Lusiadas.pt | Blog | Prevenção e Estilo de Vida | Saúde da Família | Úlcera venosa de perna: o que é e como prevenir?
3 min

Úlcera venosa de perna: o que é e como prevenir?

A maioria das úlceras de perna é de origem venosa. Saiba o que é, que cuidados se devem prestar à pessoa com úlcera venosa de perna e como se podem prevenir as recidivas.

O que é uma úlcera de perna?

Entende-se por úlcera de perna qualquer lesão de origem traumática ou associada a processo patológico que se localiza ao nível da perna. Podemos destacar algumas origens, tais como: venosa; arterial; mista e maligna, sendo que a úlcera de etiologia venosa representa a maioria das úlceras de perna.

Qual a importância do tratamento das úlceras venosas de perna? Quais os fatores de risco?

A úlcera venosa de perna consiste numa etiologia de ferida extremamente relevante do ponto de vista epidemiológico, representando grandes gastos de recursos e com consequências significativas para a qualidade de vida da pessoa afetada. Fatores de risco associado à doença venosa e que aumentam o risco para este tipo de feridas:

  • Trauma (exemplo: queimadura);
  • Tromboses venosas profundas, tromboflebite e flebites;
  • Alguns fármacos;
  • História familiar de doença venosa;
  • Idade;
  • Obesidade;
  • Gravidez;
  • Estilos de vida (exemplo: atividades profissionais que implicam posições estáticas de pé ou sentado por longos períodos de tempo);
  • Ser do sexo feminino;
  • Alterações da mobilidade do tornozelo (afeta a atividade da musculatura da perna).

Como se formam as úlceras de etiologia venosa?

A origem das úlceras venosas reside na diminuição da capacidade das veias de promoverem o retorno venoso (nomeadamente alterações do tónus muscular e/ou incompetência das válvulas unidirecionais das veias em promoverem o retorno do sangue ao coração).

Em consequência desta incompetência das veias resulta uma hipertensão venosa que promove a saída de líquido para os tecidos circundantes aos vasos sanguíneos. Este processo origina reações inflamatórias e lesão nos tecidos com consequente ulceração e alterações cutâneas.

Alguns sinais de insuficiência venosa:

  • Hiperpigmentação da pele;
  • Veias perimaleolares dilatadas;
  • Veias varicosas;
  • Edema;
  • Eczema varicoso;
  • Atrofia branca;
  • Lipodermatoesclerose;
  • Dor.

Quais as intervenções?

A abordagem à pessoa com úlcera de perna consiste na sua correta avaliação, nomeadamente no conhecimento dos antecedentes pessoais, experiências, expectativas e na definição do tipo de úlcera. Este conhecimento permite uma correta intervenção bem como uma referenciação adequada e uma abordagem multidisciplinar. Os cuidados prestados devem respeitar várias premissas, nomeadamente:

  • Opções terapêuticas e custo-eficácia;
  • Promover a qualidade de vida da pessoa;
  • Abordagem holística;
  • Controlo da dor e proporcionar conforto;
  • Redução do risco de infeção;
  • Terapia compressiva.

A terapia compressiva nas úlceras venosas representa uma ferramenta de extrema eficácia a ser prescrita e aplicada por profissionais competentes e com experiência. Esta terapia promove através de sistemas de compressão aplicados nos membros inferiores (ligaduras ou meias elásticas) a diminuição da hipertensão venosa, a absorção de edema e a diminuição das alterações cutâneas.

O uso desta opção terapêutica acarreta riscos para a pessoa, caso não seja precedida por uma correta avaliação clínica por um profissional competente, nomeadamente nos casos da existência de compromisso arterial.

Como prevenir recidivas?

Os cuidados pós cicatrização da úlcera são essenciais para o sucesso a longo prazo do tratamento e podem incluir:

  • Adequada terapia compressiva para a prevenção de recidivas (que a pessoa seja capaz de aderir e se sinta confortável);
  • Cuidados cutâneos de manutenção da integridade cutânea (cremes emolientes com baixo teor de perfume, sem parabenos e neutros);
  • Exercício físico adequado;
  • Elevação dos membros inferiores;
  • Plano de monitorização da integridade cutânea pós cicatrização, realizado pelo profissional de saúde (deve-se considerar 6 a 12 meses de vigilância após cicatrização).

 Autoria:
João Correia, enfermeiro da Clínica Lusíadas Almada

Ler mais sobre

Pele

Este artigo foi útil?

We appreciate the feedback.

Please include your email if you want us to follow up with you.

PT