Lusiadas.pt | Blog | Doenças | Sintomas e tratamentos | Será que a ejaculação precoce é psicológica?
5 min

Será que a ejaculação precoce é psicológica?

Um em cada quatro homens poderá sofrer desta disfunção sexual, que tem consequências tanto a nível pessoal como relacional. A boa notícia é que há tratamentos eficazes para o problema.

A ejaculação precoce (EP) é uma das disfunções sexuais mais comuns nos homens. O que acontece? De um modo resumido, durante o ato sexual os homens com este problema atingem o orgasmo e ejaculam demasiadamente rápido e sem controlo. “A ejaculação precoce deverá existir em cerca de 25% da população masculina”, diz Carrasquinho Gomes, médico urologista da Clínica de Stº António.

É verdade que as causas deste problema podem ser psicológicas, mas também há situações em que a disfunção está associada a problemas fisiológicos. Além disso, há homens com ejaculação precoce desde o início da sua vida sexual, enquanto outros veem o problema surgir a meio da sua vida.

Todas estas variantes revelam a complexidade de um problema que é causa de uma enorme angústia. “Os pacientes com ejaculação precoce são, na sua maioria relutantes na procura de ajuda, seja pela vergonha em partilhar a sua queixa ou por pensarem que não há tratamento”, explica o médico, acrescentando que “é importante lutar contra este padrão, já que há respostas eficazes contra o problema”.

Ejaculação precoce: definição

Um estudo que analisou 500 casais em cinco países diferentes demonstrou que o tempo médio que vai da penetração até à ejaculação é de cinco minutos e meio, lê-se no site do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido na introdução sobre ejaculação precoce. Mas estes resultados estatísticos têm um valor relativo, já que, a nível pessoal, não existe uma duração padronizada para a duração do ato sexual e “cabe a cada casal decidir se estão felizes com o tempo que a atividade sexual dura”.

Do ponto de vista fisiológico, no entanto, o que acontece nos órgãos sexuais masculinos pode ser descrito com precisão. A excitação sexual leva à ereção do pénis. Num certo momento, há um comando cerebral para que os espermatozoides armazenados nos testículos (onde foram previamente produzidos) viajem pelos canais deferentes e passando junto da vesícula seminal e da próstata, fiquem em suspensão nos líquidos seminais indo constituir o sémen.

Finalmente, num momento de maior excitação, o cérebro comanda os músculos para que o sémen seja expulso pela uretra, dando-se a ejaculação. Na grande maioria das vezes, a ejaculação coincide com o orgasmo. Em cada homem, este processo fisiológico pode durar mais ou menos tempo, e é normal que haja vezes em que é particularmente rápido.

Mas os homens com ejaculação precoce desde o início da sua vida sexual costumam ejacular em 30 a 40 segundos após a penetração. A definição da doença, contudo, vai para lá da duração. “Há que ter em consideração a combinação de diferentes variáveis: o tempo de latência ejaculatória intravaginal” (que é o período de tempo desde a penetração vaginal até à ejaculação e que tem sido usado para se determinar o fator temporal), “o grau de perda do autocontrole da ejaculação, a angústia causada e as consequentes dificuldades criadas nas relações interpessoais”, detalha Carrasquinho Gomes, explicando que é preciso ter em conta estas premissas no processo do diagnóstico.

“O tempo de latência para a ejaculação varia entre os homens e perante diferentes situações de estímulo sexual, podendo ocorrer durante ou mesmo antes da penetração e com estímulos mínimos”, acrescenta. “Existem casos em que a doença está ligada a uma situação de disfunção erétil”, ou seja, quando o homem tem dificuldade em ter ereções, refere ainda o urologista. “Níveis grandes de ansiedade provocadas por disfunção erétil pioram ou podem condicionar a ejaculação precoce”, diz. “É importante diferenciar disfunção erétil de EP”, acrescenta, já que o diagnóstico e o tratamento são diferentes.

Causas e consequências

Carrasquinho Gomes afirma que a causa base que origina a ejaculação precoce é desconhecida. “Causas neurofisiológicas e/ou comportamentais e causas médicas atuando separadamente ou em sintonia contribuem para a manutenção ou agravamento da ejaculação precoce”, diz o médico.

Do ponto de vista orgânico, a inflamação crónica da próstata associada à idade, o hipertiroidismo, a obesidade, e o consumo e a desintoxicação de drogas podem originar a EP. Além disso “o stresse, a ansiedade pela baixa performance sexual, problemas emocionais, alterações comportamentais e outros problemas psicológicos, experiências sexuais traumáticas e de relação e/ou disfunção erétil” são outras razões para o desenvolvimento deste problema.

Todas estas questões, de modo geral, estão associadas ao aparecimento da EP a meio da vida sexual ativa do homem. Nos casos em que esta disfunção existe desde o início da atividade sexual, o médico argumenta que “provavelmente a situação terá base genética com envolvimento de mecanismos neurofisiológicos como a hipersensibilidade peniana, o reflexo ejaculatório excessivo, entre outros”.

No site do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido explica-se ainda que nestes casos pode ter havido também processos de condicionamento. “É possível que as experiências sexuais iniciais possam influenciar o comportamento sexual. Por exemplo, se um adolescente se obrigar a ejacular rapidamente para evitar ser apanhado a masturbar-se, pode ser mais difícil depois quebrar este hábito”, lê-se no site. Independentemente da causa, a ejaculação precoce provoca efeitos negativos quer a nível pessoal, quer a nível relacional.

“A perspetiva de EP provoca pouco relaxamento previamente e durante o ato sexual, levando a baixa satisfação com as relações sexuais, menor frequência como mecanismo de defesa, ansiedade, eventual depressão e, por último, disfunção na relação”, resume o urologista. “Todo este processo acaba por condicionar a extensão da perda de autoconfiança em múltiplas atividades do dia a dia.”

Tratamentos

O objetivo final do tratamento médico da ejaculação precoce é dilatar o tempo entre a penetração e a ejaculação. Antes de mais, há que tratar primeiramente doenças associadas ao problema, como doenças na próstata. No caso de haver disfunção erétil, também é necessário atacar este problema.

Depois, para a EP primária (que ocorre desde sempre), é recomendado o uso de fármacos que atrasam a ejaculação. “O tratamento mais antigo da EP e ainda hoje amplamente usado, é a aplicação local de anestésicos sempre que vai haver uma relação sexual, com o que se pretende diminuir a sensibilidade da glande [do pénis]”, explica Carrasquinho Gomes.

Dos medicamentos de toma oral, alguns têm efeito imediato e podem ser usados previamente a cada relação sexual, enquanto outros são tomados continuadamente, sendo que o efeito máximo é atingido habitualmente ao fim de dez dias. “A terapêutica oral baseia-se no uso de inibidores seletivos da recaptação da serotonina e antidepressivos”, explica Carrasquinho Gomes.

Além da medicação, a terapia comportamental tem ainda um papel importante “especialmente em homens com EP adquirida [ao longo da vida]”, diz o médico. Devido à renitência de muitos homens em tentar resolver este problema, o urologista defende que “é necessário espalhar a mensagem de que hoje é possível obter ótimos resultados com os tratamentos disponíveis”, de modo a motivar os doentes.

Carrasquinho Gomes destaca ainda a importância de haver equipas médicas multidisciplinares preparadas para lidar com estes casos. “Há que criar as condições para que haja grande empatia entre a equipa médica e o doente, minorando as recusas e os abandonos dos tratamentos”, conclui.

Em suma

A ejaculação precoce é uma disfunção mais frequente do que se possa imaginar e causa vários problemas a nível pessoal e relacional, deixando estes homens particularmente vulneráveis. Mas a Medicina tem respostas para esta disfunção, que, felizmente, pode ser tratada.

Este artigo foi útil?

We appreciate the feedback.

Please include your email if you want us to follow up with you.

Especialidades em foco neste artigo

Colaboração

Dr. Carrasquinho Gomes

Urologia
Clínica de Stº António, Clínica Lusíadas Sacavém
PT