Lusiadas.pt | Blog | Doenças | Doenças Crónicas | Vitiligo: pele sem pigmentação
2 min

Vitiligo: pele sem pigmentação

É uma doença crónica que se caracteriza pelo aparecimento de áreas de despigmentação em várias partes do corpo. João Abel Amaro, dermatologista do Hospital Lusíadas Lisboa, ajuda a compreender esta alteração da pele.

O vitiligo resulta de uma alteração funcional das células melanocíticas da epiderme, com perda progressiva da capacidade de síntese do pigmento natural da pele, a melanina. Não se conhecem as causas, mas existe uma predisposição genética complexa e, por vezes, o vitiligo está associado a doenças autoimunes (como a tiroidite, artrite reumatoide ou diabetes), além de poder ser desencadeado por vários fatores internos e externos como o stresse emocional.

As lesões, que normalmente surgem por volta dos 20 anos de idade, podem manter-se estáveis, regredir parcialmente ou alastrar progressivamente. Raramente a pele volta a usufruir da pigmentação original. As lesões do vitiligo surgem frequentemente de forma simétrica:

  • Nas pálpebras;
  • Cantos da boca;
  • Mamilos;
  • Mãos e pés;
  • Também surgem muitas vezes na área da barba, na linha média do abdómen, umbigo e zonas genitais.

Fatores de risco

Os principais fatores de risco são:

  • Antecedentes familiares de vitiligo;
  • A existência de doenças autoimunes, nomeadamente da tiroide.

Cuidados especiais

A fotoproteção das áreas despigmentadas é obrigatória durante todo o ano, de modo a evitar a curto prazo, o risco de queimadura solar e, a longo prazo, o aparecimento de várias formas de cancro da pele.

Complicações

As pessoas com vitiligo correm o risco acrescido de sofrer de:

  • Stresse social e psicológico;
  • Queimaduras solares e cancro de pele;
  • Problemas de visão, como inflamação da íris;
  • Perda de audição;
  • Efeitos secundários do tratamento, como pele seca e comichão.

Tratamento do vitiligo

Não há nenhum tratamento curativo para o vitiligo, embora nos últimos anos se tenham conseguido alguns métodos terapêuticos com os quais se consegue uma repigmentação parcial das lesões, tais como:

  • Corticosteroides tópicos (hidrocortisona, betametasona, clobetasol);
  • Inibidores da calcineurina (tacrolimus e pimecrolimus);
  • Fototerapia com ultra violetas ( UVB ) de banda estreita;
  • Fotoquimioterapia com UVA e psoralenos (PUVA)
  • Laserterapia com laser Excímer;
  • Tratamentos cirúrgicos com micro-enxertos.

Todos os tratamentos referidos podem ser efetuados nos Hospitais Lusíadas, exceto o de Laser Excímer (existem algumas reservas devido ao risco acrescido de poder induzir mais tarde o aparecimento de lesões cancerosas da pele).

Prevenção

Dado não se saber a causa exata do vitiligo não é possível implementar medidas de prevenção primária. A prevenção secundária das complicações é possível e recomendável.

Este artigo foi útil?

We appreciate the feedback.

Please include your email if you want us to follow up with you.

Especialidades em foco neste artigo

Colaboração

Dr. João Abel Amaro

Dermatologia
Hospital Lusíadas Lisboa
PT