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Unidade da Tiroide: cuidar da glândula que controla todo o corpo

Umas mais silenciosas, outras mais evidentes, há várias formas desta glândula em forma de borboleta ficar doente. O trabalho multidisciplinar é fundamental para um tratamento adequado.

A tiroide é uma glândula em forma de uma borboleta, localizada na zona anterior do pescoço. É fundamental para o equilíbrio do corpo, uma vez que é a responsável pela produção de hormonas, que são libertadas para o sangue e que controlam o funcionamento de todo o organismo — desde o peso, ao humor, cabelo, unhas, frequência cardíaca ou pressão arterial, entre outros.

“As doenças da tiroide atingem, em todo o mundo, mais de 300 milhões de pessoas e, só em Portugal, estima-se que afetem 1 milhão de pessoas”, indica Virgínia Soares, especialista em Cirurgia Geral e uma das responsáveis pela Unidade da Tiroide do Hospital Lusíadas Braga.

Podendo afetar pessoas de qualquer idade e sexo, é fundamental estar atento e conhecer os problemas que podem afetar esta glândula. “A tiroide pode ficar doente de duas maneiras”, indica a especialista: as alterações na sua forma (patologia nodular) e as alterações no seu funcionamento (hipertiroidismo ou hipotiroidismo). 

Sobre os fatores de risco, a especialista explica que não há uma causa específica para o surgimento dos problemas benignos na tiroide em Portugal, indicando apenas a maior probabilidade associada a um fator genético. “Há alguma preponderância familiar, ou seja, se alguém na família tem doença na tiroide, a probabilidade de um filho vir a desenvolver a patologia, face à população geral, é um bocadinho maior”, diz. “Alguns cancros podem também estar associadas, mas são exceções relativamente à frequência no aparecimento de problemas na tiroide.” 

Patologia nodular 

Uma das patologias mais comuns na tiroide é a alteração na forma desta glândula, nomeadamente, através do surgimento de nódulos. “O mais importante é sabermos que tipo de nódulos são, uma vez que podem ser benignos ou malignos.” Estudos indicam que a patologia nodular maligna, isto é, o cancro na tiroide, era em 2010 o terceiro carcinoma mais frequente nas mulheres portuguesas, surgindo, anualmente, em Portugal, mais de 500 novos casos, numa média de 445 pessoas do sexo feminino e 88 pessoas do sexo masculino.

A maior parte das vezes, estes nódulos não têm sintomas específicos associados. “Pode sentir-se dificuldade em engolir ou dificuldade em respirar, mas essas sensações surgem quando os nódulos já são um bocadinho maiores”, explica a especialista. “Pode sentir-se mal-estar no pescoço, uma espécie de sensação de corpo estranho nesta parte do corpo, como se estivesse ali qualquer coisa que não se consegue explicar. Outras vezes o nódulo é palpável.”

Hiper e hipotiroidismo

Os nomes dão pistas do que acontece em cada uma destas patologias. No hipertiroidismo, a libertação de hormonas acontece em excesso, a uma velocidade superior ao que é suposto. Como resultado, o organismo fica muito acelerado. “Podem surgir palpitações, maior nervosismo, irritação, insónias ou perda de peso, apesar de a pessoa comer muito, entre outros.”

No hipotiroidismo acontece o inverso: “A produção de hormonas é inferior ao normal e surgem efeitos contrários: a pessoa fica mais cansada, pode ter queda de cabelo, alterações menstruais ou ganho de peso, por exemplo.”

Pela abrangência e potencial subtileza dos sintomas, o diagnóstico destas patologias pode ser mais demorado. “Habitualmente, o hipotiroidismo tem um diagnóstico mais tardio, porque os sintomas podem ser associados ao cansaço e fadiga do dia-a-dia. Já no hipertiroidismo, por ter sintomas mais exuberantes, o diagnóstico tende a ser mais precoce.”

Mas é importante conhecer estes sintomas e estar atento aos sinais que o corpo lhe dá.  “Quando as alterações da função da tiroide não são tratadas, o corpo fica desregulado e a doença evolui para uma forma que pode ser grave, podendo surgir desde depressões a situações de insuficiência cardíaca, já em casos extremos.”

Diagnóstico e tratamento de problemas da tiroide 

O diagnóstico de problemas no funcionamento da tiroide começa com análises que permitem detetar a produção em excesso ou em défice das hormonas. Quando há confirmação de um diagnóstico de hiper ou hipotiroidismo, o tratamento passa por introduzir medicação que “controle o funcionamento” desta produção hormonal, no sentido de reequilibrar o seu ritmo, devolvendo o equilíbrio ao corpo. 

No caso da patologia nodular é diferente. Quando há queixas ou suspeitas de nódulos na tiroide, há indicação para a realização de uma ecografia, que permite confirmar se estes estão presentes. Pode, depois, ser necessário recorrer-se a uma biópsia com control ecográfico. “Permite colher células, que são analisadas, dando-nos a certeza do diagnóstico. Dá-nos segurança na orientação do indivíduo, permitindo definir o tratamento adequado. É um exame muito importante para nos ajudar a tomar esse tipo de decisão.”

Confirmando-se a presença dos nódulos, há dois caminhos a seguir: “Ou são vigiados ou operados”, indica Virgínia Soares. A indicação cirúrgica depende da doença da tiroide (se os nódulos são malignos) ou da sua dimensão (se forem muito grandes).  “No Hospital Lusíadas Braga  este de ato cirúrgico é realizado por uma equipa especializada na cirurgia da tiroide.” 

Existem também dois tipos de cirurgia: “Ou retiramos metade ou retiramos a totalidade da tiroide. Quando retiramos apenas metade, o indivíduo não tem, habitualmente, de fazer medicação. Se for necessário retirar a totalidade, precisa de terapêutica para substituir a tiroide.

A Unidade da Tiroide

Quer seja por suspeita de patologia nodular ou de alteração de funcionamento, o processo para o diagnóstico e tratamento começa numa consulta, que é conduzida, numa primeira etapa, por um especialista em Cirurgia ou Endocrinologia. Alguns dos motivos mais frequentes para a marcação desta consulta, diz Virgínia Soares, são a alteração de peso, sensação de corpo estranho na garganta ou pescoço, dificuldade em engolir, em respirar ou a palpação de um nodulo no pescoço.

“Conversamos com o doente e, caso não traga já os exames clínicos feitos (por indicação do médico de família, por exemplo), estes são pedidos na consulta, consistindo, geralmente, em análises e ecografia. Os resultados são observados, a fim de decidir o rumo a seguir: se é necessária medicação, biópsia ou operação.”

A importância do trabalho multidisciplinar 

Por influenciar o funcionamento de todo o corpo, um trabalho multidisciplinar, que envolva diferentes especialidades médicas, é fundamental para o tratamento eficaz das patologias desta glândula. 

Assim, depois da consulta inicial com o especialista em Cirurgia ou Endocrinologia, dá-se, caso seja necessário, o encaminhamento para outras especialidades, “que são fundamentais para o tratamento do indivíduo como um todo.”

É para dar resposta a esta necessidade, que nasce a Unidade da Tiroide no  Hospital Lusíadas Braga. “Temos nesta área um grupo de médicos especializados e dedicados ao tratamento de doenças da tiroide”. 

Além da Endrocrinologia e Cirurgia, esta área envolve também Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Medicina Nuclear.  “Como influência todo o organismo, quando está doente, a tiroide interfere com todos os órgãos e sistemas do corpo. É importante haver uma equipa que consiga abranger, na sua plenitude, as doenças da tiroide”, indica a médica. 

A especialista deixa alguns exemplos da importância no cruzamento das diferentes áreas médico-cirurgicas. “A Doença de Graves, por exemplo, está associada ao hipertiroidismo e, por vezes, os olhos ficam um bocadinho mais salientes. É fundamental aqui o apoio da Oftalmologia”, exemplifica Virgínia Soares. “Há doentes que têm alteração da voz associada a problemas da tiroide, e, por isso, aqui é necessário o apoio da Otorrinolaringologia."

Os resultados deste trabalho em equipa têm vindo a revelar-se muito positivos. “A tendência atual da Medicina passa pela formação de grupos multidisciplinares com dedicação específica a determinadas doenças. Estas, pela sua complexidade ou raridade, são melhor avaliadas e tratadas por uma equipa dedicada, tendo em vista a aceleração e rentabilização dos cuidados”, explica a especialista.

E acrescenta: “Todos os estudos mostram que a mortalidade, morbilidade, prognóstico e a sobrevida estão dependentes da especialização das equipas médico-cirúrgicas, sendo portanto fundamental a formação destas equipas multidisciplinares para que se obtenham os melhores resultados.”

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Especialidades em foco neste artigo

Colaboração

Dra. Virgínia Soares

Cirurgia Geral
Hospital Lusíadas Braga
PT