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Bullying: o que é, como lidar e os diferentes tipos

Colaboração
Fala-se normalmente de bullying entre crianças ou adolescentes, mas existe também entre adultos, seja nas universidades ou em contexto de trabalho.

O bullying é um comportamento intencionalmente agressivo, violento e humilhante, que envolve um desequilíbrio de poder, repetido ao longo do tempo. Apesar de ser muito frequente nas escolas, entre crianças e adolescentes, ocorre em todas as áreas da vida, também entre adultos.

O bullying nas escolas

Quando crianças ou adolescentes exercem bullying, “estão a demonstrar o seu poder — pode ser a força física ou pode ser por saberem qualquer coisa sobre a outra criança ou adolescente, e para controlar e prejudicar”, explica Marianne Cordeiro, especialista em Psicologia na Clínica Lusíadas Oriente. É por isso que normalmente não se trata de um ato isolado, mas sim de um comportamento repetido ao longo do tempo. 
Nas escolas, pode acontecer na sala de aula, mas também no intervalo, assim como no recinto escolar ou no decurso das atividades extracurriculares. “Há adolescentes que se queixam muito disso, por exemplo, no contexto desportivo”, diz.

Tipos de bullying

O bullying pode manifestar-se através de diferentes comportamentos:

  • Ameaçar ou atacar alguém fisicamente 
  • Ameaçar ou atacar alguém verbalmente
  • Espalhar boatos, até recorrendo às redes sociais (ciberbullying), causando grandes danos, considerando o número de pessoas que envolve

Apesar de estar mais associado ao contexto escolar, também ocorre no mundo dos adultos, até mesmo nas redes sociais, podendo ter diferentes motivações:

Acontece tanto nos homens como nas mulheres, ainda que por vezes as suas manifestações sejam diferentes. “Nos rapazes, é mais comum a ameaça e a agressão física, mas também temos tido conhecimento de situações entre raparigas que envolvem agressão física.”

Sinais a que se deve estar atento

Muitas vezes, as crianças ou os adolescentes não dizem aos adultos o que se passa. Desta forma, cabe aos cuidadores estar atentos a alguns sinais.

  • Quando há uma alteração de comportamento muito significativa. “Uma criança que costuma ser extrovertida, de repente, fecha-se, ou uma criança que costuma estar bem-disposta passa vários dias consecutivos muito calada. Por outro lado, se as crianças estão mais zangadas, irritadas, se há alterações do sono, como dificuldades em adormecer ou muitos pesadelos, ou se os jovens evitam certas atividades — por exemplo, uma criança que gosta muito de uma arte marcial e de repente diz que não quer ir.”
  • O medo ou a ansiedade podem levar a manifestações físicas, como dores abdominais ou dificuldades de concentração.
  • Há que ter atenção também a nódoas negras, arranhões ou roupa rasgada.

Quando ocorre bullying entre adultos, por exemplo, em contexto de trabalho, há também alguns sinais a que familiares e amigos podem estar atentos.

  • Vai haver uma alteração de comportamento (por exemplo, uma tendência ao isolamento ou dificuldades de concentração), por estar sujeito diariamente a estes comportamentos, pelos pares ou pelo superior. “Aí temos de incentivar a dar conhecimento, se necessário, dentro da empresa, mas também às autoridades. Estas situações têm de ser resolvidas, tem de haver uma intervenção o mais rapidamente possível.“
  • No momento em que ocorre uma situação de bullying, a vítima sente-se humilhada. “Às vezes até são aspetos que a própria pessoa tem insegurança, vindo reforçar as suas inseguranças e causando muito sofrimento.” 
  • Interfere com a sua capacidade de viver com prazer o dia a dia, com medo de que esta situação volte a acontecer. “O efeito é no imediato e normalmente prolonga-se. Às vezes, passados anos, quando vai para um local novo de trabalho, sofre de ansiedade, com medo que a situação surja novamente.” 
  • O sofrimento psicológico associado a estas situações pode também ter impacto na condição física. “Sabemos que, se a parte emocional não está bem, há todo um impacto na saúde física — dores ou uma sensação de dor de cabeça.” 

Uma pessoa que sofre de bullying, seja ele qual for, pode sofrer no imediato, mas também a longo prazo, com receio que se repita. “Sente-se muito diminuída e com pouca capacidade para reagir a estas situações, sentindo-se também culpada por não conseguir reagir”, diz Marianne Cordeiro. 

Aos amigos e familiares cabe ajudar a perceber que é uma situação difícil de lidar, que pode exigir ajuda profissional. “Nas crianças e adolescentes, os efeitos mantêm-se ao longo da vida, principalmente se não houver uma intervenção com a ajuda da Psicologia e/ou Pedopsiquiatria, e depois é muito importante haver um apoio dos pais e dos educadores."

Estratégias para ajudar quem está a ser alvo de bullying

Há algumas estratégias a adotar para ajudar quem está a ser vítima de bullying, sobretudo no caso dos mais jovens. Marianne Cordeiro aponta algumas:

  • Há que incentivar a ignorar quando é possível.
  • Encorajá-los a dar conta desta situação a um adulto responsável. “Têm muita tendência a esconder, porque têm vergonha e medo que as pessoas os gozem, ou que não acreditem neles.” 
  • Incentivá-los a evitar as situações de encontro. “Se sabemos que a situação se passa num vestiário, vamos encorajar a criança ou o adolescente a evitar estar sozinho nesse local, andar acompanhado.” 
  • Ensiná-los a denunciar. “Esse comportamento tem de ser denunciado e tem de haver uma intervenção adequada à gravidade.”

O que fazer em relação ao agressor

Apesar de normalmente a atenção estar direcionada para a vítima, a especialista alerta: “Enquanto pais e cuidadores, temos de dar atenção também a quem tem estes comportamentos.” Na opinião de Marianne Cordeiro, há que perceber os motivos que levam a este tipo de comportamentos e de que forma se pode ajudar essa pessoa. “Uma pessoa que tem necessidade de fazer mal ao outro também precisa de ser ajudada.”
Há também alguns traços da personalidade por parte do agressor, que os outros se podem aperceber. “Normalmente, são pessoas com uma grande capacidade de dominar os outros, conseguem o que querem com ameaças”, afirma. “As crianças costumam ter um comportamento de intimidação dos mais novos e gabam-se da sua superioridade em relação às outras crianças.”  Além disso, geralmente, as crianças, adolescentes e adultos que incorrem nesta prática têm “dificuldade em obedecer às regras, mentem, têm um comportamento de oposição em relação aos adultos ou para com a autoridade no geral”.

No fundo, alerta a especialista, tem de haver muita informação ao nível das escolas, do setor da saúde, mas também da sociedade em geral. “Temos de estar atentos a estes comportamentos e agir, explicar porque é que isto não é correto, ensinar as pessoas a porem-se no lugar do outro, a verbalizar os seus sentimentos e emoções, e respeitar a diferença. Tem de haver uma intervenção a vários níveis — muitas vezes, a intervenção não passa só pelos dois envolvidos, tem de haver uma intervenção na turma, por exemplo.”

 

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Dra. Marianne Cordeiro

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