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As características mais valorizadas num médico

Simpatia? Pontualidade? Empatia? Diversos estudos têm sido feitos no sentido de apurar quais as características que os doentes mais prezam num médico. Contamos-lhe quais são mas, primeiro, quisemos ir mais além. Fizemos a mesma pergunta aos nossos leitores e partilhamos o resultado.

Não é fácil definir o que é um bom médico. Não é apenas aquele que trata. Nem aquele que mais sabe sobre doenças. E também não é só aquele que sabe ouvir o doente.

Talvez por envolver uma tão grande complexidade de características e, por isso mesmo, ser uma profissão tão respeitada, não surpreende que um inquérito realizado pela Forbes, em 2014, tenha verificado que 88% dos americanos considera que ser médico é a profissão mais prestigiante de todas, com os militares, os bombeiros, os cientistas e os enfermeiros em segundo, terceiro, quarto e quinto lugares, respetivamente.

Para ajudar a decifrar qual é, afinal, o conjunto de características necessárias a um bom médico, decidimos lançar um repto neste site e na página de Facebook da Lusíadas. Baseando-nos em sete características que considerámos essenciais mas também abrangentes, formulámos uma pergunta muito simples: Que características mais valoriza num médico? Selecione três.

  • Experiência
  • Competência
  • Empatia
  • Disponibilidade
  • Pontualidade
  • Saber ouvir
  • Clareza

Resultados

“Competência” foi a característica mais votada por 87% dos inquiridos, sendo que em segundo lugar – mas a uma distância considerável – surge a característica “empatia”, com 49%, logo seguida pela “experiência” (47,4%).

Assim, competência, empatia e experiência são, de acordo com esta amostra, as três características mais valorizadas num médico. “Disponibilidade” (42,3%), “clareza” (37,6%) e “saber ouvir” (34,5%) ocupavam o quinto e sexto lugares, enquanto a “pontualidade” conquistou apenas o último lugar da lista, com apenas 13,9%.

O que já tinha sido descoberto

Há 16 anos, o site médico The BMJ (antigo British Medical Journal) pediu aos leitores para responderem à pergunta “Que características fazem um bom médico?”. Os resultados foram integrados numa edição especial do The BMJ, cujo tema era “What is a good doctor and how we can we make one?, que contou com a contribuição de médicos, jornalistas especializados na área médica, enfermeiros, entre outros.

102 Pessoas, de vários cantos do mundo, quiseram “dizer de sua justiça”. E, embora a resposta fosse livre, o que resultou numa grande diversidade de respostas, algumas características reuniram consenso – e surgem em conformidade com os resultados atrás divulgados. Foram elas empatia, competência e humanidade. Por outro lado, algumas respostas sobressaíram por serem menos previsíveis – falamos de características como coragem, criatividade, sentido de justiça, respeito e otimismo.

E o médico ideal é…

Em 2006, a pesquisa “Patients' Perspectives on Ideal Physician Behaviors”, divulgada no Mayo Clinic Proceedings envolveu entrevistas telefónicas com 192 pessoas, focando-se na relação entre médico e paciente e tendo em conta as melhores e piores experiências que os entrevistados tinham tido nas várias unidades Mayo Clinic.

Das entrevistas foi possível extrair sete características que, de acordo com o estudo, poderiam ser utilizadas pelos médicos como pistas para melhorarem a relação com os pacientes. Neste contexto, o médico ideal é aquele que é confiante, empático, humano, próximo, franco, respeitoso e rigoroso. Finalmente, no ano passado, um estudo intitulado “What do people want from their health care? A quantitative study”, publicado no Journal of Participatory Medicine, apurou que os 51 participantes valorizavam um médico que soubesse ouvir, criasse empatia com o doente e fosse claro ao explicar a informação mais “técnica”.

E o que podemos concluir de todos estes estudos? Embora a componente técnica (a tal “competência”) seja muito valorizada, a (boa) relação com o doente é quase tão importante: a característica “empatia”, mencionada em todos os estudos, fala por si.

A voz dos pacientes

Mike Stone, diretor da Patients Association (Harrow, no Reino Unido), escreveu em 2014 o artigo “What patients want from their doctors” para o The BMJ, no qual reuniu alguns desejos dos doentes.

Um médico deve…

  1. Estabelecer contacto visual com o paciente;
  2. Trabalhar em parceria com o doente, consultando-o sempre;
  3. Comunicar com o paciente e permitir que este comunique com ele.
  4. Ter tempo – para explicar a informação e para ouvir o doente.

Também pode ler o artigo na Revista Lusíadas.

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