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COVID-19: perguntas e respostas sobre a vacinação

Em Portugal, a vacinação contra a COVID-19 começou a 27 de dezembro de 2020. Neste artigo, explicamos quem tem prioridade e qual a eficácia e segurança das vacinas.

Quem tem prioridade na vacinação?

Os grupos prioritários incluem as pessoas mais vulneráveis à COVID-19. O plano de vacinação, que pode sofrer alterações, prevê as seguintes fases:

Fase 1

Pessoas a partir dos 50 anos com pelo menos uma das seguintes patologias: 
Insuficiência cardíaca
Doença coronária 
Insuficiência renal (TFG < 60ml/min)
Doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) ou doença respiratória crónica sob suporte ventilatório e/ou oxigenoterapia de longa duração

Pessoas com 80 anos ou mais anos
Profissionais das forças armadas, forças de segurança, serviços críticos e titulares de órgãos de soberania e altas entidades públicas.

Fase 2

Pessoas entre os 65 e os 79 anos, inclusive, que ainda não tenham sido vacinadas
Pessoas entre os 50 e os 64 anos, inclusive, com pelo menos uma das seguintes patologias: 
Diabetes 
Neoplasia maligna ativa 
Doença renal crónica (TFG > 60ml/min) 
Insuficiência hepática 
Hipertensão arterial 
Obesidade 
Outras patologias com menor prevalência que poderão ser definidas posteriormente, em função do conhecimento científico

Fase 3

A restante população elegível, que poderá obedecer a novos critérios de prioridade.

Que vacinas já existem contra a COVID-19?

Apenas três vacinas foram aprovadas na União Europeia: a primeira foi a da Pfizer/BioNTech, depois a da Moderna e de seguida a da AstraZeneca. A Comissão Europeia, no entanto, chegou a acordo com outras empresas farmacêuticas para a aquisição de vacinas contra a COVID-19, uma vez comprovada a sua segurança e eficácia. São elas a Sanofi-GSK, a Janssen Pharmaceutica NV e a CureVac. 
Em todo o mundo, há vários estudos em curso e mais de 200 vacinas em investigação e desenvolvimento. Mais de 50 estão em ensaios clínicos.

Como funcionam as vacinas administradas em Portugal?

A vacina da Pfizer/BioNTech foi a primeira com a tecnologia de ARN-mensageiro (ARNm) a ser aprovada. Ao ser injetado um código genético para a proteína Spike, utilizada pelo SARS-COV-2 para infetar o organismo, as células reagem pressionando o sistema imunológico a identificar o vírus como um elemento estranho e a atacá-lo. A vacina da Moderna utiliza a mesma tecnologia. 
Já a vacina da AstraZeneca coloca no organismo um vetor viral, neste caso, uma versão inofensiva de um adenovírus. 

As vacinas são eficazes?

As vacinas da Pfizer/BioNTech e da Moderna têm uma eficácia comprovada de cerca de 95%. As poucas pessoas vacinadas que foram infetadas desenvolveram formas pouco graves de COVID-19. Não se sabe com precisão, no entanto, quanto tempo dura a imunidade atingida, já que a criação das vacinas é recente. No caso da vacina da AstraZeneca, a proteção atingida ronda os 60%.

As vacinas protegem de diferentes estirpes do vírus?

A Agência Europeia do Medicamento garante que as vacinas da Pfizer e da Moderna são eficazes para a estirpe originária no Reino Unido, em circulação em Portugal. Já sobre a variante da África do Sul não há certezas; é necessária mais investigação. 

Quantas doses são necessárias para estar protegido?

As três vacinas adquiridas por Portugal requerem duas tomas para atingirem o seu nível máximo de eficácia. No caso da vacina da Pfizer, que está a ser administrada em Portugal, as doses são tomadas com uma diferença de três ou quatro semanas, mas a pessoa vacinada só se deve considerar protegida da doença sete dias após a toma da segunda dose. 
Outras vacinas em investigação e desenvolvimento poderão vir a ser de toma única.

As vacinas são seguras?

O desenvolvimento e processo de aprovação das vacinas contra a COVID-19 obedeceram aos mesmos princípios do que qualquer outro medicamento. Todas as vacinas foram testadas em ensaios clínicos e avaliadas pela Agência Europeia de Medicamentos, com o objetivo de garantir a sua segurança.
Dezenas de milhares de voluntários foram vacinados e acompanhados após a toma da segunda dose durante mais de oito semanas e não se observaram efeitos com gravidade que coloquem em causa a segurança das vacinas. Ainda assim, não é possível excluir a ocorrência de efeitos adversos raros.

Quais são os efeitos secundários conhecidos?

A maioria das reações adversas da vacina da Pfizer/BioNTech é ligeira, de curta duração e não acontece em todas as pessoas que a tomam. É possível que ocorram situações como dor no local de injeção, fadiga, dor de cabeça, dores musculares, dores nas articulações e febre. 
Os efeitos secundários mais comuns da vacina da Moderna deverão ser semelhantes, podendo ocorrer também calafrios, pirexia, edema ou artralgia, por exemplo.
As reações indesejáveis mais relatadas na sequência da toma da vacina da AstraZeneca foram similares, acrescentando-se a possibilidade de fadiga e mal-estar. 

Todas as pessoas serão vacinadas em Portugal?

A vacinação é facultativa e gratuita. No entanto, Portugal já assegurou cerca de 22 milhões de doses de vacinas, o suficiente para vacinar todos os residentes no país. Ainda assim, as vacinas não chegarão todas ao mesmo tempo e há particularidades na distribuição que podem tornar o processo longo. 

Quem já foi vacinado tem de respeitar as medidas de proteção da COVID-19?

Mesmo depois de ser vacinada, a pessoa deve continuar a cumprir as medidas de proteção e de contenção da transmissão, incluindo o uso de máscara. As vacinas protegem contra a doença, mas ainda não se sabe se os indivíduos vacinados podem transmitir o vírus a outros. 
 
 

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Revisao Cientifica

Dr. Luís Tavares

Coordenador da Unidade de Doenças Infeciosas

Doenças Infeciosas
Hospital Lusíadas Lisboa
PT