Vacinar as crianças: o que precisa de saber sobre vacinas
Em Portugal, o Programa Nacional de Vacinação (PNV) é uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública. O PNV é atualizado de acordo com a evolução do conhecimento científico, da situação epidemiológica e das características das vacinas disponíveis. Em 2026, a Direção-Geral da Saúde (DGS) passou a ter o Livro Azul de Vacinas como referencial técnico nacional para o PNV e para outras estratégias de vacinação e imunização.
Porque é importante estar vacinado?
As vacinas preparam o sistema imunitário para reconhecer determinados microrganismos e responder mais rapidamente quando existe contacto com eles. Desta forma, reduzem o risco de desenvolver determinadas doenças e, sobretudo, das suas formas mais graves e das respetivas complicações.
A vacinação protege, em primeiro lugar, o próprio indivíduo. Mas os seus benefícios vão além da proteção individual pois, uma elevada cobertura vacinal diminui a circulação dos agentes infeciosos e ajuda a proteger pessoas que, por variadas razões, podem não estar vacinadas.
Mesmo quando um país alcança a eliminação de uma doença, podem surgir casos importados e, quando existem pessoas suscetíveis, podem ocorrer cadeias de transmissão ou surtos. Manter uma elevada cobertura vacinal continua, por isso, a ser essencial.
Vacinar é proteger
As vacinas permitiram controlar, eliminar ou reduzir de forma marcada o impacto de várias doenças infeciosas. No entanto, o sucesso da vacinação não significa que essas doenças tenham deixado de representar qualquer risco.
O aparecimento de casos importados, a diminuição da cobertura vacinal ou a existência de grupos suscetíveis podem favorecer o reaparecimento da transmissão.
Vacinar de acordo com as recomendações nacionais é, por isso, uma forma de proteger a criança e contribuir para a proteção da comunidade.
O calendário de vacinação pode ser atualizado à medida que surgem novos conhecimentos, novas vacinas ou alterações na situação epidemiológica. Para informação atualizada, deve ser consultado o Programa Nacional de Vacinação e o Livro Azul de Vacinas da Direção-Geral da Saúde.
Perguntas Frequentes
- Quando devo vacinar-me?
Deve cumprir o calendário recomendado pelo Programa Nacional de Vacinação (PNV). As crianças são as principais destinatárias, mas os adultos também estão contemplados.
- Onde posso vacinar-me?
Nos centros de saúde, hospitais e outros serviços de saúde devidamente autorizados.
- Que vacinas fazem parte do Programa Nacional de Vacinação?
O PNV estabelece as vacinas e os momentos em que devem ser administradas de acordo com a idade e outras características da população.
O esquema atualmente recomendado inclui, entre outras, vacinas contra:
- Hepatite B;
- Difteria, tétano e tosse convulsa;
- Poliomielite;
- Haemophilus influenzae tipo b;
- Doença pneumocócica;
- Doença meningocócica;
- Sarampo, parotidite epidémica e rubéola;
- Vírus do papiloma humano (HPV).
O calendário é organizado por idades e deve ser cumprido de acordo com as recomendações da DGS. Se uma criança tiver vacinas em atraso, isso não significa necessariamente que tenha de reiniciar todo o esquema: existem esquemas vacinais de recurso destinados a completar a vacinação de forma adequada.
Algumas alterações recentes que os pais devem conhecer
O calendário português tem sofrido atualizações importantes.
Uma das alterações mais recentes ocorreu em 2025, quando a DGS substituiu a vacina MenC pela MenACWY na vacinação universal contra a doença meningocócica aos 12 meses. Mantém-se também a vacinação universal contra o meningococo B aos 2, 4 e 12 meses.
Outra atualização importante ocorreu em 2026 relativamente à vacinação contra o vírus do papiloma humano (HPV). A recomendação atual prevê a utilização da vacina nonavalente contra o HPV, num esquema de duas doses, administradas aos 10 anos de idade, para rapazes e raparigas.
O calendário deve ser sempre confirmado na versão mais recente das recomendações da DGS.
E as vacinas que não estão incluídas no PNV?
Para além das vacinas que integram o PNV, existem outras estratégias de vacinação ou imunização destinadas a determinados grupos, situações clínicas, épocas do ano ou contextos específicos, como viagens.
A indicação de uma vacina adicional depende da idade, do estado de saúde, de fatores de risco, do contexto epidemiológico e, em alguns casos, do destino da viagem.
O vírus sincicial respiratório (VSR) é um exemplo de uma infeção para a qual existem atualmente estratégias específicas de imunização em determinados grupos de crianças. A DGS dispõe de recomendações próprias para esta proteção, incluindo estratégias sazonais.
Assim, a pergunta não deve ser apenas “esta vacina faz parte do PNV?”, mas também “esta criança tem indicação para esta vacina ou para outra estratégia de imunização?”.
As vacinas são seguras?
A segurança das vacinas é avaliada antes da sua utilização e continua a ser monitorizada depois de estas serem introduzidas nos programas de vacinação.
Como qualquer medicamento, as vacinas podem provocar efeitos adversos. Na maioria dos casos, são ligeiros e transitórios, como inchaço, dor ou vermelhidão no local da injeção, mal-estar e/ou febre ligeira. Embora raras, podem ocorrer reações graves, motivo pelo qual se recomenda vigilância de 30 minutos, junto de profissionais de saúde, após a administração de vacinas.
É também importante compreender que um problema de saúde que acontece depois de uma vacinação não significa que tenha sido provocado pela vacina.
As vacinas podem provocar autismo?
Não existe evidência científica de que as vacinas provoquem autismo.
A possível relação entre a vacina contra o sarampo, a parotidite epidémica e a rubéola (VASPR) e o autismo foi extensivamente estudada. A evidência disponível não demonstra uma relação causal.
Em 2025, uma nova análise do Comité Consultivo Global da OMS para a Segurança das Vacinas voltou a avaliar a literatura científica publicada entre 2010 e 2025 e reafirmou que não existe uma relação causal entre vacinas e perturbações do espetro do autismo. A análise incluiu também a avaliação da evidência relativa ao tiomersal e às vacinas com adjuvantes de alumínio.
É possível uma criança ficar doente mesmo estando vacinada?
Nenhuma vacina oferece uma proteção de 100% em todas as pessoas e em todas as circunstâncias. A eficácia pode variar de acordo com a vacina, a doença, a idade, o sistema imunitário e outros fatores.
Ainda assim, a vacinação reduz significativamente o risco de várias infeções e, em muitas situações, diminui sobretudo a probabilidade de doença grave e de complicações.
Por isso, uma criança vacinada pode, em determinadas circunstâncias, contrair uma infeção contra a qual foi vacinada, mas isso não significa que a vacina não funcione.
O que acontece se uma criança tiver vacinas em atraso?
Um atraso na vacinação não significa que seja necessário começar tudo de novo.
A DGS dispõe de esquemas vacinais de recurso para crianças e adultos que não cumpriram o calendário recomendado ou cujo historial vacinal é incompleto. O esquema a realizar depende das vacinas já administradas, da idade e dos intervalos entre doses.
Por isso, perante dúvidas sobre vacinas em falta, é importante levar o registo de vacinação à unidade de saúde e pedir uma avaliação individual.
A vacinação deve ser adiada se a criança estiver doente?
Nem todas as doenças impedem a vacinação. A decisão depende do estado clínico da criança, da gravidade da doença, da vacina que vai ser administrada e de outras circunstâncias.
Quando existe uma doença aguda ou febre, os pais devem informar o profissional de saúde antes da vacinação. Este poderá avaliar se é adequado vacinar naquele momento ou se será preferível adiar.
O que devem fazer os pais?
Manter a vacinação atualizada é uma das medidas mais importantes para proteger a saúde das crianças.
Os pais e cuidadores devem:
- Verificar regularmente o registo de vacinação;
- Cumprir o calendário recomendado pelo PNV;
- Confirmar se existem vacinas em atraso;
- Informar o profissional de saúde sobre doenças, tratamentos ou reações anteriores a vacinas;
- Esclarecer dúvidas antes da vacinação;
- Consultar informação atualizada da DGS quando existirem alterações no calendário;
- Verificar necessidades específicas de vacinação antes de viagens.
É igualmente importante não tomar decisões com base em informação encontrada nas redes sociais ou fontes sem carácter científico. Quando existe uma dúvida sobre uma vacina, o pediatra, o médico de família ou o enfermeiro poderão ser uma ajuda para avaliar a situação individual da criança.
Informação atualizada em agosto de 2026.
Este artigo tem finalidade informativa e não substitui a avaliação individual por um profissional de saúde.
Revisão científica: Enf.ª Liliana Nunes | Enfermeira Especialista em Saúde Infantil e Pediatria (Hospital Lusíadas Lisboa)
Para consultar informação mais detalhada sobre o PNV e outras vacinas, visite a página da Lusíadas Saúde dedicada ao Programa Nacional de Vacinação e Vacinas Extra PNV.