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Doença celíaca: o que é e qual o tratamento

O Dia Internacional do Celíaco comemora-se, anualmente, a 16 de maio e o seu objetivo é promover a conscientização da população sobre esta temática.

O que é a doença celíaca?

A doença celíaca (DC) é uma doença crónica, autoimune, que surge na sequência da ingestão de glúten em indivíduos geneticamente suscetíveis e que se caracteriza por atrofia das vilosidades do intestino delgado, ou seja, uma lesão a nível intestinal, com consequente má absorção dos nutrientes e aparecimento de sintomas gastrointestinais e extraintestinais.

Em Portugal, no ano de 2018, aferiu-se uma prevalência de 1:162 pelo que se considera, aproximadamente, que 1% da população portuguesa seja celíaca. Contudo, estima-se que apenas existam 15.000 celíacos identificados, o que indica que a doença celíaca é amplamente subdiagnosticada.

O que é o glúten?

O glúten é constituído por um conjunto de proteínas de origem vegetal (prolaminas e gluteninas) presentes no trigo, centeio e cevada.

É muito utilizado na indústria da panificação pois retém o ar proveniente da fermentação, promove uma maior elasticidade e extensibilidade às massas e atribui, além de um maior volume, uma consistência «esponjosa» e macia aos pães e bolos.

A farinha de trigo, frequentemente utilizada no fabrico de pão, apresenta um elevado teor de glúten quando comparada com outras farinhas. Note, por exemplo, que o pão de milho é mais compacto e menos macio do que o de trigo.

Como se manifesta a doença celíaca?

A doença celíaca pode manifestar-se de formas distintas, dependendo, entre outros fatores, da idade, da extensão da lesão intestinal, da sensibilidade ao glúten e da quantidade ingerida.

Encontram-se descritas inúmeras manifestações, desde cólicas abdominais, diarreia, flatulência, distensão abdominal e até osteoporose e infertilidade.

Quais os critérios de diagnóstico?

Os critérios de diagnóstico devem ser personalizados e adaptados a cada caso, abrangendo a história clínica (sinais e sintomas sugestivos), análises sanguíneas, endoscopia digestiva alta, realização de biópsias e testes genéticos.

Qual o tratamento?

Atualmente, o único tratamento eficaz e seguro para a doença celíaca consiste na prática de uma Dieta Isenta de Glúten (DIG), através da substituição de alimentos com glúten por outros cujas matérias-primas não o contenham.

As evidências atuais sugerem que os doentes celíacos devem ser referenciados a um nutricionista que os instrua para a prática de uma DIG e que se certifique de que para além da isenção de glúten, seja nutricionalmente adequada.

A prática de uma DIG (Dieta Isenta de Glúten) emagrece ou é mais saudável?

Nos últimos anos, o interesse pela DIG aumentou consideravelmente, o que motivou uma crescente adesão a este tipo de dieta, mesmo na ausência de um diagnóstico de doença celíaca e no intuito de emagrecer e/ou pela crença de que seja uma dieta mais saudável. A ideia de que uma DIG promove o emagrecimento ou que é mais saudável é mito!

A comparação dos valores nutricionais dos produtos alimentares convencionais com glúten e os seus equivalentes sem glúten (por exemplo, pão, bolachas, etc.), demonstrou que a maioria das versões isentas de glúten possui um maior teor em gordura e açúcar e, por conseguinte, um maior valor energético.

Lembre-se!

Atualmente não existe evidência científica que fundamente que um indivíduo saudável tenha alguma vantagem em praticar uma DIG. É imprescindível alertar para a relevância do rastreamento de indivíduos que apresentem reação à ingestão de glúten/trigo. Somente após o diagnóstico de doença celíaca ou de outras condições justificativas, como uma alergia ao trigo, é que se deve iniciar uma DIG.

Referências bibliográficas:

1. Biesiekierski JR. What is gluten? J Gastroenterol Hepatol. 2017;32:78–81.

2. Bascuñán KA, Vespa MC, Araya M. Celiac disease: understanding the gluten-free diet. Eur J Nutr. 2016;56(2):449–59.

3. Itzlinger A, Branchi F, Elli L, Schumann M. Gluten-free diet in celiac disease - forever and for all? Nutrients. 2018;10(11):1–14.

4. Saturni L, Ferretti G, Bacchetti T. The gluten-free diet: Safety and nutritional quality. Nutrients. 2010;2(1):16–34.

5. A Associação Portuguesa de Celíacos (APC) (homepage da internet). Doença Celíaca. (acesso em abril 2020). Disponível em: https://www.celiacos.org.pt/

 

Autoria:
Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Lisboa

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