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Como combater e evitar a retenção de líquidos

Mãos que “engordam”, pernas inchadas e pés pesados que ao fim do dia parecem já não caber nos sapatos... Falamos de retenção de líquidos, um problema que pode ter causas diversas e afeta sobretudo as mulheres.

Nuno Bernardino Vieira, especialista em Medicina Interna no Hospital Lusíadas Albufeira, explica como se formam os edemas e o que fazer para os prevenir. Medidas simples, como cortar no sal ou optar por meias elásticas, ajudam a fazer a diferença na retenção de líquidos.

O que é a retenção de líquidos

A retenção de líquidos consiste na formação de edemas (inchaços) devido a acumulação de líquido no espaço que envolve os tecidos e os órgãos do corpo. Os pés e as mãos são, por regra, as zonas mais suscetíveis, muito em parte devido à força gravitacional.

Só mesmo “em situações mais graves e específicas, a retenção de líquidos pode ocorrer também em cavidades livres, como à volta do pulmão (derrame pleural) ou em redor dos órgãos intra-abdominais (ascite)”, explica Nuno Bernardino Vieira.

Como se forma o inchaço

Existem múltiplas causas para a formação de edema, sendo a retenção de líquidos um dos sintomas da insuficiência cardíaca, doenças renais, falência hepática, etc. No entanto, “a causa mais frequente é uma insuficiência venosa, que faz com que as veias não consigam transportar de forma eficaz o sangue de volta das extremidades para o coração, o que se passa principalmente nas pernas”, explica o especialista em Medicina Interna.

Existem também causas hormonais durante a gravidez ou em determinados períodos do ciclo menstrual da mulher que podem levar a esta retenção de líquidos. E, segundo Nuno Bernardino Vieira, surgem ainda, com alguma frequência, situações em que os médicos não conseguem identificar a razão do inchaço. Clinicamente, o edema de causa desconhecida chama-se edema idiopático.

  • Por que razão o problema afeta mais as mulheres?

As mulheres são mais suscetíveis à Insuficiência Venosa Crónica dos membros inferiores, que é a causa mais frequente do edema. Além disso, lembra ainda o especialista: “Durante a idade fértil, as alterações hormonais verificadas em determinados períodos do ciclo menstrual favorecem uma maior tendência para a retenção de líquidos”.

Muitas mulheres têm a perceção de que “engordam” nestas alturas, mas o que de facto acontece é que ao longo do dia os líquidos retidos aumentam também o peso registado na balança até cerca de dois quilos.

  • Agir pela prevenção

A prevenção da retenção de líquidos depende da causa subjacente à formação do edema. “A redução do consumo de sal tem importância em particular nas situações de doença cardíaca, renal ou hepática porque nestas situações o aumento da absorção do sódio do sal acaba por condicionar o aumento da volémia do sangue (quantidade de sangue a circular no organismo) e, consequentemente, a nível periférico forma-se mais facilmente o edema”, diz Nuno Bernardino Vieira.

A Organização Mundial de Saúde recomenda um consumo diário inferior a 5g de sal (metade da média de 10,7 g ingeridos pelos portugueses).

Como medidas gerais, o clínico lembra que manter o peso adequado e praticar exercício físico são condições importantes, em particular nos casos de insuficiência venosa, pois facilitam a drenagem dos membros inferiores pela circulação venosa. Sendo, em qualquer caso, aconselhável, beber bastante água.

“Garantir um adequado estado de hidratação é fundamental para assegurar o correto funcionamento renal que assim previne também a retenção dos líquidos, pois o líquido que se encontra em excesso no organismo é assim eliminado”, explica o especialista.

 A retenção de líquidos tem tratamento?

Existem diversas opções de tratamento e, mais uma vez, é a causa subjacente ao edema que vai determinar a decisão do médico, o que torna indispensável a consulta de um especialista. O recurso a medicamentos como os diuréticos, que ao estimularem o funcionamento do rim facilitam a eliminação do líquido em excesso, é utilizado nos casos mais graves. Mas, segundo o especialista em Medicina Interna, há outras medidas simples que podem fazer a diferença: 

  • Massagens e fisioterapia

“Ao facilitarem a contração muscular dos grupos musculares dos membros, a pressão e os movimentos utilizados acabam por facilitar tanto a drenagem venosa como a linfática, o que vai melhorar a acumulação de líquido nestes locais.”  

  • Meias de compressão elástica

“Nem sempre muito confortáveis, acabam por ser muito eficazes.”

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