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6 doenças associadas à obesidade

A obesidade é um importante fator de risco para o desenvolvimento de diferentes doenças. Num país em que mais de metade da população tem excesso de peso e há perto de um milhão de pessoas obesas é importante saber quais as doenças associadas à obesidade e vencer o excesso de peso.

Todos os anos decidimos: vamos inscrever-nos no ginásio e entrar a dieta, certo? Mas, atenção, se o seu Índice de Massa Corporal (IMC) se situa acima dos 25/30, já não é só de estética que se fala, mas dos vários riscos que a obesidade comporta para a saúde. Decida-se hoje mesmo a vencer a teimosia da balança e saiba como, ao perder peso, pode diminuir os fatores de risco (*).

1. Hipertensão

A obesidade é um dos principais fatores de risco para a hipertensão, problema que afeta cerca de um terço da população e que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mata anualmente 9,4 milhões de pessoas em todo o mundo. Perder peso permite reduzir os níveis de açúcar e das gorduras no sangue — como os triglicerídeos, o colesterol total e o colesterol mau (LDL-colesterol) — além de fazer aumentar o colesterol bom (HDL-colesterol), cuja ação melhora a circulação.

Risco

A hipertensão é 2,5 vezes mais frequente nos indivíduos obesos do que em pessoas com peso normal.

A boa notícia

Segundo um estudo realizado em 2011 por investigadores alemães da Universidade Greifswald, uma perda de 5% do peso corporal diminui o risco de hipertensão em 13%.

2. Diabetes

A genética tem a sua quota de responsabilidade, mas logo a seguir surge a obesidade como principal causa da diabetes tipo 2, o tipo mais frequente e que começa a surgir em idades cada vez mais precoces. A acumulação de tecido adiposo, principalmente na zona abdominal, perturba o normal funcionamento das células na transformação da glicose em energia e leva a uma condição conhecida como resistência à insulina. O aumento da glicose circulante conduz ao desenvolvimento da diabetes do tipo II.

Risco

Oito em cada dez obesos sofrem de diabetes tipo 2. Além disso, ter um perímetro abdominal superior a 100 cm eleva o risco de diabetes em 3,5 vezes, mesmo após um controlo do IMC.

Boa notícia

Cientistas da Universidade de Nápoles, em Itália, conseguiram reduzir em 56% as taxas de glicose em adultos com diagnóstico recente de diabetes tipo 2 apenas com a alteração do plano alimentar. O grupo seguiu uma dieta mediterrânica, à base de peixes, hortaliças, leguminosas, castanhas, cereais integrais, frutas e azeite.

3. Asma

A prevalência de asma tem vindo a aumentar e a OMS estima que a doença afete atualmente 200 milhões de adultos e crianças em todo o mundo. Apesar das causas da asma não serem totalmente conhecidas, sabe-se que a reação inflamatória provocada pela leptina, uma substância produzida pelo tecido adiposo, tal como elevados níveis de colesterol, aumentam o risco de asma nas crianças. Além disso, as pessoas obesas desenvolvem com frequência síndromes respiratórias e têm mais dificuldade em controlar os sintomas da doença.

Risco

Nas crianças, a probabilidade de desenvolvimento de asma aumenta 55% por cada unidade a mais de IMC, concluíram investigadores da universidade britânica de Bristol.

A boa notícia

diminuição do IMC contribui para aliviar os sintomas da doença, permitindo uma redução da medicação e um aumento da qualidade de vida.

4. “Fígado gordo”

Uma das complicações associadas à obesidade é a esteatose, também chamada “doença hepática gordurosa não-alcoólica” quando surge sem resultar de um exagerado consumo de álcool. O interior das células do órgão é infiltrado por partículas microscópicas de gordura. Não existe medicação para a esteatose e, em cerca de 20% dos casos, o problema evoluiu para cirrose hepática.

Risco

A prevalência de esteatose, que se situa nos 15%, sobe para 65% entre as pessoas obesas e atinge os 85% nos casos de obesidade mórbida.

A boa notícia

Nos pacientes obesos, com uma redução do IMC de 9,7% em seis meses, é possível obter bons resultados no controlo da esteatose, revela um estudo de investigadores iranianos, publicado em 2013.

5. Apneia do sono

A obesidade é o principal fator de risco da Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS). Este é um problema grave, desde logo porque resulta numa excessiva sonolência diurna, capaz de perturbar a capacidade de raciocínio e avaliação, o que aumenta o risco de acidentes de viação ou de trabalho. Isto acontece porque as vias respiratórias superiores sofrem colapsos intermitentes durante a noite, superiores a 10 segundos, que provocam mini-despertares e desequilibram os níveis de oxigénio no sangue.

Risco

A obesidade quase duplica o risco de apneia. A prevalência de SAOS é de 25% nas pessoas com peso normal e de 40 a 45% entre os obesos. Sete em cada dez doentes diagnosticados com SAOS têm excesso de peso.

A boa notícia

Em doentes com obesidade mórbida, uma perda de 10% do peso permite reduzir em 25% o índice de apneia, afirma um estudo da Universidade brasileira de Ribeirão Preto. Os investigadores concluíram ainda que 86,3% dos pacientes submetidos a cirurgia bariátrica registaram melhoras significativas ou cura da apneia do sono após a perda efetiva de peso.

6. Cancro

O excesso de peso e a obesidade são responsáveis por meio milhão de novos casos de cancro por ano – 3,6% da totalidade. As contas foram feitas em 2014 pelo Centro Internacional de Investigação sobre o Cancro, uma agência da OMS, depois da análise dos dados de incidência e mortalidade da doença em 184 países. Não se sabe com rigor por que razão o tecido adiposo favorece o desenvolvimento de tumores mas, de acordo com o American Institute for Cancer Resarch (AICR), a obesidade é um importante fator de risco, sobretudo nos cancros do endométrio, esófago e pâncreas.

Risco

O American Institute for Cancer Resarch atribui ao excesso de peso uma percentagem significativa dos cancros do endométrio (49%), esófago (35%), pâncreas (28%), rim (24%), vesícula (21%), mama (17%) e cólon e reto (9%).

A boa notícia

Embora a relação não possa ser direta, estudos comprovam que a probabilidade estatística de alguns cancros em pessoas obesas diminuiu com a perda de peso. Cientistas da Universidade da Califórnia verificaram que as mulheres obesas que perderam peso após cirurgia bariátrica reduziram o risco de cancro do endométrio em 71%, diminuindo ainda o perigo em 81% quando conseguiam manter o novo peso.

Tratamento multidisciplinar da obesidade

O Grupo Lusíadas Saúde tem, no Hospital Lusíadas Lisboa, no Hospital Lusíadas Porto e na Clínica de Stº António, Centros focado no tratamento da obesidade. Em ambos os hospitais, o Centro Multidisciplinar de Tratamento da Obesidade, disponibiliza todas as valências médicas e unidades de apoio que permitem o tratamento integrado e completo da condição clínica do obeso, assim como equipamento tecnológico avançado e certificado para tratamento destes doentes.

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Dr. Ângelo Ferreira

Cirurgia Geral
Hospital Lusíadas Lisboa, Hospital Lusíadas Albufeira
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