Lusiadas.pt | Blog | Crianças | Adolescência | Os jovens e o álcool
3 min

Os jovens e o álcool

Como abordar o tema álcool com o seu filho adolescente? E que sinais o devem preocupar? O pediatra Hugo Tavares, do Hospital Lusíadas Porto, esclarece as suas dúvidas.

“A adolescência é um período de profunda maturação cerebral com grande suscetibilidade ao efeito de tóxicos que reconhecidamente afetam o funcionamento dos neurónios e das sinapses, como é o caso do álcool e das drogas de abuso”, afirma o pediatra Hugo Tavares do Hospital Lusíadas Porto.

 O que leva os adolescentes a beber?

“A adolescência é na sua essência um período de autodescoberta e definição da identidade de um indivíduo, o que potencia a adoção de comportamentos exploratórios e opositivos às normas e de desafio da autoridade parental”, explica o pediatra. Os adolescentes encontram nos pares o seu modelo de identificação, adotando os comportamentos do grupo.

Fruto da sua imaturidade cerebral, sobretudo das estruturas do córtex pré-frontal, na maioria dos casos não têm ainda a capacidade de perceber as potenciais consequências dos seus atos.

"Os adolescentes bebem porque sabe bem, porque os faz sentir bem e porque facilita a sua socialização e aceitabilidade pelos pares. Os adolescentes bebem porque é fácil ter acesso ao álcool, porque os media promovem imagens de felicidade associadas ao consumo de álcool e porque este faz muitas vezes parte da rotina familiar, onde frequentemente se iniciam no seu consumo", refere o médico

O que podem os pais fazer?

“Promover um diálogo aberto e franco sobre o álcool ainda antes da adolescência. O discurso não se deve apenas focar nos potenciais malefícios, mas também abordar as sensações positivas esperadas e referir outras formas de as obter sem ter que recorrer ao álcool”, esclarece Hugo Tavares.

“Aproveitar as ocasiões em que consome álcool para falar do tema e esclarecer as dúvidas dos jovens, além de abordar os efeitos de um consumo em idade precoce e, dessa forma, diminuir a probabilidade de experimentação.”

Sinais de alerta

Não há sintomas de alerta específicos para o consumo de álcool. Até porque muitas vezes este se associa a outros comportamentos de risco ou se enquadra noutros problemas comportamentais. É, no entanto, importante, estar atento a alguns sinais que sugerem algum problema, relacionado ou não com o álcool, e que apontam para a necessidade de intervenção especializada:

  • Problemas académicos ou comportamentais na escola (especialmente se há uma mudança recente);
  • Comportamento distante, agressividade ou isolamento marcado;
  • Mudança frequente de grupo de amigos;
  • Menor interesse por atividades ou aparência;
  • Deteção de bebidas alcoólicas nos seus pertences ou hálito a álcool;
  • Discurso arrastado ou problemas de coordenação;
  • Problemas de memória ou de concentração.

Consequências do álcool

A curto prazo / de forma aguda:

  • Alteração da forma como o jovem perceciona a realidade e a sua capacidade de reagir a diferentes estímulos, comprometendo o controlo da quantidade de álcool ingerida, por falta de noção dos efeitos do mesmo;
     
  • Lentificação do discurso e descoordenação dos movimentos;
     
  • Algum grau de desinibição, levando à adoção de comportamentos desadequados, violentos ou exibicionistas que potenciam acidentes e podem comprometer a segurança dos jovens (tentando “proezas” sem perceber o risco das mesmas, conduzindo ou deixando-se conduzir por terceiros também sob efeito de álcool);
     
  • Outros comportamentos de risco de natureza sexual ou relacionada com outros consumos.

A longo prazo e com o consumo prolongado:

  • Comprometer o normal desenvolvimento cerebral e as funções cognitivas;
  • Associar-se a alterações sérias na personalidade do adolescente e jovem adulto, nomeadamente comportamentos aditivos;
  • Comprometer o funcionamento do fígado e outros órgãos vitais.

Ler mais sobre

Adolescentes

Este artigo foi útil?

We appreciate the feedback.

Please include your email if you want us to follow up with you.

Especialidades em foco neste artigo

Colaboração

Dr. Hugo Braga Tavares

Pediatria
Hospital Lusíadas Porto
PT