Qual o desporto certo para o seu filho? Só ele sabe
O desporto no início do ciclo da vida
Se as competências físicas conferidas pela prática desportiva são óbvias – combate à obesidade, coordenação motora, fortalecimento muscular –, nunca é demais relembrar as vantagens sociais e psicológicas. Autoconfiança, capacidade de superação, de trabalhar em equipa e de lidar com o fracasso.
“Os pais devem transportar o que os filhos aprendem no desporto para o dia a dia. Se a criança joga voleibol e no início não sabe servir, mas melhora com o treino, esse exemplo deve ser usado para a motivar na escola. Assim, ela vai saber que, mesmo que um teste corra mal, com estudo e dedicação vai ter melhores resultados. A criança retira gratificação da sua evolução”, diz Miguel Barros. “O importante é que o desporto seja útil na melhoria da relação da criança com ela própria e com os outros. Pode ajudar no ciclo da vida que permite um desenvolvimento saudável: ser amado e reconhecido pelos outros, para depois se amar e reconhecer a si próprio, de forma a poder amar e reconhecer os outros.”
Desportos individuais vs desportos de equipa
Uma das primeiras questões que os pais colocam quando querem pôr os miúdos a mexer, é se devem optar por uma modalidade individual ou coletiva. Miguel Barros defende que até aos 4-5 anos, se deve optar por atividades singulares mais simples: natação, ginástica ou ballet.
Por volta dos 6-7 anos, pode começar com jogos mais complexos, como o ténis. “Daí em diante, as modalidades coletivas, como o futebol, o rugby, o basquete ou o voleibol, tornam-se apelativas e importantes, mas sem uma pressão competitiva elevada”, diz o psicólogo. “Nestes jogos, deve prevalecer o espírito de equipa, a solidariedade, ajudar e ser ajudado, ganhar e ser felicitado, perder e ser apoiado, todas elas ações importantes no domínio social”.
Estes valores contam com alguns inimigos – treinadores que colocam as vitórias acima do desportivismo e pais que vão para os recintos berrar com os árbitros. “Em vez de sentirem prazer no jogo, as crianças podem sentir-se pressionadas, frustradas e ansiosas”, diz o psicólogo.
Desporto certo para o seu filho: não há receitas mágicas
Uma criança que sofre bullying deve ir para o karaté aprender a defender-se. Um miúdo tímido deve entrar numa equipa para aprender a socializar. Se o seu filho é teimoso, torne-o atleta porque vai querer bater os seus próprios tempos. A internet está cheia de artigos que prescrevem qual o desporto certo para o seu filho e qual é o mais adequado para a identidade de cada criança. “Mas isso é tão subjetivo”, lamenta Miguel Barros.
“Uma criança introvertida pode, de facto, melhorar no seio de uma equipa de futebol. Contudo, se não gostar, se estiver à parte, vai ter uma experiência negativa. Por outro lado, se for focada, modalidades como o ténis ou a natação podem conferir-lhe mais prazer ”.
O psicólogo não rejeita, porém, que as características de algumas modalidades possam ajudar na superação de problemas: “Uma criança avessa ao contacto físico poderá encontrar no rugby, que contém um conjunto de valores éticos, uma saída para o seu bloqueio”.
Mas o melhor é mesmo não se fiar em receitas que lhe dizem qual o desporto certo para o seu filho: exponha-o a vários desportos, leve-o a experimentar, explique-lhe bem as regras. Vai ver que num deles ele se vai sentir um campeão.
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