Lusiadas.pt | Blog | COVID 19 | Dor de cabeça e COVID 19
3 min

Dor de cabeça e COVID-19

A dor de cabeça é um dos sintomas associados à COVID-19: logo desde o início da pandemia as pessoas com a doença referiram sentir dor de cabeça. Mas o que se sabe sobre esta queixa?

Os sintomas mais comuns da COVID-19 são a febre (temperatura igual ou superior a 38 °C), a tosse (geralmente seca) e a dificuldade respiratória. Nos casos mais graves, regista-se pneumonia grave, síndrome respiratória aguda grave, septicemia, choque séptico e eventual morte.

Existem outros sintomas associados à COVID-19, tais como a dor de cabeça (ou cefaleia), fraqueza generalizada, congestão nasal, dores musculares ou articulares, conjuntivite, alterações digestivas (diarreia ou náusea), perda de olfato (anosmia) e do paladar, erupções cutâneas ou descoloração dos dedos das mãos e pés, indica a Organização Mundial da Saúde.

Dor de cabeça como sintoma de COVID-19

A dor de cabeça é um dos sintomas principais associados à infeção por SARS-CoV-2, o vírus que provoca a COVID-19. Segundo os dados partilhados pela Sociedade Portuguesa de Neurologia, ocorre em 6,5 a 13,1% das pessoas com a COVID-19. Em Portugal, segundo o Relatório de Situação número 111, elaborado pela Direção-Geral da Saúde, 20% dos doentes com COVID-19 relataram ter sentido dor de cabeça. A dor de cabeça pode ser um sintoma de uma infeção viral sistémica e, nesse sentido, a infeção COVID-19 não é uma exceção, refere a Academia Europeia de Neurologia.

No entanto, “a presença de dor de cabeça não é um elemento útil para o diagnóstico da infeção por COVID-19”, diz a entidade: “A dor de cabeça, no contexto da COVID-19, coexiste provavelmente com a febre e pode ser dependente dela.” Já a Sociedade Portuguesa de Neurologia refere que, apesar da sua prevalência, “não parece haver uma diferença significativa na frequência da cefaleia entre os doentes graves com necessidade de internamento em Unidades de Cuidados Intensivos e os doentes não graves”, assinala a mesma fonte.

No entanto, um estudo observacional apresentado recentemente no American Headache Society (AHS) Annual Meeting 2020 demonstrou que a dor de cabeça ocorre na fase pré-sintomática e sintomática da COVID-19, podendo assemelhar-se à cefaleia tipo tensão ou enxaqueca. Para além disso, a dor de cabeça nestes doentes foi associada a um período sintomático menor, enquanto a presença de dor de cabeça e perda de olfato foram associadas a um período de menor hospitalização.

Toma de ibuprofeno

Logo no início da pandemia, e na sequência de declarações de alguns especialistas internacionais, foi mencionado o possível efeito negativo que o ibuprofeno, medicamento anti-inflamatório tomado frequentemente por doentes com dor de cabeça, podia ter na COVID-19. No entanto, menciona a Sociedade Portuguesa de Cefaleias, “não há evidência de que este tenha um efeito negativo na infeção pelo coronavírus”. Nem a Organização Mundial da Saúde nem a Direção-Geral da Saúde recomendam, por enquanto, a sua suspensão, acrescenta a mesma fonte.

Conselhos para prevenir cefaleias

Num contexto de incerteza como este que se vive, que quebrou rotinas e provocou stresse e ansiedade, as pessoas com cefaleias estão particularmente vulneráveis, uma vez que estes são alguns dos fatores desencadeantes de crises. Nesse contexto, a Sociedade Portuguesa de Cefaleias deixa alguns conselhos para os doentes:

  • Limitar a utilização de computadores, tablets ou smartphones pois o seu uso prolongado pode provocar cefaleias e/ou dores cervicais, devendo assumir-se os seguintes cuidados:
    • Fazer intervalos regulares com interrupções de 10 minutos a cada hora em frente aos écrans, período durante o qual a pessoa se deve levantar e andar;
    • Utilizar fontes (letras) de maior tamanho nos dispositivos;
    • Enquanto se usa os dispositivos, deve adotar-se uma posição correta com o écran ao nível dos olhos, sem necessidade de fletir o pescoço.
  • Promover técnicas/hábitos que ajudem a relaxar, tais como ler, dar um passeio a pé, fazer exercício físico ou ouvir música relaxante;
  • Manter as rotinas e um horário regular de sono, dormindo o tempo necessário, deitando-se e levantando-se sempre à mesma hora;
  • Manter uma alimentação saudável com quantidade suficiente de legumes e hortícolas frescos, leguminosas e frutas;
  • Manter uma boa hidratação, ingerindo bastante água;
  • Manter uma atividade física regular quer no domicílio quer no exterior.

Ler mais sobre

Coronavírus

Este artigo foi útil?

We appreciate the feedback.

Please include your email if you want us to follow up with you.

Especialidades em foco neste artigo

Revisão Científica

Dr. Gonçalo Matias

Neurologia
Hospital Lusíadas Lisboa, Clínica Lusíadas Parque das Nações
PT