável sem fatores de risco cardiovasculares, com nível de risco baixo, então devem repetir-se os exames pelo menos de 5 anos em 5 anos e sempre que surjam novas queixas que o justifiquem.  
 
Estas são as recomendações gerais, mas deve manter sempre um seguimento regular no médico de família. 
 
Quais os fatores de risco comuns que se podem prevenir e que são responsáveis pelas doenças do coração? 
 
Muitas das doenças cardiovasculares são potencialmente evitáveis, pelo que é essencial conhecermos e tratarmos os fatores de risco. É também por isso que faz sentido falarmos em rastreio e prevenção.  
 
Quando falamos de fatores de risco para este tipo de doenças estamos a falar da hipertensão, colesterol alto, tabagismo, sedentarismo, obesidade, doenças inflamatórias, apneia do sono, stress, depressão, entre outros. 
 
Assim, é importante diagnosticar estes fatores de risco e tratá-los apropriada e atempadamente.  
 
Quais são os principais exames feitos ao coração? 
 
Existem vários exames que podem ser feitos para diagnosticar doenças cardíacas: o mais importante é adequar o exame às queixas do doente. Temos exames que fazemos para entender o ritmo, outros para perceber a estrutura, ou até para testar a reação do coração a diferentes níveis de esforço.  
 
Exames habitualmente utilizados numa avaliação inicial:  
 
Análises de sangue para verificar o colesterol, glicemia, acido úrico e marcadores específicos do coração;

Eletrocardiograma (ECG): é um exame médico não invasivo que regista a atividade elétrica do coração. O coração é um músculo que funciona graças a impulsos elétricos regulares que controlam a contração e o relaxamento do coração. O ECG regista esses impulsos elétricos, diagnostica arritmias, sugerindo possíveis alterações estruturais e funcionais do coração; 

Ecocardiograma: permite ver a estrutura do coração, e como o sangue circula dentro do mesmo. Vemos as válvulas, o músculo cardíaco e a forma como funcionam; 

Prova de esforço: inicialmente muito utilizada para avaliar a doença das artérias do coração é, hoje em dia, menos usada com esse propósito (uma vez que existem melhores exames com esse objetivo). É ainda bastante útil na avaliação da tolerância ao esforço, da presença de arritmias e da evolução da frequência cardíaca e tensão durante o exercício; 

Holter (exame de 24h): durante 24 horas vemos o que acontece com o ritmo cardíaco – serve para o diagnóstico de arritmias não permanentes;  

MAPA: mede a tensão durante 24h. É um exame muito fidedigno para o diagnóstico de hipertensão, mais ainda nos doentes com hipertensão da bata branca ou noturna; 

Score Calcio: útil para estratificar o risco. Expõe o paciente a muito pouca radiação e é um exame muito simples que permite verificar se existe, ou não, cálcio nas artérias, e se a quantidade é a esperada para uma pessoa de determinada idade. Doentes com scores de cálcio elevado ou muito acima do esperado para a sua idade têm também um elevado risco cardiovascular, e nestes temos de ser muito rigorosos a controlar os factores de risco.  
 
Exames mais dirigidos a determinadas doenças:  
 
Angio TC coronário: exame não invasivo, que é um TC com contraste em que conseguimos ver as artérias do coração e diagnosticar e quantificar obstruções nos vasos. Estas obstruções poderão ser responsáveis por sintomas como dor no peito ou até originar enfartes agudos do miocárdio; 
 
Ressonância cardíaca: exame que permite ver a estrutura e função do coração. Para avaliar a doença das artérias podemos recorrer a um medicamento que imita o esforço e perceber se durante o “esforço” há sofrimento do músculo cardíaco. Se tal acontecer, é sugestivo de existência de obstrução das artérias.  
  
Ecocardiograma com sobrecarga de esforço ou farmacológica: é um exame em que conseguimos avaliar a estrutura e função do coração em esforço com o doente na passadeira ou na pedaleira ou administrando um medicamento que imita o esforço. É útil também para investigar a presença de doenças das artérias do coração, ou para compreender a gravidade de doenças valvulares;

Cintigrafia de perfusão miocárdica: é também um exame, neste caso feito com um radiofármaco, que permite ver como é que o sangue chega ao músculo do coração quando este está em esforço, com esforço na passadeira ou com um fármaco que imita o esforço.  
 
Exames invasivos que permitem o diagnóstico e terapêutica: 
 
Cateterismo cardíaco: gold standard para observar as artérias do coração. Trata-se de um exame invasivo em que através da artéria do punho ou da perna chegamos com cateteres até as artérias do coração, e com uma injeção de contraste conseguimos perceber se estão obstruídas. Em grande parte dos casos em que existe obstrução, consegue tratar-se com este exame;  

Estudo Eletrofisiológico: exame invasivo em que induzimos e tratamos algumas das principais arritmias cardíacas.  
 
Os métodos de diagnóstico na área de cardiologia são cada vez mais avançados e na Lusíadas Saúde poderá ter acesso a todo o tipo de exames cardiovasculares.  
 
No Hospital Lusíadas de Lisboa tem à sua disposição o Centro Cardiovascular, uma unidade especializada onde qualquer doente – saudável ou com alguma queixa - poderá encontrar soluções e tratamentos para o seu caso específico.  
 
Damos resposta a todos estes exames, conseguindo com a nossa unidade de ambulatório, unidade de hemodinâmica e internamento abranger todo o vasto leque de doenças do coração. 
 
A prevenção de doenças cardíacas passa por adotar hábitos saudáveis, na alimentação, no nível de atividade física e até no nível de stress do dia a dia. Comece já a cuidar da saúde do seu coração: adeque a sua alimentação, deixe de fumar, faça caminhadas diárias, opte pelas escadas em vez do elevador... Cada dia e cada uma dessas escolhas, poderá fazer toda a diferença no seu bem-estar futuro.  
 
 
 
 
 

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Dra. Mariana Santos Castro

Dra. Mariana Santos Castro

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