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Implantes dentários: o que são e como funcionam

Estas peças permitem a substituição dos dentes a partir de uma cirurgia normalmente indolor.

Sempre que há a perda de um ou mais dentes, uma das respostas da medicina é a colocação de implantes que permitem uma substituição mais segura dos dentes. Neste artigo, o médico, cirurgião maxilofacial e estomatologista André Luís, responde às questões e dúvidas relacionadas com os implantes dentários.

Para o coordenador da Unidade de Medicina Dentária, Estomatologia e Cirurgia Maxilofacial do Hospital Lusíadas Braga, esta é uma solução recomendada quase em absoluto. “Em 15 anos de atividade, acho que só pus contraindicações totais aos implantes duas ou três vezes”, assegura.

1. O que são implantes dentários?

O implante dentário é uma peça constituída por um componente metálico com um revestimento próprio, que fica integrado ao osso da maxila ou da mandíbula, e que vai substituir a raiz do dente. O implante dentário serve para colocar uma coroa e como pilar de várias coroas conjuntas (três coroas necessitam de dois implantes, por exemplo) ou uma prótese (vulgarmente conhecida como dentadura).

2. Como são feitos?

O interior do implante é feito de titânio e o revestimento vai variando de marca para marca. Os implantes podem ter várias formas. Normalmente, são cilíndricos, podendo ter uma estrutura mais cónica. O que varia muito é a conexão do implante com a coroa.

Uma conexão do tipo cone-morse permite o melhor isolamento entre a coroa e o implante, (diminuindo a probabilidade de infiltração de bactérias entre as duas estruturas) e ajuda a evitar a perda óssea à volta do implante. Permite ainda a utilização de soluções esteticamente melhores ao nível da gengiva.

3. Como é que o implante fica preso ao osso?

A colocação do implante passa sempre por um ato cirúrgico. Se já houver o orifício aberto, aproveita-se esse orifício para se colocar o implante, sendo normalmente necessário instrumentar o osso para colocar o implante numa posição ideal. Senão, é necessário instrumentar o osso e fazer um orifício para colocar o implante.

O implante é aparafusado no osso e, numa primeira fase, fica preso ao osso pela força mecânica das espiras. Passado algum tempo ocorre um fenómeno de osteointegração. Há um crescimento de osso na superfície do implante e o implante integra-se no osso. Como a superfície do implante é porosa, há crescimento de osso nesses poros.

4. Quantos implantes são necessários para se colocar uma prótese total?

São necessários pelo menos quatro implantes.

5. Após a cirurgia, a pessoa fica logo com a coroa ou a prótese colocadas?

Depende, há várias possibilidades. Após a colocação de um ou vários implantes, é possível colocar-se a gengiva por cima dos implantes, um parafuso de cicatrização, uma coroa provisória ou, ainda, uma prótese total (para quem vai pôr a prótese). Independentemente daquelas possibilidades, é sempre necessário que haja a cicatrização da gengiva e a osteointegração dos implantes, que demora algum tempo.

Por isso, mesmo que seja colocada uma coroa ou uma prótese provisória, a pessoa terá de esperar três a seis meses para receber a peça definitiva. Só passado esse período, depois de os tecidos estarem cicatrizados e os implantes integrados, é que há a construção da prótese definitiva adaptada aos tecidos cicatrizados.

6. Que cuidados é necessário ter para a cirurgia?

A pessoa deve ter uma higiene oral cuidada. Antes da cirurgia, pode tomar uma refeição ligeira. Após a cirurgia, nos dois primeiros dias, deve privilegiar uma dieta com alimentos mais moles e menos quente, e manter uma higiene oral mais cuidada. Normalmente, faz-se uma profilaxia com um antibiótico, que poderá ser iniciada antes da cirurgia.

7. A cirurgia é dolorosa?

Por regra, não. O procedimento cirúrgico é feito com anestesia local, a menos que a pessoa queira uma anestesia geral. É habitualmente indolor e, nos dias seguintes, a dor é bem controlada com a medicação normal: analgésicos e anti-inflamatórios. No caso de um implante unitário, as dores costumam passar até 24 horas depois do procedimento.

8. Quando é que se aconselha a colocação de implantes dentários?

Sempre que pretendemos substituir dentes que foram perdidos pelo doente. São relativamente raras as condições do doente que contraindicam de forma absoluta a colocação de implantes. 

9. No caso da prótese, ela é fixa ou pode tirar-se?

A prótese pode ser de pôr e tirar, mas fica presa a suportes encaixados no implante. Mais frequentemente, as pessoas ficam com próteses fixas que estão aparafusadas aos implantes. Nestes casos, é necessário remover a prótese para fazer a limpeza total da boca uma ou duas vezes por ano. Esta remoção é feita no consultório.

10. Os implantes funcionam para o resto da vida?

A intenção da cirurgia é que os implantes durem para o resto da vida, mas não é certo que isso aconteça. Tal como qualquer estrutura implantada e qualquer estrutura natural de qualquer organismo, podem surgir complicações e patologias.

11. O organismo pode rejeitar o implante?

O organismo não rejeita o implante, o que pode ocorrer é a não integração do implante no osso e infeções que levam à perda óssea ou à doença perimplantar (doença que envolve as estruturas à volta do implante), entre outras complicações que podem levar à falência do implante colocado.
 

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