Programa Nacional de Vacinação 2026: calendário, principais alterações e o que precisa de saber
O Programa Nacional de Vacinação (PNV) iniciou a 4 de outubro de 1965, com o objetivo de diminuir a mortalidade infantil em Portugal - extremamente elevada em comparação com outros países europeus à data-, através de uma campanha de vacinação em massa contra a poliomielite.
O impacto imediato desta vacinação universal registou uma diminuição abrupta do número de casos de poliomielite, facilitando a aceitação deste programa.
A efetividade das vacinas comprova-se pela erradicação da varíola em 1980, a eliminação da poliomielite na Europa em 2002 e pelo controlo de doenças como a difteria, sarampo e do tétano neonatal, cobertas pelas vacinas do PNV.
Mas o PNV não é estático. As recomendações são atualizadas à medida que evolui: o conhecimento científico, a situação epidemiológica e as próprias vacinas disponíveis.
O PNV estabelece quais as vacinas recomendadas para a população, em que idades devem ser administradas e quais os esquemas de recurso a utilizar quando existem vacinas em atraso.
Em 2026, existem algumas alterações importantes face ao programa que vigorava nos últimos anos. Por isso, é importante consultar informação atualizada e confirmar o estado vacinal junto dos serviços de saúde.
O que é o Programa Nacional de Vacinação?
O programa assenta em princípios como a universalidade, gratuitidade, acessibilidade e equidade. A vacinação deve ser aproveitada sempre que exista uma oportunidade para completar ou atualizar o esquema vacinal.
Desde outubro de 2025, o PNV 2025 substituiu o PNV 2020, tornando-se o novo referencial para o esquema geral de vacinação em Portugal.
Porque é tão importante manter as vacinas em dia?
As vacinas treinam o sistema imunitário para reconhecer determinados agentes infeciosos, permitindo uma resposta mais rápida e eficaz quando existe contacto com esses agentes.
A vacinação protege diretamente a pessoa vacinada, mas também contribui para proteger a comunidade. Quando uma elevada percentagem da população está imunizada, diminui a circulação de determinadas infeções e protege-se também quem, por razões clínicas ou pela idade, não pode ser vacinado.
Este efeito é particularmente importante no caso de doenças altamente contagiosas, como o sarampo.
Por isso, manter o calendário vacinal atualizado é uma responsabilidade individual e, simultaneamente, uma forma de contribuir para a saúde pública.
O que mudou no PNV?
A atualização do PNV trouxe algumas alterações relevantes. Entre as principais mudanças encontram-se a substituição da vacina contra o meningococo do grupo C (MenC) pela vacina contra os meningococos dos grupos A, C, W e Y (MenACWY) aos 12 meses e a substituição da vacina pneumocócica Pn13 pela Pn20 aos 2, 4 e 12 meses de idade.
Uma das alterações mais relevantes é a introdução da vacina MenACWY aos 12 meses de idade, em substituição da MenC.
A MenACWY protege contra quatro grupos de meningococo — A, C, W e Y — responsáveis por formas de doença invasiva que, embora pouco frequentes, podem ser muito graves.
Outra alteração importante é a utilização da vacina pneumocócica Pn20 no esquema geral recomendado aos 2, 4 e 12 meses.
As crianças que tenham iniciado o esquema universal com Pn13 devem completá-lo com Pn20, de acordo com as recomendações da DGS.
Estas alterações procuram adaptar o programa à evolução epidemiológica e melhorar a proteção proporcionada pela vacinação.
E a vacinação contra o HPV?
A vacinação contra o vírus do papiloma humano (HPV) é uma das medidas mais importantes para prevenir a infeção por este vírus e reduzir o risco de vários tipos de cancro associados ao HPV.
Em abril de 2026, a Direção-Geral da Saúde atualizou novamente a estratégia de vacinação contra o HPV.
Atualmente, a recomendação geral prevê a vacinação com a vacina nonavalente HPV9, em duas doses, administradas aos 10 anos de idade, com um intervalo de seis meses, para rapazes e raparigas.
Existem também esquemas de recurso para pessoas que não foram vacinadas na idade recomendada. A vacinação pode ser iniciada até aos 26 anos, de acordo com os critérios definidos pela DGS, e existem recomendações específicas para determinadas coortes e situações clínicas.
Nas pessoas imunocomprometidas, a estratégia é diferente, estando recomendado um esquema de três doses, sob orientação clínica.
A vacinação não termina na infância
É frequente associar a vacinação exclusivamente às crianças, mas a proteção vacinal deve acompanhar-nos ao longo da vida.
O PNV inclui recomendações para adolescentes e adultos, nomeadamente relativamente à vacinação contra o tétano e a difteria.
Nos adultos com o esquema atualizado, os reforços são realizados de acordo com a idade e a história vacinal. A partir dos 65 anos, existe uma atenção especial à atualização da vacinação contra o tétano e a difteria, sendo recomendada uma dose quando passaram pelo menos 10 anos desde a última dose e, posteriormente, reforços de 10 em 10 anos.
A existência de vacinas em atraso também não significa que seja necessário começar todo o processo de vacinação do início. O PNV prevê esquemas vacinais de recurso, que permitem completar a proteção de acordo com a idade, as doses anteriormente administradas e os intervalos mínimos recomendados.
Vacinação durante a gravidez
A gravidez é outro período em que a vacinação assume particular importância.
No PNV, está recomendada a vacinação contra a tosse convulsa durante cada gravidez, através de uma dose de vacina combinada contra a tosse convulsa, o tétano e a difteria.
A DGS recomenda a administração entre as 20 e as 36 semanas de gestação, idealmente até às 32 semanas, após a realização da ecografia morfológica. O objetivo é permitir a passagem de anticorpos da mãe para o bebé e proporcionar proteção nas primeiras semanas de vida.
A vacinação da grávida deve, naturalmente, ser enquadrada pelos profissionais de saúde que acompanham a gravidez.
E se tiver vacinas em atraso?
Uma vacina em atraso não significa que todo o esquema tenha de ser reiniciado.
O PNV recomenda aproveitar todas as oportunidades para completar ou atualizar a vacinação, respeitando os intervalos mínimos entre doses e outras condições específicas de cada vacina.
Por isso, se não sabe se tem determinada vacina em falta, o mais importante é verificar o seu registo vacinal e pedir orientação aos serviços de saúde.
Não é aconselhável tomar decisões apenas com base na memória ou em calendários encontrados na internet, sobretudo quando existem situações clínicas particulares.
As vacinas são seguras?
As vacinas utilizadas no PNV são sujeitas a critérios rigorosos de qualidade, segurança e eficácia.
Como qualquer medicamento, podem provocar reações adversas. As mais frequentes são geralmente ligeiras e transitórias, como dor, vermelhidão ou inchaço no local da injeção e, em algumas situações, febre ou mal-estar.
As reações graves são raras. A segurança das vacinas continua a ser monitorizada pelas autoridades de saúde e pelos sistemas de farmacovigilância.
Os benefícios da vacinação devem ser avaliados tendo em conta também o risco associado às próprias doenças que as vacinas permitem prevenir.
Onde posso ser vacinado?
A vacinação abrangida pelo PNV é gratuita para as pessoas elegíveis e é realizada nos pontos de vacinação autorizados.
De acordo com a DGS, qualquer pessoa elegível pode contactar uma unidade de saúde para proceder ao agendamento da vacinação.
O PNV estabelece ainda que uma pessoa que se apresente numa unidade funcional do Serviço Nacional de Saúde deve ser vacinada ou encaminhada para a unidade adequada, mesmo que esteja inscrita noutra unidade ou ainda não esteja registada no Registo Nacional de Utentes.
O novo Livro Azul de Vacinas
Uma das novidades mais importantes no enquadramento atual da vacinação em Portugal é o Livro Azul de Vacinas, adotado em 2026 como referencial técnico nacional para o Programa Nacional de Vacinação e outras estratégias de imunização.
Este documento reúne informação sobre o PNV, vacinação de adultos, situações especiais, doenças evitáveis por vacinação e vacinação do viajante.
É um documento dinâmico, concebido para acompanhar a evolução do conhecimento científico e da situação epidemiológica.
Por esse motivo, quando existirem dúvidas sobre uma vacina, idade, número de doses ou necessidade de reforço, deve ser dada prioridade à informação mais recente da Direção-Geral da Saúde e à orientação dos profissionais de saúde.
Em resumo
A vacinação continua a ser uma das formas mais eficazes de prevenir doenças e proteger a saúde de toda a população.
Em 2026, é particularmente importante ter em conta que o PNV foi atualizado e que algumas recomendações são diferentes das que estavam em vigor há alguns anos.
Entre as principais alterações estão:
• MenACWY aos 12 meses, em substituição da MenC;
• Pn20 no esquema pneumocócico infantil, substituindo a Pn13;
• Atualização da estratégia de vacinação contra o HPV, incluindo a vacinação de rapazes e raparigas aos 10 anos;
• Manutenção da vacinação ao longo da vida, incluindo reforços contra o tétano e a difteria;
• Vacinação contra a tosse convulsa durante cada gravidez;
• Existência de esquemas específicos para recuperar vacinas em atraso.
Mais do que decorar um calendário, o essencial é garantir que o seu esquema vacinal — ou o dos seus filhos — está atualizado.
Em caso de dúvida, consulte o seu centro de saúde ou outro profissional de saúde e confirme o registo de vacinação.
Nota: As recomendações de vacinação podem ser atualizadas pela Direção-Geral da Saúde. Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação ou orientação de um profissional de saúde.
Para consultar informação mais detalhada sobre o PNV e outras vacinas, visite a página da Lusíadas Saúde dedicada ao Programa Nacional de Vacinação e Vacinas Extra PNV.