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Gordura visceral: o que é e que perigos tem

Metabolicamente ativa, esta gordura contribui para a hipertensão e diabetes.

A gordura visceral está dentro da cavidade abdominal e envolve órgãos como o fígado, o estômago, o intestino ou mesmo o coração (este na cavidade torácica). Juntamente com a gordura subdérmica que existe no abdómen, a gordura visceral é responsável pela típica “barriguinha” dos homens ou pela cintura larga que se associa às pessoas obesas.

“O grande epíploon pendurado na cavidade abdominal é um dos componentes da gordura visceral”, explica Rui Ribeiro, médico e coordenador do Centro Multidisciplinar da Doença Metabólica da Clínica de Stº António do Grupo Lusíadas
 

Uma gordura ativa

Embora a gordura visceral seja uma importante reserva de energia e proteja fisicamente os órgãos situados no abdómen, quando começa a acumular-se, causa vários problemas de saúde.

O grande epíploon (também conhecido como grande omento), uma espécie de prega que cai do estômago e que cobre os órgãos da cavidade abdominal, tem funções imunitárias e fisiológicas, mas também acumula gordura.

Os adipócitos têm neste tecido “um maior tamanho e são em menor número, mas são muito ativos metabolicamente através das substâncias que segregam”, explica o especialista.

Este é um dos grandes problemas da gordura visceral. O seu crescimento vai alterar o funcionamento fisiológico com efeitos prejudiciais à saúde.

Um exemplo é o aumento da leptina. A leptina é a hormona que confere uma sensação de saciedade após a refeição e é importante para o metabolismo. Nos indivíduos obesos, o organismo ganha resistência à ação da hormona, o que provoca um excesso de produção para compensar a função reduzida, tornando mais difícil atingir a sensação de saciedade e levando a comer mais. 
 

Riscos para a saúde

Outra consequência negativa é a produção de substâncias pró-inflamatórias pela gordura visceral. Elas “são responsáveis pelo aparecimento de hipertensão, diabetes, alteração do metabolismo dos lípidos (colesterol e triglicéridos), enumera Rui Ribeiro. É provável, ainda, que o excesso de gordura tenha um papel importante na apneia do sono.

No caso da diabetes tipo 2, que se adquire ao longo da vida, a gordura visceral contribui para a desregulação do metabolismo dos açúcares.

As substâncias pró-inflamatórias produzidas pelos adipócitos contribuem para que tecidos como os músculos e o fígado resistentes à insulina, uma hormona que lhes permite, num estado normal, absorver o açúcar. Sem isso, o açúcar começa a acumular-se no sangue provocando os problemas associados à diabetes.

O excesso de gordura visceral também se reflete no fígado, produzindo a hepatite crónica não alcoólica. Esta doença pode desencadear uma cirrose hepática que, por sua vez, pode provocar um cancro naquele órgão.

“O fígado gordo não tem tratamento medicamentoso ou cirúrgico”, assegura Rui Ribeiro. Apenas a redução de peso pode contrariar esta situação. 

No seu conjunto, estes problemas tornam-se numa “síndrome metabólica que leva ao desenvolvimento das doenças cardiovasculares, coronárias, gangrena dos membros inferiores e a insuficiência renal”, diz o médico, evidenciando a gravidade da situação: “É o que mais mata no mundo, mais do que o cancro.”

O próprio aumento do volume abdominal tem, por si só, consequências negativas, já que a pressão exercida nos outros órgãos pode provocar hérnias umbilicais, inguinais ou refluxo gastroesofágico.
 

Como identificar, evitar e tratar

A medição da gordura visceral pode ser feita através de uma tomografia computorizada, ressonância magnética ou ecografia. Medir a circunferência da cintura é apenas uma forma mais imediata de perceber o risco que se corre.

Os homens não devem ter mais do que 94 centímetros, enquanto as mulheres não devem ter mais do que 80 centímetros. No entanto, deve ser sempre um médico a fazer esta avaliação.

A melhor forma de evitar o excesso de gordura visceral é manter uma alimentação saudável, rica em fibras e pobre em gorduras, fazer exercício físico regularmente, evitar o stresse e dormir o necessário diariamente.

Para quem tem excesso de gordura visceral, a dieta e o exercício são fundamentais. Muito importante, ainda, é o consumo de álcool. “Quem ingere muito álcool tem tendência a ter mais gordura visceral”, assegura o médico.
 

Magro, mas obeso?

Nem sempre as pessoas magras estão imunes ao excesso de gordura visceral. “Há uma componente genética neste aspeto. A genética de um indiano, por exemplo, implica uma grande quantidade de gordura visceral. Um indiano com 75 kg pode ter uma quantidade de gordura total que faz com que o possamos considerar obeso”, explica o especialista.

“O contrário também acontece, um atleta caucasiano de râguebi pode ter 130 kg e quase nenhuma gordura”, acrescenta.

Por outro lado, há pessoas com mais tendência para acumular gordura visceral. “Eventualmente há um contributo genético. Mas não sabemos quais são os fatores”, avisa Rui Ribeiro.

E como se pode saber se alguém tem tendência para acumular gordura visceral? “Há indicadores muito próprios, como um exame físico da doença. A papada cervical e um grau avançado do duplo queixo são bons indicadores de que os doentes vão ter gordura visceral em excesso.”

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Especialidades em foco neste artigo

Colaboração

Dr. Rui Ribeiro

Coordenador da Unidade de Cirurgia Geral

Cirurgia Geral
Clínica de Stº António, Clínica Lusíadas Sacavém
PT