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Balneários: como evitar as infeções nos pés

Os balneários das piscinas e ginásios são sítios quentes, húmidos, por regra sem luz solar. Por isso continuam a ser um ambiente de risco para doenças podológicas como dermatomicoses, onicomicoses e verrugas, apesar dos avanços nos cuidados de higiene e de segurança.

A qualidade dos balneários tem melhorado muito nos últimos anos, mas isso não significa que tenham deixado de ser locais de risco para infeções, em especial nos pés. “Os balneários são sítios frequentados por um grande número de pessoas”, onde todos se calçam e descalçam, e é sabido que “o ambiente quente, húmido e escuro favorece o crescimento e reprodução de microrganismos, como os fungos que são responsáveis pelas micoses”, explica Carla Ferreira, podologista do Hospital Lusíadas Porto.

Infeções nos pés por fungos 

Como começa por explicar a podologista, “existem cerca de cem mil espécies de fungos, no entanto só cerca de 150 espécies é que são fungos patogénicos para o Homem”. De entre estes, “os fungos que mais se encontram a nível do pé são os dermatófitos e as leveduras, responsáveis pelas onicomicoses (micoses da unha) e dermatomicoses (micoses da pele)”. Este tipo de problemas são muito frequentes – as micoses afetam cerca de 70% da população pelo menos uma vez na vida – mas um diagnóstico precoce ajuda à eficácia do tratamento e é importante conhecer os sintomas.

  • Onicomicoses

Alterações da unha, na cor, espessura e por vezes com cheiro são sinais de alerta. Numa fase inicial, as onicomicoses não apresentam outra sintomatologia, “mas com o avançar da doença, a alteração do aspeto da unha bem como do espessamento desta pode levar a que esta ‘encrave’, o que origina dor”, explica Carla Ferreira.

  • Dermatomicoses

Os primeiros sinais de infeção podem revelar-se com o surgir de prurido (comichão), descamação e por vezes mau cheiro. “Só quando a dermatomicose se encontra num estádio mais avançado e, além de fungo, também temos contaminação bacteriana, podemos dizer que estamos perante o tão falado e conhecido ‘pé de atleta’”, explica a podologista. Apesar do nome, esta variante pode afetar qualquer pessoa com uma dermatomicose que evolua para um estádio crónico e em concomitância com contaminação bacteriana. Nesse caso, a patologia é mais grave, com os sintomas a surgirem mais exacerbados. Atenção: aos primeiros sintomas, é aconselhável consultar um podologista para confirmar o diagnóstico e “atempadamente iniciar o tratamento adequado à patologia em causa. O autotratamento nunca deve ser feito”, sublinha Carla Ferreira. “Há imensas doenças ungueais com sinais semelhantes que surgem como consequência de doença sistémica, provocadas pela toma de alguns medicamentos, ou estarmos perante outra patologia ungueal distinta”, salienta a podologista.

  • Verrugas

As piscinas e balneários são também locais propícios a infeção por vírus, revelada pelo aparecimento de verrugas, causadas pelo HPV (vírus papiloma humano). Estas são um problema menos frequente (os vírus são mais resistentes) e que afeta essencialmente os mais jovens, pois o sistema imunitário ainda está em desenvolvimento, (7% a 10% da população). “A doença não se desenvolve em todas as pessoas que entram em contacto com o HPV", refere Carla Ferreira. “As verrugas por vezes são confundidas com os calos e, numa fase inicial, se não estiverem numa zona submetida a carga/peso podem ser indolores. Como ‘crescem para dentro”, por vezes passam despercebidas até atingirem um certo tamanho e surgir a dor”, alerta Carla Ferreira.

Via de transmissão

Para a transmissão do vírus HPV ou dos fungos é necessário haver uma “porta de entrada” que é, na maioria das vezes, uma pequena lesão na pele invisível, no geral, a olho nu. Por esse motivo, caminhar sobre as superfícies húmidas das piscinas, tomar banhos em chuveiros públicos descalços ou permanecer descalço em água parada, aumenta o risco de contrair a doença.

Prevenção e diagnóstico

Como em quase todas as questões de saúde, também no que diz respeito à saúde dos pés, prevenir é o melhor conselho. Para diminuir a possibilidade de contrair uma infeção no balneário de uma piscina ou ginásio e garantir um diagnóstico precoce de qualquer problema que possa eventualmente surgir, a podologista recomenda:

  • Usar sempre chinelos quando frequentar um balneário ou outro sítio público;
  • Nunca andar descalço perto da piscina, nem mesmo quando a ideia é só sair da toalha para dar um mergulho. Nesse caso, deve levar os chinelos até mesmo à beira da água;
  • Não trocar de sapatos com outra pessoa;
  • Mudar de meias e de sapatos diariamente para os deixar “arejar”;
  • Usar meias com a maior percentagem de algodão possível;
  • Lavar todos os dias os pés, de preferência com sabão neutro;
  • Secar cuidadosamente os pés, sem esquecer as zonas entre os dedos;
  • Não cortar as cutículas das unhas dos pés;
  • Observar com regularidade e atenção ao estado dos pés e estar a atento a qualquer alteração, nomeadamente nas unhas;
  • Não fazer autotratamentos;
  • Consultar o podologista aos primeiros sinais de alteração na pele e/ou unhas dos pés;
  • Não protelar/adiar o tratamento recomendado.

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Especialidades em foco neste artigo

Revisão Científica

Dra. Carla Ferreira

Podologia
Hospital Lusíadas Porto, Hospital Lusíadas Lisboa
PT