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Carcinoma: que tipos existem e como prevenir

Há vários tipos de carcinomas, que variam consoante o tecido em que surgem. 

Os carcinomas são um tipo de neoplasia maligna que pode surgir em vários tecidos do corpo. “Um carcinoma é uma neoplasia maligna que deriva das células epiteliais”, explica Tiago Mestre, dermatologista do Hospital Lusíadas Albufeira. Por isso, acrescenta, pode aparecer em “todos os tecidos revestidos por epitélios”, como o rim, o tecido mamário, os pulmões, os órgãos do sistema digestivo, entre outros. 
 
Os epitélios são camadas celulares, que formam um tecido contínuo, que cobre superfícies do corpo. Podem ter várias camadas, como, por exemplo, na pele (nesse caso estratificado) ou apenas uma, como o epitélio que reveste o tubo digestivo.

Carcinomas da pele

Apesar de serem provenientes do mesmo tecido, os carcinomas não são iguais. “Geram cancros com comportamento biológico e potencial de metastização diferentes”, explica o especialista. “Por exemplo, no caso do carcinoma de células basais da pele, o potencial metastático é quase inexistente enquanto no carcinoma de células de Merkel é elevado”, exemplifica. Os tipos mais comuns de carcinomas da pele são o carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular, que, juntos, são mais frequentes do que todas as outras neoplasias de todos os outros órgãos. 

Carcinoma basocelular

O carcinoma basocelular é o cancro de pele mais comum. Surge a partir de células da camada basal da epiderme e tem um desenvolvimento muito lento. É raro espalhar-se para outras regiões do corpo. Mais de 50% dos indivíduos que apresentam um carcinoma basocelular antes dos 50 anos terão um novo ao longo do resto da sua vida.
 
Apesar de se desenvolver lentamente, a deteção precoce é fundamental, pois permite limitar a morbilidade e o impacto da cicatriz e reparação, principalmente em áreas cirúrgica e cosmeticamente sensíveis como a face, o seu local mais comum. 

Carcinoma espinocelular

O carcinoma espinocelular é o segundo cancro de pele mais comum. Surge em regiões da pele com grande exposição ao sol e aos raios ultravioletas, como a cabeça, o pescoço, o tórax, as orelhas, os lábios, os membros ou as mãos. Um dos sintomas comuns é a transformação de uma queratose actínica (pequenas lesões ulceradas com crosta) numa lesão nodular com potencial de rápido crescimento e metastização.

Apesar de em muitos casos se desenvolver lentamente, este carcinoma pode espalhar-se para tecidos próximos, como pulmão ou gânglios linfáticos. Torna-se, por isso, importante o diagnóstico precoce e tratamento adequado com margens de segurança, realizados por especialistas devidamente treinados. 

Causas e comportamentos de risco

Relativamente às causas associadas ao aparecimento dos carcinomas que afetam a pele, assumem extrema importância a radiação ultravioleta, outros tipos de radiação, algumas síndromes e mutações que conferem suscetibilidade genética, bem como a exposição a substâncias oncogénicas.
 
Há comportamentos de risco bem conhecidos: “A exposição solar marcada em indivíduos com fototipo baixo e com risco genético”, diz Tiago Mestre. “Nem todos os carcinomas da pele dependem da radiação solar, mas quase todos são influenciados pela exposição excessiva ao sol. Por isso, a proteção solar é tão importante, desde a infância”, destaca o dermatologista.

Sinais e diagnóstico 

Todas as lesões de pele novas, com um crescimento rápido ou com uma modificação devem ser analisadas por um dermatologista. “A autovigilância é, sem dúvida, uma ótima ajuda, assim como uma observação médica regular.”
 
O diagnóstico é clínico na grande maioria dos casos, mas pode ser auxiliado por técnicas da Dermatologia, como a dermatoscopia manual ou digital (análise da pele pelo dermatologista usando imagem digital comparativa por aparelhos e  software específico) e a microscopia confocal (que usa um microscópio avançado para a análise das lesões in vivo). 

“No entanto, a confirmação, tanto do diagnóstico clínico, como do estadiamento e tratamento, é na maioria dos casos cirúrgicos com o apoio do resultado histológico”, acrescenta Tiago Mestre. Por vezes, mesmo com o apoio de técnicas de imunohistoquímica, não é possível definir a proveniência da célula inicial, sendo um carcinoma indiferenciado.”

Tratamento

A cirurgia é a principal forma de tratamento. Em alguns casos de diagnóstico precoce, em áreas de baixo risco, os carcinomas basocelulares podem ser tratados com cremes, criocirurgia (destruição de tecidos orgânicos através do frio), laser ou terapêutica fotodinâmica. Outras vezes a radioterapia pode assumir um papel de tratamento, adjuvante ao tratamento cirúrgico ou até paliativo. Apesar do perigo de um carcinoma em estadio avançado, o especialista realça os “avanços extraordinários dos últimos anos na área da Oncologia, nomeadamente da imunoterapia e de novas moléculas capazes de inibir vias de sinalização celular oncogénicas”, capazes de melhorar o prognóstico de muitos doentes.

Prevenção

 A melhor forma de prevenção dos carcinomas de pele é evitar a exposição solar excessiva e as queimaduras solares desde a infância. Além disso, “a educação para a saúde, tanto nos comportamentos como [no reconhecimento] dos sinais de alarme, juntamente com tudo o que leve a um diagnóstico precoce dos cancros de pele” são formas importantes de prevenção, termina Tiago Mestre.

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Especialidades em foco neste artigo

Colaboração

Dr. Tiago Mestre

Dermatologia
Hospital Lusíadas Albufeira, Clínica Lusíadas Faro
PT