Lusiadas.pt | Blog | Crianças | Idade escolar | O ensino e as novas tecnologias
3 min

O ensino e as novas tecnologias

Há novas ferramentas ao serviço do ensino, que passam pelo uso da tecnologia, mas também do conhecimento que já existe sobre a forma como o nosso cérebro aprende. Ser desafiado a pensar, a comunicar com o mundo e a criar: o futuro também passa por aqui.

"A escola do futuro não é necessariamente uma escola repleta de tecnologia, é aquela que permite a cada aluno desenvolver os seus próprios talentos, que promove um ensino diferenciado, onde os alunos são desafiados a pensar, a explorar, a comu­nicar e a criar. A 'escola do futuro' deve derrubar as paredes da sala de aula e os muros da escola, permitindo ao aluno a interação com o mundo e deixando que o mundo tome parte no processo educati­vo."

Esta é a visão de Rui Lima, diretor pedagógico do Colé­gio Monte Flor, em Carnaxide, que está entre as 80 escolas mais ino­vadoras do mundo, segundo a Microsoft. As novas tecnologias já chegaram a esta escola primária do concelho de Oeiras, mas o modelo de ensino é o tradicional. "É necessária uma mudança de paradig­ma. Para quando? Para ontem!", alerta Rui Lima. A escola tem de se adaptar à sociedade de hoje: mais exigente, mais dinâmica, mais in­terativa. Para este professor, é tempo de mudar a dinâmica da sala de aula.

"É preciso promover outras experiên­cias de aprendizagem. É aqui que entra a tecnologia, como mais uma fer­ramenta e não em substituição do lápis, do ca­derno ou do livro. Para que o conhecimento ganhe senti­do, o professor Rui Lima defende ainda um ensino individualizado, "onde os alunos sejam desafiados a comunicar, a trocar ideias uns com os outros, com especia­listas, com pessoas que lhes enriqueçam a aprendizagem, mesmo fora da sala de aula". A interação é fundamental.

O cérebro e a aprendizagem

Com as novas tecnologias, a matéria dada nas aulas ganha vida através de ví­deos e de uma série de possibilidades in­terativas. Efetivamente, "a facilidade de acesso a estes estímulos pode, quando bem utilizada, facilitar alguns processos de aprendi­zagem", diz José Vale, Coordenador da Unidade de Neurologia do Hospital Lusíadas Lisboa. Nomeada­mente em alunos com mais dificuldades ou mesmo problemas cognitivos. Mas alerta: "Ter acesso a informação não quer dizer ter conhecimento, muito me­nos sabedoria.

Esta só acontece quando os estímulos ganharam, de facto, um significado relevante e essa aquisição se adaptou numa estrutura neuronal em desenvolvimento." O especialista esclarece ainda que "o desenvolvimento intelectual resulta da construção de um equilíbrio progressivo entre a aquisição de nova informação e a sua integração de forma adaptada à estrutura em desenvolvimento. Esta aprendizagem é facilitada pelas emoções e pela repetição. Os estímulos devem ocorrer nos tempos corretos e de acordo com o desenvolvimento intelectual. Este exercício deve ser estimulado e trabalhado (repetido). Se forem respeitados estes princípios, o cérebro vai aprender", assegura.

Ensino ao longo da vida

É um facto que as novas tecnologias obri­gam a uma aquisição contínua de conhe­cimentos pois, se por um lado criam novos empregos e novas profissões, por outro implicam a aquisição de competências específicas para as desempenhar. A aprendizagem é, assim, contínua e deter­minante.

Fruto, não só, da assimilação pura de informação, mas também da interação entre todos os intervenientes do processo educativo – professores, alunos, formadores e profissionais. Rui Lima tem uma fórmula – "Um ensino do século XXI é aquele capaz de promover as competências para este século: a co­laboração, a criatividade, o pensamento crítico, a comunicação, a literacia digi­tal, o empreendedorismo ou a capacida­de de trabalhar em contextos culturais diversificados." E remata: "Uma educa­ção para o mundo real, não uma educa­ção obcecada com testes, exames e for­matação de pensamento e ideias".

Leia o texto completo na edição da revista Lusíadas, premiada nos Content Marketing Awards de 2015.

Ler mais sobre

Criança

Este artigo foi útil?

We appreciate the feedback.

Please include your email if you want us to follow up with you.

Especialidades em foco neste artigo

Colaboração

Dr. José Vale

Coordenador da Unidade de Neurologia

Neurologia
Hospital Lusíadas Lisboa
PT