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Maternidade: um guia da gravidez ao parto

Até ao parto, decorrem nove meses, muitas emoções e mudanças. Para que mãe e pai possam viver a gestação de forma serena, e com a ajuda de Joaquim Gonçalves, coordenador da Unidade de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Lusíadas Porto, reunimos o que deve ter presente.

Acompanhamento médico na gravidez

Idealmente, é ainda antes de engravidar que a mulher deve consultar o médico, o que ajuda a uma melhor preparação para a maternidade. Isso possibilita detetar atempadamente e, se possível, tratar, um eventual problema de saúde, através de análises e testes para despistagem de diversas doenças.

Nesta fase da gravidez é aconselhável adotar hábitos saudáveis e a eliminação de práticas nocivas, como o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas. O consumo de cafeína e de bebidas com cafeína deve ser reduzido. O impacto em situações extremas pode ser semelhante ao tabaco.

Se a mulher não estiver a ser acompanhada pelo médico ainda antes de engravidar, deve marcar uma consulta de obstetrícia entre duas a quatro semanas após a ausência de menstruação, ou seja com 6 semanas de gestação. É na primeira consulta de obstetrícia que o médico vai proceder à observação clínica, calendarização da gravidez, e avaliar o estado geral da saúde da mulher, história clínica e existência de patologias ou antecedentes familiares (da mulher e do companheiro).

Vai também verificar se as vacinas se encontram em dia (nomeadamente a do tétano) e solicitar análises ao sangue e à urina. É também necessário que a grávida continue com a toma de um suplemento pré-natal, ácido fólico e iodo. Na presença de patologias que requerem acompanhamento específico, existem especialistas da área da Obstetrícia, Genética, Endocrinologia, Nutrição ou Reumatologia (dependendo da patologia) que, no âmbito da Consulta de Alto-Risco, asseguram um acompanhamento diferenciado para que a maternidade decorra com estabilidade e serenidade.

Sinais de alarme durante a gravidez 

No primeiro trimestre, o maior risco é o de aborto espontâneo, situação bastante comum e cuja causa, geralmente, não é concreta. No segundo trimestre, existe o risco de aborto tardio e pode surgir a diabetes gestacional, patologia que geralmente desaparece após o parto mas que pode ter consequências na saúde da mãe e do bebé.

No último trimestre os principais riscos são a doença hipertensiva da gravidez (por ex: pré-eclampsia) e a ameaça de parto pré-termo. Assim, os principais sinais de alarme a que a grávida deve estar atenta – e que podem surgir isoladamente – são:

  • Dor abdominal ou contrações;
  • Hemorragia genital;
  • Suspeita de perda de líquido amniótico;
  • Redução da perceção dos movimentos fetais;
  • Prurido corporal progressivo;
  • Dores de cabeça intensas.

Perante qualquer um destes sintomas, a grávida deve procurar o seu médico assistente, ou dirigir-se de imediato ao hospital.

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Joaquim Gonçalves e a sua equipa apresentam-lhe a Maternidade do Hospital Lusíadas Porto.

 

Exames de diagnóstico pré-natal

No espectro dos exames solicitados com este objetivo temos:

  • Rastreio bioquímico efetuado no 1º trimestre,;
  • Biópsia das vilosidades coriónicas;
  • Amniocentese;
  • Ecografia (por exemplo a ecografia morfológica).

O Diagnóstico Pré-Natal (DPN) permite a deteção de anomalias cromossómicas e assegura, através da avaliação ecográfica do feto (com pelo menos três exames efetuados ao longo da gravidez), o bem-estar do feto, sob o ponto de vista funcional e orgânico.

Estilo de vida e alimentação na gravidez

A gravidez, por ser exigente em termos físicos, implica a adequação do estilo e ritmo de vida. Assim, e como foi já referido, importa abolir hábitos nocivos como o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas, ter horários regulares para as refeições, evitar esforços físicos e controlar o stresse. Para que a mãe mantenha um peso adequado e para que o bebé obtenha os nutrientes essenciais ao seu desenvolvimento, exige-se uma alimentação saudável – diversificada e equilibrada. Isso não significa comer por dois.

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Infografia elaborada com a colaboração da Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Lisboa. 

Atenção
A carne, o peixe e os ovos devem ser sempre bem cozinhados e a grávida não deve ingerir produtos lácteos não pasteurizados. Ao fazer refeições fora de casa, deve evitar marisco, saladas, maionese e doces que sejam feitos com ovos crus. Em casa, os legumes e a fruta devem ser sempre lavados antes de serem consumidos. Se estiver grávida no verão, os cuidados devem ser redobrados.

Exercício físico

Praticar exercício durante a gravidez, com conta, peso e medida, ajuda a prevenir o excesso de peso, melhora o humor e os níveis de energia. No entanto, é fundamental que a grávida se aconselhe com o obstetra antes de começar a fazer exercício físico, para que este avalie se é seguro para si e para o bebé.

Também deve pedir indicações ao médico, nomeadamente quanto à periodicidade e intensidade, cuidados a ter, e, também, sobre o que deve comer e beber antes e depois do exercício físico. É essencial que faça aquecimento e alongamentos previamente e interrompa imediatamente se sentir algum tipo de desconforto.

Se este não passar consulte o seu obstetra. Para que se sinta confortável, deve optar por vestuário prático e não se esquecer que tem de usar um soutien que suporte adequadamente as mamas. Entre as modalidades benéficas na gravidez incluem-se caminhar em terreno plano, nadar ou pedalar numa bicicleta estática. O limite do exercício físico é o cansaço. Todo o tipo de desportos radicais ou que impliquem pressão na zona abdominal estão desaconselhados.

Preparação para o parto e visita à maternidade

O curso de preparação para o parto permite aos pais esclarecerem dúvidas e proporciona-lhes uma aprendizagem teórica e prática sobre a gravidez, o parto e o regresso a casa.

Os pais podem agendar, através de uma simples inscrição, uma visita à maternidade para conhecerem as diferentes áreas em que a grávida vai permanecer ao longo da sua permanência no hospital.

  • O que levar para a maternidade

Para que possa começar a fazer a mala com antecedência, eis o que não deve esquecer:

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O momento mais esperado: o parto

No dia do parto, a mãe ficará num quarto individual com o acompanhante, onde permanecerão até ao momento do período expulsivo, altura em que a grávida é encaminhada para a sala de parto (existem salas para o parto por cesariana e para o parto vaginal).

Enquanto evolui o parto, os batimentos cardíacos do bebé são monitorizados, através do aparelho de cardiotocografia (CTG). A analgesia do parto (na maior parte dos casos, a epidural) será disponibilizada à parturiente sendo administrada por uma equipa especializada de anestesistas.

Em situações de parto pré-termo, as maternidades do Hospital Lusíadas Porto, do Hospital Lusíadas Lisboa e da Clínica de Stº António estão preparadas para receber o bebé prematuro e prestar-lhe todos os cuidados necessários, cumprindo os requisitos definidos pela normativa em vigor, no que concerne aos diferentes tipos de Serviços de Obstetrícia em hospitais privados.

  • Primeiros cuidados ao bebé

Quando o bebé nasce, o neonatolotogista faz uma observação detalhada aos órgãos e sistemas. Vai também ser vacinado contra a Tuberculose (Vacina BCG) e Hepatite B. É realizado o “Teste do Pezinho” (entre o terceiro e o sexto dia de vida) e o Rastreio Auditivo Neonatal.

Amamentação

Apesar de, em certos casos, a amamentação poder não ser um processo muito simples, requer um período de adaptação e, como foi atrás mencionado, uma enfermeira da Unidade Materno-Infantil estará disponível para auxiliar a mãe a ultrapassar eventuais obstáculos. Poderá também recorrer a um terapeuta da fala, que ajudará o bebé a aprender a mamar. Os benefícios da amamentação, tanto para o bebé como para a mãe, são amplamente reconhecidos e vale a pena ser persistente.

Pós-Parto

Quando é dada a alta médica à mãe e ao bebé e a família regressa a casa, é-lhes fornecido um contacto telefónico para o qual poderão ligar se surgirem dúvidas – sobre cuidados a administrar ao bebé, sobre a amamentação, entre outras. Uma situação que ocorre no puerpério, e com relativa frequência é a incontinência urinária; situação que pode resultar do parto, entre outras causas, e que condiciona a recuperação da puérpera.

É importante, nesta situação, que a mãe evite o consumo de bebidas alcoólicas ou com cafeína, e que tente manter o trânsito intestinal regularizado. Em alguns casos é necessário recorrer à ajuda da fisiatria, associar medicação e, em alguns casos, realizar uma cirurgia.

Outro problema comum durante o pós-parto é a chamada depressão pós-parto e os blues puerperais. O processo de adaptação, a fadiga e as alterações hormonais que ocorrem nesta fase podem ter um impacto significativo na mãe. Ao bebé imaginário sucede o bebé real. Embora geralmente os sintomas sejam discretos e desapareçam com o tempo, se persistirem após várias semanas ou se agravarem, podemos estar perante uma depressão, o que implica ajuda especializada. Os sinais de alarme mais comuns incluem:

  • Cansaço intenso;
  • Perda de alegria;
  • Dificuldade em adormecer;
  • Culpabilidade;
  • Isolamento;
  • Dificuldade em criar laços com o bebé;
  • Pensamentos agressivos.

Para prevenir a depressão pós-parto, é importante que a mãe repouse o suficiente e reserve algum tempo para si. Para consegui-lo, deve pedir ajuda ao companheiro e familiares para cuidar do bebé e para a realização das tarefas domésticas, conversando abertamente sobre o que está a sentir.

Também é importante ter uma alimentação equilibrada e fracionada e praticar exercício físico – depois de aconselhamento médico prévio. O exercício físico ajuda a mãe a estabilizar o humor, a distrair-se e, em simultâneo, ajuda-a a recuperar a forma física e recuperar o seu peso ideal.

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Colaboração

Dr. Joaquim Gonçalves

Coordenador da Unidade de Ginecologia e Obstetrícia

Ginecologia e Obstetrícia
Hospital Lusíadas Porto, Clínica Lusíadas Gaia
PT