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O que é uma biopsia?

Colaboração
Uma biopsia é um exame através do qual se faz a colheita de um tecido biológico, cuja análise poderá identificar uma patologia e ajudar na definição do tratamento.

O que é?

Uma biopsia é um ato médico em que se realiza, utilizando-se uma pinça, uma recolha de um tecido de qualquer órgão ou sistema do nosso organismo através de uma pinça. “Sobre esse tecido é feita uma análise histológica que permite chegar a um diagnóstico definitivo e que pode comprovar a nossa suspeição clínica”, explica Miguel Serrano, gastrenterologista do Hospital Lusíadas Lisboa.

Qual a diferença em relação a outros exames?

A biopsia permite fazer um diagnóstico definitivo da doença quando outros exames não fornecem aos médicos dados suficientes para o fazerem. “Uma radiografia ou uma ressonância magnética podem-nos ajudar a ver alguma alteração muito específica de uma patologia, mas não nos permite fazer o estudo anatomopatológico daquele tecido”, explica o médico gastrenterologista.

Quando é necessário realizar uma biopsia?

Na gastrenterologia deve efetuar-se biopsias sempre que existam alterações macroscópicas nos exames endoscópicos para confirmar ou excluir o diagnóstico médico. Existem situações particulares em que por vezes os exames laboratoriais e de imagem não são suficientes para chegar a um diagnóstico, sendo necessário a realização de uma biopsia.

“Na gastrenterologia existe uma patologia - o carcinoma hepatocelular ou cancro primário do fígado – que pode ser diagnosticado apenas com exames de imagem como a ressonância magnética ou uma TAC (Tomografia Axial Computorizada)”, diz Miguel Serrano.

Mas há doenças microscópicas que não são visíveis através de exames de imagem. “Se a pessoa sofre de diarreia crónica e o exame endoscópico é normal, é necessário fazer uma biopsia porque existem doenças microscópicas que não conseguimos ver e que podem provocar diarreia.”

As doenças oncológicas do tubo digestivo – nomeadamente o cancro do estômago, do esófago, do cólon e do reto – são diagnosticadas através da biopsia. “No relatório que enviamos ao médico que analisa as biopsias ao microscópio – o anatomopatologista – já indicamos qual a nossa suspeição. Mas é sempre necessária uma biopsia para definir o diagnóstico e tratamento adequado para aquela pessoa.”

Do diagnóstico ao tratamento

As biopsias determinam o diagnóstico e permitem, dessa forma, definir o melhor tratamento para a doença. “Na oncologia, as biopsias identificam o tipo de cancro e qual o tratamento adequado. Por exemplo, se for um adenocarcinoma [tipo de cancro das glândulas dos órgãos] é necessário um tratamento cirúrgico, mas se for um linfoma do intestino carece antes de quimioterapia”, explica o médico do Hospital Lusíadas Lisboa.

Há outras patologias onde a biopsia é fundamental para definir o tratamento. “Quando há suspeita de doença inflamatória do intestino, doença de Crohn ou colite ulcerosa, temos alterações macroscópicas que conseguimos identificar através de outros exames como a colonoscopia”, explica o gastrenterologista. “Mas depois precisamos de um diagnóstico histológico para adequar o tratamento. Pode ser uma doença infeciosa que tem um tratamento, prognóstico e evolução completamente diferentes.”

Como é feita uma biopsia

As biopsias podem ser realizadas de diversas formas dependendo da doença e do tecido que se quer estudar. “Um dermatologista pode fazer uma biopsia a olho nu – vê uma lesão na pele e faz uma biopsia cutânea, com uma pistola ou uma agulha”, diz o médico.

Já na gastrenterologia é utilizada uma pinça que é introduzida no organismo através do canal de trabalho dos aparelhos que se usam para efetuar uma endoscopia ou uma colonoscopia (exames realizados com um aparelho tubular flexível equipado com uma câmara de vídeo).

As biopsias são dirigidas. “A pinça sai à frente do aparelho que tem uma câmara de filmar através da qual podemos dirigir a biopsia ao tecido que pretendemos colher”, explica o médico do Hospital Lusíadas Lisboa. Na gastrenterologia também é possível realizar biopsias a órgãos adjacentes ao tubo digestivo como o fígado, o pâncreas e as glândulas suprarrenais.

São as ecoendoscopias. “Desta vez o aparelho leva à frente um pequeno ecógrafo e durante uma endoscopia ao estômago ou ao duodeno através do uso dos ultrassons, conseguimos identificar e fazer biopsias a órgãos sólidos adjacentes.”

Há limite ao número de biopsias?

Não existe um número máximo de biopsias. Estas devem ser adequadas à patologia que está a ser estudada e ser em número suficiente para obter uma amostragem adequada que permita fazer um diagnóstico. Por vezes é necessário realizar várias. “Para fazermos o diagnóstico de um tumor no intestino não devemos fazer apenas uma biopsia. O tecido recolhido tem dois ou três milímetros e podemos acertar mesmo ao lado do tecido que queremos obter”, explica Miguel Serrano.

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Dr. Miguel Serrano

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Hospital Lusíadas Lisboa

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